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Talibã: entenda tudo sobre os acontecimentos no Afeganistão

Entender tudo o que aconteceu e está acontecendo no Afeganistão não é uma tarefa simples. Porém, dá para resumir o que é mais importante em algumas linhas. E nós vamos fazer isso. Considere que o texto foi pensado e escrito para quem sabe muito pouco sobre os episódios recentes ou para quem tem curiosidade em saber como isso impacta o mundo.

Afinal, o que é o talibã, o que as mulheres têm sofrido com isso, o que foi que aconteceu nos últimos dias, já que só se fala sobre o assunto? O texto vai responder todas essas dúvidas e você vai entender, de forma breve e objetivo, o que aconteceu naquele país nas últimas décadas. 

Foto: (reprodução/internet)

Veja o que vai encontrar neste artigo:

  • Como o talibã dominou as manchetes internacionais;
  • Como o grupo extremista chegou ao poder;
  • Interferência nos direitos das mulheres;
  • Com o que é financiado o talibã.

Desespero do povo do afegão

A notícia dos últimos dias é a que as pessoas mais temiam: o grupo talibã retomou o poder no Afeganistão. Ao saber disso, milhares de pessoas tentaram fugir do lugar, especialmente do aeroporto de Cabul, que é a capital de lá. 

Foto: (reprodução/internet)

Como consequência das cenas chocantes, muita gente começou a estudar o assunto, que até então passava despercebido. Outra consequência direta foi o fato de que os Estados Unidos suspenderam os voos de retiradas. A crise e o medo se instalaram em todo lugar. 

O povo local até que tentou protestar, porém, o grupo do talibã respondeu com violência. Para se ter uma ideia da mudança que essa tomada de poder significa, considere que até mesmo a bandeira do país foi mudada pelo grupo, trocando a do Afeganistão por uma islâmica. 

A fuga do país

Até o momento, o que se sabe é que mais de 2.200 diplomatas locais e alguns civis conseguiram realizar voos militares para fora do país. Não se tem notícias ou informações sobre quem são essas pessoas. Porém, acredita-se que sejam embaixadores.

Isso porque o grupo talibã afirmou que busca a paz. Porém, historicamente, o que se sabe é que as regras e leis do grupo são bem diferentes e adversas, especialmente, referente aos direitos das mulheres e direitos humanos. 

Como o grupo talibã retornou ao poder

Talvez a única parte que não deixa dúvidas sobre tudo isso é que o grupo voltou ao poder após o governo americano, de Joe Biden, decidir pela retirada das tropas norte-americanas do país. A situação causou crise no governo e, mais do que isso, a mudança do governo por lá. 

Foto: (reprodução/internet)

Mais tarde, após a retomada do poder do talibã, Biden reafirmou que mantém a decisão. Isso porque ele não vê a missão dos Estados Unidos como a de construir uma nação. Para o democrata, o país já gastou milhões com as tropas.

E ainda culpou o Exército Local de não lutar contra o grupo militante como deveriam. “Os líderes políticos do Afeganistão desistiram e fugiram do país. Os militares afegãos desistiram sem tentar lutar”, ele o presidente dos EUA. 

Retirada do exército norte-americano

Em termos mais práticos, tudo começou quando Biden anunciou a retirada das tropas americanas do país. Assim, o grupo assumiu o poder em 50 distritos. Em dois meses, já controlava quase metade do país. Em maio aconteceu a ofensiva contra o governo.

A data mais marcante é 15 de agosto, quando o Ministério do Interior do Afeganistão anunciou que as forças do talibã conquistaram a capital Cabul, de todos os lados. Foi nesse dia que o presidente, eleito em 2014, deixou o país e se refugiou em Tajiquistão, na fronteira. 

O que muda para as mulheres afegãs

Um dos pontos mais tristes da história toda é que em poucas horas após o grupo militante tomar o poder, já deu para ver que as mulheres seriam quem mais sofreria com as leis e regras do grupo.  O grupo vai contra os principais direitos humanos.

Foto: (reprodução/internet)

Isso porque as regras do talibã são bastante rígidas para elas. Por exemplo, a perda de direitos sociais. Conforme jornais que fazem a cobertura local contam, os canais de TV não podem ter apresentações feitas por mulheres. E os programas locais são, em maioria, religiosos.

Ainda mais focado nas mulheres, considere que se tornou obrigatório o uso de burcas, que são aqueles trajes que cobrem completamente o corpo da mulher. E elas devem estar sempre acompanhadas por homens. Vitrines com mulheres sem véu foram eliminadas das ruas.

As principais restrições impostas pelo grupo

Apesar de concordarem em dizer que não haveria uma rigidez em suas regras na retomada do poder, o grupo foi controverso após a retomada. Isso porque em instantes, as mulheres já passaram a ser obrigadas a usar burcas, por exemplo. 

