O mistério do Sudário de Turim

O Sudário de Turim é uma das peças mais polêmicas da história da fé cristã, possuindo diversos defensores e um número semelhante de opositores dentro da própria crença. Mas será que esse pano é real ou apenas uma mentira bem contada?




O Sudário

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O Sudário, que algumas vezes é chamado de mortalha, nada mais é do que um pano onde, aparentemente, alguma pessoa com diversos ferimentos no corpo foi enrolada após a morte. Por algum motivo, alguém guardou aquela pano e o sangue, suor e as marcas corporais ficaram gravadas no linho. O passar dos anos deu um tom amarelado ao pedaço de pano, mas ainda era possível ver os traços da pessoa que foi enrolada com ele.

Durante muito tempo, a Igreja Católica guardou esse pano, sem nunca afirmar que ele era de Cristo, porém, foi em 1898, que tudo mudou e a mortalha chamou a atenção do mundo.

Após tirar uma foto do pano, o fotógrafo Secondo Pia levou o filme para a revelação (sim crianças, antigamente não existiam câmeras digitais e as fotos não eram impressas). Dentro de sua câmara escura, o fotógrafo descobriu que o negativo mostrava uma imagem muito mais clara do homem e ele se parecia demais com a imagem de Jesus adotada pelos católicos. Após essa descoberta, o Sudário de Turim ficou famoso no mundo inteiro, levando fiéis a atravessar o oceano para ver o pano onde o corpo de Jesus teria sido enrolado após a crucificação.

Durante 8 décadas, a Igreja Católica guardou sua nova relíquia, mas a necessidade de aprender mais sobre o pano, para que ele pudesse ser melhor guardado, fizeram com que o Sudário acabasse nas mãos da ciência, que prontamente começou um estudo aprofundado, que resolveria de uma vez por todas a questão: O Sudário de Turim foi o pano que cobriu Jesus após a crucificação?




Os testes

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O primeiro teste a ser conduzido no Sudário foi a datação por carbono 14. Para ele, três laboratórios distintos foram chamados, sendo eles: Universidade de Oxford, Universidade do Arizona e Instituto Federal de Tecnologia, na Suíça.

Os três testes apresentaram resultados semelhantes, que colocavam o Sudário como sendo do Século XIII ou XIV. Essa datação é interessante, pois foi por essa época que o Sudário fez sua primeira aparição oficial. Porém, muitas pessoas não aceitaram a validade dos testes, dizendo que ele poderia ter sido contaminado ou mesmo que o pedaço de material retirado para o exame era uma parte da Mortalha que havia sido remendada.

Especialistas em tecido também tiveram que dar seu parecer. No fim, todos concordaram que um tecido como aquele não poderia ser reparado sem deixar marcas visíveis, por isso a ideia de remendo foi descartada e a validade da datação continuou em pé.




Comparando Sudários

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Outra tentativa de validar o Sudário de Turim envolveu o Sudário de Oviedo, um pedaço de pano que supostamente cobriu a cabeça de Jesus. Mas essa mortalha também passou pelo teste de carbono 14, que revelou a idade dela como algo em torno de 1300 anos, muito nova para a época de Cristo. Além disso, essa datação é semelhante a data do primeiro aparecimento desse pano.

Contudo, uma coisa em comum foi encontrada entre as mortalhas: As duas tinham pólen de uma mesma flor, que é muito comum no Oriente Médio.




A imagem

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Outro problema com a Mortalha é a própria imagem em si. A face de Jesus com cabelo comprido e olhos azuis remonta a Idade Média, pois essa era a cara dos Europeus ricos na época onde houve aquele “boom” de pinturas religiosas pagas pelo Vaticano. Contudo, Jesus viveu há 2 mil anos e nasceu no Oriente Médio, por isso acredita-se que sua aparência seria mais similar ao um homem que nasceu por lá nessa época:

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As brigas

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Mas a luta pela falsificação e veracidade da Mortalha não parou por aí. Atualmente, existem pessoas, cientistas, cristãos e todo tipo de gente, com teorias dos dois lado.

Médicos defendem que o Sudário é anatomicamente muito correto, outros falam que existem discrepâncias extremas, como braços compridos demais e pedaços do corpo desproporcionais.

Existe também uma disputa quanto ao pigmento do tecido. Alguns pesquisadores afirmam ser sangue, outros dizem que, na verdade, aquilo vem de uma pintura, usando um determinado tipo de tinta.

E não para por aí, em cada um dos pontos estudados sobre o Sudário de Turim existem discordâncias. A verdade é que, enquanto novos estudos com o pano não forem feitos com as tecnologias modernas, as brigas vão continuar.

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