Monte a sua matéria: O incrível homem de aço #124

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O Incrível homem de aço

Por: Lucas Rodrigues

superman

As apostas eram altas, a expectativa dos fãs em ver o Superman se reinventar por completo nas telonas se concretizaram. Uma abordagem mais séria e mais próxima da realidade (isto explica a presença de Christopher Nolan na produção) foi de suma importância para que o herói se firmasse em sua jornada cinematográfica, uma jornada complicada, tendo como principais erros três filmes altamente equivocados.

Mas é como diz o ditado: quem vive de passado é museu. Vamos esquecer os filmes anteriores por um momento, e nos focar no presente, do Superman criado especialmente para os nossos tempos em um filme com singularidades que o diferencia de qualquer outro filme de super-herói, afinal de contas, O Homem de Aço é muito mais do que um simples filme de super-herói.
Classificá-lo como “mais um no meio de tantos outros” é um equívoco. Tratem-o como uma obra sci-fi cujo o principal dilema é sobre à procura de seu verdadeiro destino e sua difícil tarefa em se adequar ao mundo dos humanos.

Bem, a escolha da direção não poderia ser mais certa. Zack Snyder foi o escolhido para dar um novo rumo para o Superman nos cinemas, e conseguiu êxito no que diz respeito a criar um novo universo para o herói. Snyder criou sua própria mitologia para o Superman, distanciando-o de seu cânone, o qual teve origem nos quadrinhos, e o aproximando da realidade dando-nos a oportunidade de vermos como seria um Superman presente em nossa época e também as reações que o mesmo causaria na humanidade.

Como o diretor gosta de surpreender visualmente vimos um planeta Krypton diferenciado, com alguns detalhes que o fazem parecer um planeta de uma verdadeira raça alienígena inteligente. Há uma atmosfera medieval durante as cenas com Jor-el e Lara (os pais do bebê Kal-el) mas isto não causa interferência, o visual aparentemente medieval é apenas ilusório, mas faz lembrar do clima daquela época.

Russell Crowe em seu papel como Jor-el dá um show de atuação e brilhantismo. A tecnologia colossal de Krypton é o que completa este show, ela pode causar uma certa estranheza mas ainda sim merece destaque por estar conjunta aos efeitos especiais bem executados. Os animais kryptonianos lembram muito os de Avatar, talvez tenham sido inspirados nos do longa de James Cameron.

A estrutura não-linear do roteiro deu um impulso para o desenvolvimento do filme, proporcionando uma agilidade ao enredo, e os flashbacks são os principais responsáveis por essa “correria” que acontece durante o longa. No filme vemos um Clark Kent auto-exilado, à procura de respostas sobre a razão de ter sido enviado à Terra.

Nas cenas que antecedem a chegada de Zod (o grande vilão do filme) percebe-se alguns furos de roteiro, e mais outros que sucedem a vinda do general. São cortes tão rápidos e grotescos que fica a sensação de que há algo de importante aconteceu e não foi mostrado. Fica uma sensação de que se perdeu muito ao ver o que não foi exibido na tela.

Alguns elementos pertencentes ao cânone do personagem se mostraram inexistentes, como a kryptonita e a fortaleza da solidão. Ah claro, não podemos nos esquecer da cueca vermelha, este sim um item dispensável para o visual que o personagem exibe no longa, não fez nenhuma falta e não descaracterizou o herói. O motivo pelo qual a roupagem se mostra modificada e com um estilo bem alienígena se deve pela inspiração ao uniforme do herói nos Novos 52, uma espécie de reboot dos quadrinhos que a DC Comics realizou recentemente.

O vilão Zod foi interpretado com maestria pelo ator Michael Shannon. Michael encarnou o algoz de Kal-el brilhantemente, parecia até mesmo que o próprio Zod em pessoa estava na tela devido a tamanha semelhança que o ator tem com o personagem. Zod não é exatamente um vilão maníaco que age sem pensar, é apenas um dos sobreviventes da destruição de krypton que quer apenas a sobrevivência e a glória de seu povo, porém, suas atitudes exageradas acabam por transformá-lo e ser visto como um vilão, e ele exemplifica muito bem isto em uma frase dita no filme. Um antagonista justo para o Superman combater. Começar este filme com Lex Luthor seria um desperdício e ainda seria repetitivo, vide os filmes anteriores.

A segunda metade do longa dá lugar à ação, embalada por impactantes combates que nos levam a crer que é possível realizar uma adaptação decente do anime Dragon Ball Z. Justamente pelo excesso de destruição que O Homem de Aço é completamente o oposto de Superman Returns, de Bryan Singer (trilogia X-Men). No longa de Snyder há tudo o que os fãs queriam em Returns, o principal elemento que deixou a desejar na versão de Singer: a ação desenfreada. No entanto a ação de O Homem de Aço é pouco perceptível, as cenas são rápidas demais, apesar de barulhentas e impressionantemente exageradas (o slow motion característico do diretor cairia muito bem nesse reboot).

Uma personagem que rouba a cena durante as sequências de ação é Faora, interpretada pela atriz Antje Traue. Antje deu à personagem toda a fúria e o antagonismo necessários, apesar da atriz ter mais cara de Mulher-Maravilha do que a da fiel companheira de Zod. Alguns equívocos notórios merecem ser destacados, como o mal desenvolvimento dos personagens coadjuvantes importantes como Perry White (Laurence “Morpheus” Fishburne), Jenny Olsen (Rebecca Buller) e Dr. Hamilton (Richard Schiff). Foram tão sub-aproveitados e mal utilizados que deu dó.

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Entre erros e acertos, altos e baixos, o filme cumpre a promessa de mostrar um Superman perfeito para o século XXI e também conceitos filosóficos pertinentes. Henry Cavill fez uma atuação memorável (sem querer desmerecer o legado de Christopher Reeve) encarnando o herói de capa vermelha, que no longa ainda está imaturo e sua faceta heroíca ainda está sendo construída.

Amy Adams, a Lois Lane, atuou de forma aceitável mas a química entre ela e Cavill soou um pouco forçada. talvez isto melhore em futuras sequências. Kevin Costner e Diane Lane como Jonathan Kent e Martha Kent respectivamente fizeram um trabalho digno de Oscar interpretando os pais adotivos de Clark, e é uma pena o filme não ter sido indicado, poderia concorrer na categoria de melhores efeitos especiais.

Um ótimo recomeço cinematográfico para o Superman, um filme que não sai da mente e merece ser visto e revisto. E é neste filme que o universo DC dos cinemas começa de verdade, pois um universo foi criado e sua expansão nos fará ver que ainda existe esperança de testemunharmos um evento de super-heróis parecido com Os Vingadores… vocês devem saber muito bem do que eu tô falando.

Nota para o filme: 9,5 – Ótimo
Frases marcantes do filme:

“Tem que decidir que tipo de homem irá se tornar Clark… e seja lá quem ele for, bem ou mal, ele vai mudar o mundo.”

“Meu pai acreditava que se o mundo descobrisse quem eu sou… iriam me rejeitar, por medo. Ele estava convencido de que o mundo não estava pronto.”

“Você vai dar a eles um ideal para lutar. Vão perseguir você, irão fraquejar, irão cair. Mas com o tempo, eles vão acompanhá-lo ao sol. Com o tempo, você vai ajudá-los a realizar maravilhas.”

“Uma boa morte, é em si uma recompensa.”

“Você não vencerá, para cada humano que salvar mataremos um milhão deles.”

“As pessoas têm medo do que elas não entendem.”

Trailer:

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