Monte a sua matéria: A eterna luta de classes #19

Socialismo x capitalismo. Sim, lá vamos nós de novo. Quem comenta agora, é Leonardo Martins. Uma boa leitura!

                                                      A utopia

Por: Leonardo Martins

Bom, antes de começar o texto, gostaria de pedir apenas uma coisa: Que a minha opinião fosse respeitada, da mesma forma, que respeitado a todos vocês. Mensagem dada, vamos ao texto…

Certa vez Karl Heinrich Marx dissera que o caminho do inferno está pavimentado de boas intenções. Durante a vida, nos deparamos com inúmeras situações.

Procuramos as mais diferentes e variadas respostas para cada uma delas. Para chegarmos a uma conclusão, precisamos escolher a resposta que mais nos agrada e usá-la naquele momento.

Quando se iniciara uma nova era de pensadores após as Revoluções Puritana e Gloriosa, os filósofos não só criaram uma forma de juntar todo o conhecimento e torná-lo acessível a tudo e a todos, sendo que tal forma foi chamada de Enciclopédia, mas como também substituíram o, considerado por muitos como sendo desprezível, mercantilismo.

Tal forma de ideologia econômica fora pregada na Era dos Descobrimentos, favorecendo os reis absolutistas. A burguesia era uma das classes sociais que não se beneficiavam com o mercantilismo.

Ele era tão desprezível que o próprio Estado estimulava que seus navios atacassem os de outro país, para que lucrasse com os produtos roubados. O rei era um dos poucos que se beneficiavam com esta repugnante forma de economia. A burguesia nada mais é do que a classe social que vive do comércio. O capitalismo, assim como o Liberalismo Clássico, foi imposto como meio de permitir o livre comércio e assim favorecer, principalmente, a burguesia.

De uma forma ou de outra, com o mercantilismo ou com o capitalismo, uma grande parte da população continuaria pobre. Por isso, com base nos conhecimentos de Karl Marx e Friedrich Engels, criou-se o socialismo científico.

Este afirmava que o capitalismo não passa de uma forma de economia que foi imposta para substituir o mercantilismo e que também será substituído por outra ideologia econômica.

Quando William Feather afirmou que, por causa da propaganda, criou-se dois homens em um mesmo corpo: o homem que ele é e o homem que gostaria de ser, descobriu-se as consequências do fato de atualmente o capitalismo ter se tornado global com a queda da maioria dos países comunistas.

Não importa o modelo econômico, se um país é o mais desenvolvido do mundo, em uma determinada forma de economia, como os EUA, o mais desenvolvido país capitalista, ou a URSS, que, embora seja um Estado extinto, já foi o mais desenvolvido país socialista; ele sempre tentará se sobrepor sobre os demais. Isso se chama controle de mercado.

Se um país assume o controle total do mercado que segue seu modelo econômico, então tudo se resume ao Imperialismo. No final do século XIX para o início do século XX, uma das causas que levaria ao início da Primeira Guerra era o Imperialismo.

Cada nação deveria concorrer com todas as outras para conquistar um número maior de territórios e aumentar sua esfera de influência. Um dos motivos pelos quais ocorreu a queda do Império Britânico foi o fato de os ingleses jamais imaginarem que sua industrialização se expandisse para outros países, fazendo com que a Inglaterra ganhasse concorrentes e perdesse o controle total do mercado mundial.

O mundo gira ao redor da publicidade. A propaganda tem como objetivo, em poucas palavras, mostrar todos os recursos de uma determinada coisa. Por isso, a publicidade é a propaganda. A propaganda, porém, mostra apenas o lado bom da coisa.

Não faria muito sentido uma empresa divulgar um produto e na propagando colocar os lados ruins, junto com os bons, pois isso desestimularia a venda. Quando ligamos a televisão ou usamos computador, somos rodeados por propagandas dos mais variados serviços.