Assim, o medo foi instalado considerando o histórico de regras que regeu sob a vida do governo talibã nos últimos anos. Por exemplo: proibição de vários livros, não se pode ter câmeras disponíveis, internet, música, artes e pipas. Tudo era proibido.

Aliás, a luta de cães passou a ser permitida. Já marinar alimentos ou a previsão do tempo não eram aceitas durante o governo talibã. E o medo é que tudo isso volte a acontecer, de novo.

O começo de tudo (1970-1980)

Tudo começou na década de 1970, quando a monarquia afegã foi derrubada por um golpe de estado em 1973. Mohammed Daoud Khan se tornou presidente do país. Um partido não gostou e criou a Revolução de Saur, com a mudança de governo e um novo líder. Nos próximos anos, a Rússia (ainda como União Soviética) invadiu o país e criou mais um golpe sequencial. 

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O conflito entre afegãos e soviéticos ficou chamado de Guerra do Afeganistão. E nesse caso até os Estados Unidos entraram na história toda, com a CIA. Essa guerra teria terminado em 1989, com a retirada do exército soviético do país. Porém, a URSS continuou apoiando o governo afegão. Na década de 1990, o fato mais marcante foi sobre a criação do grupo talibã. 

Eles eram derivados dos mujahidin, que eram financiados pelos norte-americanos e lutavam contra os soviéticos. Eles tomaram o país todo e começaram a governá-lo. No entanto, começaram a impor leis islâmicas ao povo afegão, como a proibição de mulheres para frequentar as escolas, trabalhar fora de casa, viajar sozinhas. 

Mais detalhes

Com a expansão do poder,  o Afeganistão passou a se chamar Emirado Islâmico do Afeganistão naquela época. Foi em 1997 que o líder do talibã, Mohammed Omar fez uma aliança com Osama bin Laden, que foi o fundador da Al-Qaeda, outro grupo extremista islâmico. 

A entrada do exército americano no Afeganistão (2000)

Na próxima década, o que aconteceu, se você se lembra é o atentado de 11 de setembro, liderado pela Al-Qaeda. O que aconteceu foi que o governo norte-americano, através de George W. Bush, entrou no território afegão para encontrar Bin Laden, protegido pelo Talibã.

Foto: (reprodução/internet)

Foi assim que o exército norte-americano tomou o poder. E o Talibã saiu de cena, algo que aconteceu por volta de 2003. Ao mesmo tempo, os norte-americanos também invadiram o Iraque para derrubar o governo de Saddam Hussein. 

Em 2009, Barack Obama mandou de novo o exército para lá, já que havia boatos de que o grupo Talibã estava ressurgindo. Bin Laden foi executado e os Estados Unidos começou a reduzir as tropas de lá. 

A saída do exercício americano do Afeganistão (2010-2021)

Apesar de Biden estar por trás da saída dos norte-americanos de lá, isso começou com Donald Trump, que fez um acordo com o Talibã para anunciar a retirada da tropa local. A marca agendada por elas era mesmo em maio de 2021. Ela foi mantida por Joe Biden.

Foto: (reprodução/internet)

E desde essa data, o grupo talibã avança pelas cidades do país. O grupo começou a assumir o controle das capitais das províncias e em apenas duas semanas estava negociando com o presidente do país, Ashraf Ghani. 

Foi em 15 de agosto que o presidente abandonou o país e o talibã, consolidando o grupo talibã no poder, de novo. Com tanta tragédia, já parou para pensar quem financia o grupo Talibã? Quais poderes estariam por trás desse governo autoritário? Vamos falar mais a frente. 

Entendendo mais do grupo talibã

A formação aconteceu em 1994. O grupo é formado por ex-combatentes do exército afegão. Eles são chamados de mujahedeen e são militantes islâmicos sunitas. Se você leu todo o texto acima, sabe: lutaram contra as forças soviéticas na década de 1980 e promovem leis islâmicas.

Atualmente, a liderança do grupo é do Mawlawi Haibatullah Akhundzada. Ele é um religioso que está por trás do grupo desde a fundação. Ele foi nomeado o líder em 206, quando o chefe anterio (Mullah Akhtar Mohammad Mansour) foi morto em um ataque aéreo.

Curiosamente, a negociação do grupo com Trump foi em 2017, em uma carta aberta, onde pediam que o exército norte-americano se retirasse do seu país. O acordo de paz foi assinado em 2020. Porém, como se sabe, o acordo não trouxe paz. 

Quem financia o grupo talibã

O que pouca gente sabe é que o que financia o grupo talibã hoje é o ópio. Isso porque o cultivo dessa planta sempre foi uma forma de o país ganhar dinheiro. Apesar de o grupo ser contra as drogas e anunciar isso desde quando estava no poder, eles viram que o negócio é lucrativo. 

Tanto é que começou a coletar a zakat, uma taxa islâmica sobre o cultivo do ópio, que é de 20% sobre todos os distribuidores da planta. Do Afeganistão, a droga parte para diversos cantos do mundo, com uma rede extensa de tráfico de drogas.