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Mulheres de fibra: Bertha Lutz #2

Desde os primórdios, o papel da mulher sempre foi fundamental para a evolução mundial, embora tenha se limitado durante muito tempo aos cuidados à família e aos trabalhos domésticos.

Nem sempre nascer mulher foi considerado algo positivo, pois através dos séculos a figura feminina deveria estar ligada à submissão ao homem, e, pelo simples motivo de parecer mais frágil fisicamente, jamais poderia estar no topo da família.

Apesar dessa visão sobre a classe feminina ter perdurado ao longo dos séculos, encontramos muitas mulheres que lutaram pelos seus direitos e foram reconhecidas pela sociedade por seus feitos valiosos.

A série “Mulheres de Fibra” trará até você mulheres que de alguma maneira influenciaram o mundo através de suas invenções e conquistas.

Para dar continuidade, hoje falarei sobre Bertha Lutz (1894-1976), um ícone feminista no Brasil, conhecida como a pioneira na luta pelos direitos das mulheres daquela época.

Bertha Maria Júlia Lutz nasceu em São Paulo, mas teve oportunidade de estudar na Europa, onde  se formou em biologia pela Sorbonne, em Paris. Lá, conviveu com o movimento feminista propriamente dito.

Retornou ao Brasil em 1918, quando, através de um concurso público, começou a trabalhar no Museu Nacional, tornando-se a segunda mulher a fazer parte do serviço público brasileiro. Começando a partir daí sua luta em prol do voto feminino. Fundou em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que mais tarde se tornaria a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

Em 1922, representou as brasileiras nos EUA, durante a Liga das Mulheres Eleitoras, tornando-se vice presidente da Sociedade Pan-Americana.

Os anos 30 foram marcados pela conquista do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, do então presidente Getúlio Vargas, vindo este, a garantir o direito ao voto feminino. Bertha não parou por aí, pois em 1934, conseguiu a igualdade feminina na política, foi quando iniciou sua carreira nos assuntos públicos.

Em 1936 Bertha assumiu seu lugar na Câmara Federal. Dando continuidade à luta por mais uma causa, ela queria mudar a então legislação que se referia à mão-de-obra feminina e de crianças, a licença maternidade, de no mínimo, 3 meses e redução da carga horária de trabalho, que era de 13 horas diárias.

No ano de 1937, Getúlio Vargas decretou o Estado novo, ano no qual, Bertha pôs fim às intervenções no âmbito da política.

Se aposentou no ano de 1964, no Museu Nacional, onde foi chefe da área da botânica.

Em 1975, Ano Internacional da mulher, participou do I Congresso Internacional da mulher, na capital do México.

Veio a falecer no Rio de Janeiro em 1976, aos 82 anos e sua imagem ficou diretamente ligada à liderança na luta pelos direitos das mulheres brasileiras, pois, graças à sua garra e determinação, Bertha conquistou o direito ao voto feminino, entre outros direitos que nos foram conferidos a partir de então. Tudo isso em uma época, na qual, somente os homens se encontravam no poder.

 

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