Tal como William Feather citou, criou-se, na sociedade, dois tipos diferentes de pessoas em um mesmo ser humano: a pessoa que ela é (tendo consciência de todas as suas condições), e a pessoa que ela gostaria de ser (todos os bens de consumo que ela gostaria de ter, mas não pode).

Tudo não passa de uma simples jogada de marketing. Muitos dos produtos atualmente, até mesmo computadores, não duram um ano sem que comecem a quebrar e se tornem inutilizáveis.

Contudo, não é uma questão tecnológica, pois, pense bem, porque no final do século XIX inventaram uma lâmpada que está há mais de cem anos acesa e hoje inventam lâmpadas que duram, em média, mil horas?

Isso significa que já possuímos tecnologia suficiente para criar computadores que duram até quinhentos anos, mas não vale a pena, pelo menos, para as empresas.

Para as empresas vale mais à pena criar um produto que não dura nem doze meses, do que um produto que dura centenas de anos. Isso porque você é obrigado a comprar um novo produto, fabricado pela mesma empresa, com o mesmo preço, que, provavelmente, vai parar de funcionar dentro de alguns meses.

Se você levar para o conserto, por exemplo, um produto eletrônico, é comum dizerem para você que não vale à pena consertar tal produto, o que o obriga a comprar um novo. Isso nos leva a conclusão de que até mesmo coisas como impressoras são fabricadas para pararem de funcionar em um determinado período de tempo.

Se nossa intenção não fosse satisfazer as empresas e sim a população, um simples computador dos anos 90 teria a capacidade de um computador fabricado em 2010, possuindo tecnologias ainda mais avançadas.

Porém, como a publicidade criou duas pessoas em um só ser humano, a pessoa que este ser é que se contenta com os produtos que já possui e que pode comprar, tendo consciência do quanto será necessário para comprar algo como, por exemplo, um carro novo.

Mas e a pessoa que este ser gostaria de se tornar? Nesse caso, ele deseja acumular dinheiro suficiente para conseguir comprar todos os produtos que vê nas propagandas. Isso cega à pessoa de tal forma que ela não vê o dano que está sendo causando.

As empresas jogam para esta pessoa, que deseja enriquecer, um produto, que ela, provavelmente, viu em alguma propaganda, mas que não dura nem um ano, e a faz usá-la, sabendo que ela está cega pela propaganda e pelo fato de ter dinheiro suficiente para comprar tal produto.

Um ponto que raramente é destacado é o impacto ambiental causado quando este produto, comprado por uma pessoa qualquer, cega pela propaganda, se torna inutilizável e não pode ser consertado.

Com isso, contribui-se para a poluição. Sem falar a exploração humana nas fábricas, devido às empresas sempre preferirem escolher, como mão de obra, alguém que não receba muito dinheiro, mas que seja “escravizado” para beneficiá-las.

Qualquer um que possui dinheiro suficiente para comprar qualquer coisa cegamente, ganha dívidas e as empresas se beneficia com a sua pobreza. Existe, porém, a relação entre o consumidor e quem fabricou o produto que o consumir comprou.

O fabricante entrega, em troca de dinheiro, o produto para o consumidor, de forma a beneficiar os dois. Conforme o fabricante acumula dinheiro, ele pode distribuir o mesmo produto para várias pessoas.

Um dos grandes problemas com isso é que, conforme o fabricante vai enriquecendo, outro aparece, com um produto parecido, alegando ter qualidade melhor, e tenta superá-lo, de forma a tomar o seu império econômico.

Se um dos fabricantes ganhar, o outro irá a falência e cairá na pobreza. Para que um fabricante supere o outro, ambos têm que montar indústrias que produzam cada vez mais.

O fabricante que possuir mais indústrias acaba tendo que contratar cada vez mais pessoas e gasta cada vez mais os recursos naturais de onde suas indústrias estão.

