Memórias falsas de crimes podem parecer reais quando recontadas para outras pessoas

As falsas lembranças de cometer um crime podem parecer reais quando recontadas para outros, disseram os cientistas.

Pesquisadores da University College London descobriram que as pessoas não podem dizer se uma memória que é recontada por outra pessoa é falsa ou não.

Fake memories of crime can appear real when told to others, study claims Holding on to the bars... for a very long time.

A equipe disse que as descobertas, publicadas na revista Frontiers in Psychology, demonstram que manipular memórias parece ser mais fácil do que se pensava.

A autora do estudo, Dra. Julia Shaw, da UCL Psychology & Language Sciences, disse: Profissionais jurídicos e policiais precisam entender como é fácil manipular as memórias de alguém.

“Os juízes, em particular, nunca devem assumir que sabem quando alguém tem uma memória falsa e devem considerar todo o processo para verificar se havia algum risco de contaminação das memórias de um réu ou testemunha.”

O estudo baseia-se em pesquisas anteriores de 2015 onde a Dra. Shaw e sua equipe conseguiram implantar memórias falsas de cometer um crime em seus sujeitos de teste usando uma combinação de perguntas principais, táticas sugestivas e técnicas de visualização.

Para a pesquisa atual, a equipe mostrou os vídeos do estudo de 2015, onde os sujeitos do teste relataram falsas memórias de um crime que eles acreditavam ser real, para um novo grupo de participantes.

Quando perguntados se a pessoa estava descrevendo o crime que realmente aconteceu ou não, os participantes foram apenas 53% precisos com suas respostas, indicando que não eram melhores em identificar falsas lembranças de cometer um crime do que as reais.

Os participantes têm a mesma probabilidade de assistir alguém recontar uma memória genuína e identificá-la incorretamente como falsa, além de acreditarem erroneamente que falsas memórias são verdadeiras, disseram os pesquisadores.

Shaw acrescentou: ‘Todo mundo pensa que não poderia ser enganado a acreditar que fez algo que nunca fez e que, se alguém lhes dissesse sobre uma memória falsa, seria capaz de identificá-la.

“Mas descobrimos que, na verdade, as pessoas tendem a ser bastante suscetíveis a ter falsas memórias, e elas soam como memórias reais.”

Ela disse que o estudo atual mostra a importância de garantir que os procedimentos criminais sejam realizados corretamente.

Shaw acrescentou: “O processo de interrogatório deve ser baseado em evidências, para reduzir o risco de implantar falsas memória sem pessoas sendo interrogadas pela polícia”.

Traduzido e adaptado por equipe Minilua
Fonte: Metro