Resenha de disco: “Room on Fire”

Recentemente me coloquei a disposição para escrever resenhas de discos aqui no Minilua, já que eu tenho um blog e lá escrevo sobre várias coisas, mas acho que minhas dicas musicais são os posts mais bem escritos. Para começar, decidi “repostar” um post sobre um dos meus discos favoritos de todos os tempos o, já clássico, “Room on Fire” dos farristas The Strokes.

O segundo álbum de estúdio do The Strokes é um diamante brilhante e chamativo, a começar pela arte do álbum (a mais bonita de todos os álbums da banda, na minha opinião), escancarando, já logo de cara, as influências oitentistas presentes em todas as músicas do CD.

O som é muito rápido, muito bem marcado pela bateria, com riffs agitados de guitarra e solos enérgicos. O baixo, uma característica marcante no primeiro CD e algo que chama muito a minha atenção no The Strokes não é tão presente, no entanto é marcante, até por que ele assume o papel principal em diversos momentos e canções do álbum.

As canções, escritas por Julian Casablancas, não são nenhum primor criativo, pois eles nunca deixaram de ser filhinhos de papai mimados da cidade de Nova Iorque, mas em “Room on Fire” temos ótimos momentos e sacadas bacanas. Já logo de início ouvimos um desabafo: Julian Casablancas canta, em nome de toda a banda, que não quer ser lembrado. Em seguida, nos alerta que esse mundo não é para nós em “Reptilia” e, ainda na mesma canção, implora para não pararem ele. Conversava com uma garota? Pode ser. No entanto, ele também poderia estar falando com os chefões da indústria fonográfica. Quando o The Strokes se uniu para gravar “Room on Fire”, escolheram um produtor musical que foi logo mandado embora. O motivo? Ele fez o CD soar desalmado, de acordo com a banda. Conforme o CD avança, as influências oitentistas ficam cada vez mais descaradas e em outros momentos, Julian Casablancas mostra saber capturar como ninguém a aura boêmia da cidade de Nova Iorque, criando um certo estigma para a cidade que dura (e é até bem-vindo) até hoje. Tudo isso consegue esconder a medíocridade das canções, fazendo-as parecerem melhores do que são.

Além disso, o The Strokes foi influente como nenhuma outra banda indie na história, claramente notável através do número da popularidade que as canções desse CD alcançaram, mas também pela “fórmula” que a banda criou e foi seguida por diversas bandas a partir de então; as músicas são marcadas por riffs de guitarra, geralmente agitados e dançantes, mas que acabam cedendo espaço para uma mudança repentina e brusca de ritmo no meio das músicas, algo que ficou conhecido como “estragar a música no meio”. Eu tinha diversos amigos que não gostavam de bandas indie exatamente por isso, por que elas começam muito bem suas músicas, mas estragam elas, do meio pro final.

No entanto, eles gostavam de The Strokes por que a banda, como inventores dessa “fórmula”, souberam usar e abusar dela como ninguém, explorando-a de todas as formas possíveis, até que não desse mais, criando após isso resultados medíocres como “First Impressions of Earth” e horríveis como “RCA”.

Alguns dizem que “Room on Fire” soa como uma continuação de “Is This It”, o que de fato é uma interpretação válida, visto que o álbum evoca a mesma fórmula usada no antecessor, mas eu vejo este CD como uma evolução, um passo à frente na mesma direção, o que leva a novos caminhos, novos sons e uma nova pegada para a banda.

A composição das canções, o ritmo das músicas, a voz rouca e zuada do Julian Casablancas, o baixo sendo usado como personagem principal em diversos momentos, a união de todos esses elementos, fizeram de “Room on Fire” um dos meus álbuns favoritos de todos os tempos e eu ainda me pego escutando essas músicas, despertando lembranças antigas e marcando as novas.

Um CD eterno, brilhante, marcante, esse é “Room on Fire”.

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