O problema é que se as indústrias já consumiram todos os recursos e já “escravizaram” toda a população do lugar onde estão, terão de se mudar para outro lugar, deixando para trás uma área devastada, poluída e uma população em decadência, ou cria mais indústrias que se instalam em outros lugares.

Não importa ambos os lados levarão à escassez de recursos e a crise em uma população “escravizada” pelo fabricante. Tudo porque as empresas se recusam a fabricar um produto que dure um longo período de tempo.

O dinheiro é colocado acima de todas as coisas. O acúmulo de capital se tornou mais importante do que o benefício da população. Mas se as empresas acumulam dinheiro e isso beneficia o país de onde elas provêm, o governo de tal país não gostaria que a população percebesse de tais crimes cometidos, o que levaria a uma revolta.

O governo tentaria reprimir tal manifestação, enviando tropas policiais para combater os revoltosos. Mas essa não é a única forma de um governo reprimir uma manifestação.

Toda organização, todo governo que vir uma revolta que vai contra os seus valores, tentará reprimi-la. Não só com violência, mas com uma forma bastante usada: a publicidade. O governo deseja pessoas “ignorantes”, não ignorantes ao ponto de não saberem avaliar e questionar algo, mas ignorantes ao ponto de não serem capazes de mostrar seus pontos negativos.

Inúmeras redes de televisão, que só funcionam por causa do dinheiro que recebem do governo, acabam sendo manipulados pelo próprio Estado. Por isso, elas evitam passar algo que questione os valores comuns da sociedade. 

Inúmeros países no passado já passaram por sistemas ditatoriais. Tais sistemas evitavam que o povo tivesse a liberdade de expressão. Se o povo fizesse uma crítica, mesmo que fosse simples, mostrando um lado negativo do governo, já seria reprimido.

O próprio George Orwell mostrou isso em sua obra literária: 1984, mostrando até onde o governo poderia ir para simplesmente impedir que alguém o criticasse.

Como grandes empresas estão sempre ligadas ao governo, elas jamais o questionariam. Por isso, a privacidade não existe, principalmente quando se trata de computadores.

Como atualmente o que mais ganha destaque no mercado é a informática, o meio mais utilizado pelo governo, ainda mais que a televisão, de alienar a população são os computadores.

Já fora provado inúmeras vezes que, se você utiliza o mundialmente conhecido navegador Google Chrome, a gigante Google tem acesso a todo o seu histórico.

Se você tem uma conta na Google e está conversando com um amigo seu pelo Gtalk sobre computadores, a Google envia para você um anúncio sobre uma loja de computadores. Também já foi descoberto que o, também gigante, Facebook permite com que a empresa criadora da rede social, a Facebook Inc., leia todo o histórico do seu navegador e seja capaz de ler todas as mensagens que você envia.

Não são só empresas que trabalham com a recente computação em nuvem (que armazena as suas informações, contando suas fotos e documentos, presentes em contas em sites como a ZOHO ou a Google), mas também empresas antigas como a Apple, foram criticadas quanto à questão privacidade. O mundo ficou chocado quando se descobriu que os dispositivos móveis fabricados pela Apple continham brechas de segurança que permitiam o governo indiano saber de tudo o que você fazia neles.

Não é só a Apple que entrega a privacidade de seus usuários, mas como a maioria das empresas. Tudo isso devido à existência do Carrier IQ, um programa que vem instalado na maioria dos celulares fabricados atualmente e que permite que as empresas que trabalham fabricantes de tais desportivos móveis saibam de tudo o que você faz no seu celular.

Mas por que elas fazem isso? Porque essas empresas que trabalham com computadores utilizam tais informações para determinar se você irá agir contra elas ou contra o governo. Se já estão inventando dispositivos para ler pensamentos, então quando tempo ainda falta para ocorrer uma nova ditadura?

Se perdermos toda a nossa privacidade, e se os governos são paranóicos ao ponto de evitar que qualquer coisa capaz de estimular uma revolta e fazer perceber que o governo não é perfeito, passe na televisão, então a situação só ficará pior.

