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Por que estes animais são rosa? Conheça o processo chamado diafonização

Uma cobra morta enrolada em um círculo espia para fora de um recipiente de vidro transparente enquanto os espectadores espiam de volta para dentro. Eles podem enxergar através do vidro e da solução transparente, e também através da pele, até as fileiras organizadas de vértebras e costelas. Os ossos e a cartilagem mostram detalhes íntimos da anatomia da cobra, exatamente na mesma posição no corpo que estavam na vida. As únicas diferenças são que a cobra está morta, a pele é clara e os ossos e cartilagens são cor de rosa e azul.

Pessoas que preparam espécimes de animais para museus e escolas – e também para coleções pessoais – podem transformar cobras, sapos, ratos e outros pequenos animais em obras de arte científicas chamadas “espécimes diafonizados”. Essa técnica, também conhecida como “limpeza e coloração”, ajuda as pessoas a entender a anatomia interna de um animal de uma maneira única.

O processo é complicado, envolve produtos químicos um tanto perigosos e requer muito treinamento para aperfeiçoar. Antes de experimentá-lo em casa, os futuros preparadores curiosos devem começar como voluntários em um museu local, ao lado de funcionários familiarizados com a diafonização. Em uma etapa do longo processo, um preparador deve absorver um animal morto em um produto químico chamado tripsina, que destrói uma proteína que cria cor chamada caseína. Sem caseína, sem cor. Após essa parte do processo, apenas uma versão transparente do animal original permanece.

Em seguida, o preparador colore a amostra com tipos de corantes atraídos por certas substâncias no corpo. “Um tem uma forte afinidade com o colágeno, outro procura cartilagem”, explica Helen Kairo, preparadora de amostras anatômicas. “Eles são como mísseis que procuram calor, mas são corantes que procuram tecidos”.

Como resultado, dependendo dos corantes utilizados, os ossos ricos em colágeno podem ficar vermelhos ou rosados, e a cartilagem esquerda pode ficar azul. O resultado é um espécime colorido, de aparência mística, artístico e educacional.

O trabalho de Kairo é preparar restos de animais, incluindo diafonizados, para fins educacionais. Ela consulta com museus e escolas para preparar e reparar materiais. Ela também educa o público postando em várias plataformas de mídia social como o Instagram. Atualmente, Kairo está trabalhando em uma antologia sobre as coisas surpreendentes que você pode aprender ao estudar anatomia animal.

As amostras diafonizadas, explica Kairo, são especialmente úteis para certos tipos de animais que não se saem bem quando preparadas de outras maneiras. Alguns deles têm ossos muito pequenos e frágeis para serem limpos e transformados em esqueletos independentes. Animais sem pêlos e penas são difíceis de transformar em taxidermia tradicional.

Alguns animais são grandes demais para a diafonização – como seres humanos adultos. Simplesmente levaria muito tempo e muitos produtos químicos para processar uma criatura tão grande. No entanto, alguns têm diafonizado fetos humanos para estudar seu desenvolvimento.

A imagem computadorizada pode ser útil para esses tipos de animais, e hoje em dia é mais popular do que a limpeza e a coloração de instituições de ensino. A diafonização agora é uma espécie de arte perdida, mas pelo menos sua beleza estranha e colorida os torna populares para os entusiastas da anatomia colecionarem do Etsy.

Traduzido e adaptado por equipe Minilua
Fonte: Ripleys