Quem foi José Saramago? Conheça 10 frases e conheça o autor

Português, autor de livros que venderam muito (Ensaio sobre a Cegueira, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis), comunista, ateu e intelectual. Mas, quem foi José Saramago além desses títulos? Vamos descobrir.

Para isso, de um jeito diferente, fizemos uma seleção de frases conhecidas deles que falam sobre cada área da vida, da sociedade. Assim, além de tudo, com certeza, Saramago foi um grande humanista preocupado com o mundo.

1 – Sobre o Brasil

Você já pensou o que Saramago diria sobre o Brasil? Na verdade, ele disse. Inclusive, já faça aqui a sua primeira reflexão, que vai além do autor e nos traz para a nossa própria realidade.

“Não me atreveria a dizer que o Brasil seja um corpo estranho em relação ao restante dos países, mas não tenho dúvidas de que existe ali um problema de conhecimento, necessidade mútua e convivência que deveriam resolver”.

Essa é uma das frases célebres mais recentes dele, de 2007.

2 – Sobre a História

“A história não é uma ciência. É ficção. Vou mais longe: como na ficção, há uma tentativa de reconstruir a realidade através de um processo de seleção de materiais. Os historiadores apresentam uma realidade cronológica, linear, lógica. Mas, a verdade é que se trata de uma montagem, fundada sobre um ponto de vista”.

Ele disse isso em 1989, ao contextualizar ainda sobre o que ele chamou de “prisma masculino”, dizendo ainda que há histórias daqueles que possuem voz e outra história, que não é contada, daqueles que não tem voz.

3 – Sobre as Guerras

Também podemos saber quem é José Saramago ao falar das guerras. Não é raro ele falar sobre isso. Ainda mais quando faz isso interligando as guerras com questões religiosas, políticas.

“Todas as guerras são absurdas. Mas, as guerras de religiões são as mais absurdas de todas porque se fazem em nome não se sabe de quê”. A frase dele também é atual, de 2002. E completa ao dizer que “a capacidade de autoengano do ser humano não tem limites”.

4 – Sobre o Cidadão

Em 1998 José Saramago lançou uma frase que até hoje é muito usada em feeds de redes sociais. Ele fala sobre a morte do cidadão.

“Nós estamos a assistir ao que eu chamara de morte do cidadão, onde o que temos, cada vez mais, é o cliente. Agora, ninguém nos pergunta o que é que pensamos e sim qual é a marca de carro ou de gravata que temos, quanto ganhamos”.

5 – Sobre a Humanidade

Leia isto com muita atenção: “Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta”?

Essa citação dele é de 1994 e ele completa o pensamento afirmando que “Enquanto a consciência das pessoas não despertar isso continuará igual”.

6 – Sobre a Democracia

Mais recentemente, no ano de 2003, tivemos outra frase inspiradora de Saramago. E ela é sobre a democracia, algo muito atual nos dias de hoje – no mundo todo.

“Sem democracia não pode haver direitos humanos, mas sem direitos humanos também não haverá democracia. Estamos numa situação em que se fala muito de democracia e nada de direitos humanos. Creio que essas são duas grandes batalhas para esse século”.

7 – Sobre o Otimismo

O que é o otimismo para você? O que Saramago tem a dizer sobre isso?

“Eu não vejo, sinceramente, nenhum motivo para ser otimista. Não só perante a história da nossa espécie como diante do espetáculo de um mundo que é capaz, porque para isso tem meios, de resolver uma quantidade de problemas, desde a fome até a educação”.

E, para terminar a citação, ele ainda traz uma reflexão bastante real, que vem desde 1998 e nos cabe muito bem nos dias atuais: “E não o faz por quê? Porque aquilo que conta é o lucro”.

8 – Sobre o Escritor

“O escritor não tem direito de rebaixar o seu trabalho em nome de uma suposta maior acessibilidade. A sociedade, isto é, todos nós, é que temos o dever de resolver problemas gerais de acesso e fruição dos bens materiais e culturais”.

A frase é uma das mais antigas citadas aqui, de 1978, mas parece bem atual, não acha?

9 – Sobre a Bondade

Tem algo que José Saramago chama de Revolução da Bondade. O que seria isso? No livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de 1995, ele cita o exemplo, a definição.

“Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estavam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas, a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir de fazer tudo o que pode para reger-se dos princípios éticos”.

10 – Sobre a Felicidade

E para fechar, mesmo que ele não vê otimismo, podemos falar, também, da felicidade.

“Mas, a felicidade é, sobretudo, uma questão pessoal. No que me toca, aprende que o amor, sendo a mais relativa de todas as coisas, é a absoluta condição de felicidade”. E olha que isso foi dito em 1993.