Os EUA, com a queda da URSS, tiveram de compreender que ele perdera um concorrente, mas ganhara vários, devido à formação de um mundo multipolar. Se ele está perdendo espaço no mercado e influência política, então ele tomaria medidas desesperadas para não deixar de ser a superpotência mundial.

É frustrante para um governo como o dos EUA, que sempre teve o mundo à sua mercê, ver tudo isso ser perdido. Os EUA perderam grande quantidade de poder devido a duas crises econômicas que aconteceram em um pequeno período de tempo, sem contar que perdeu grande influência na política mundial com conflitos no Oriente Médio.

Todos esses fatores levaram à criação de teorias da conspiração que dizem que o “dono” do mundo tentará se reerguer em uma guerra, invadindo outros países e utilizando armas de controle populacional.

Mas, não se confunda. Existe o governo e a população. O governo tenta alienar a população para que ela se esqueça dos problemas do país passando imagens de que a vida é algo simples, sustentada por ele.

O Estado não deseja pessoas inteligentes que consigam questioná-lo, mas sim pessoas inteligentes que trabalham com as normas estabelecidas pelas regras sociais. Para o estado, seria mais benéfico ver pessoas experientes trabalhando com as normas estabelecidas, do que ver pessoas experientes criticando-o.

O Estado, através da publicidade, tenta agradar toda a população. Mas isso não é possível, pois não se pode agradar a todos. Existirá sempre um grupo de pessoas que não ficará satisfeita com as ações do Estado. Mas a interpretação é limitada. Do que adianta termos várias interpretações de uma mesma coisa, sendo que o importante é modificá-la? Assim como disse o grande filósofo Karl Marx.

No capitalismo, o importante é a luta de classes. A burguesia se favorecesse com o acúmulo de capitais enquanto a classe trabalhadora é a responsável pelos lucros, por ser a fabricante dos produtos. Existe o proletário (o dono), e o proletariado (os operários). Eles possuem interesses diferentes e por isso irão entrar sempre em conflito.

O capitalismo cairá devido à luta de classes. E o socialismo também devido ao Estado não ser capaz de manter uma população igual e com os mesmos recursos. O anarquismo defende uma sociedade sem governantes, sendo contra qualquer tipo de governo que não seja livremente aceito. Ele foi associado muitas vezes ao caos que se formou ao longo do século XIX para o século XX, quando ocorreram inúmeras revoltas.

O capitalismo fora criado para substituir o mercantilismo (tal como o liberalismo clássico), por filósofos do século XVIII. O socialismo foi criado por Karl Marx e Friedrich Engels como o substituto do capitalismo, enquanto o anarquismo fora criado por William Godwin (embora ele não tenha dado nome às suas teorias, ele foi um dos expoentes do utilitarismo, que se baseia no princípio do bem-estar máximo).

Embora o capitalismo tenha tido diferentes interpretações, sendo elas o Keynesianismo (procurando criar um sistema de pleno emprego) e o Neoliberalismo (que é uma redefinição do liberalismo clássico, criado durante o Iluminismo, que defendia as liberdades individuais, a igualdade perante a lei, a limitação constitucional do governo, o direito de propriedades, os direitos naturais, a proteção das liberdades civis e as restrições fiscais ao governo), todos sabemos que uma hora ele vai cair, na chamada Crise Capitalista, igual o socialismo que caiu na maioria do Bloco Comunista Soviético na chamada Crise Comunista.

Se a humanidade não quiser ver o mundo que construímos ruir, devido ao fato de já termos chegado a um momento crucial na História onde o modelo que diz que o homem deve ganhar dinheiro pisando nas pessoas não pode mais continuar, o dinheiro precisa ser eliminado. Pois se a humanidade se mata por um simples pedaço de papel, então não há mais dúvidas.

PS: O texto acima foi escrito originalmente para a escola. Abraços a todos, e até mais!

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