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Formas que a religião levou aos maus tratos aos animais #4

Maus tratos aos animais é considerado uma das mais baixas e mais cruéis coisas que qualquer ser humano pode fazer. Em alguns casos, a religião e a superstição têm desempenhado um papel central em conduzir a humanidade para causar um grande dano a criaturas indefesas grandes e pequenas.

Aviso: Esta postagem contém fotos que podem ser perturbadoras para alguns leitores.

Tortura de cães para Hécate

O sacrifício e tortura de cães era muito difundido na antiguidade, e podem ser encontradas em muitas regiões do mundo, incluindo a Grécia, China e nas Américas, entre os índios das planícies. Foi na Grécia, no entanto, que a prática foi mais fortemente envolvida.

Tudo tinha a ver com a deusa Hecate, que está associada à morte, fantasmas, espíritos infernais, bruxaria, doença e etc. Nos tempos modernos, ela é reivindicada como a deusa das bruxas. Os cães foram intimamente associados com Hecate no mundo clássico, e ela é normalmente representada acompanhada por dois cães fantasmagóricos. A presença de Hecate é normalmente anunciada pelos latidos ou uivos de cães, que também é utilizado para significar que algo ruim está prestes a acontecer.

Hécate era muito mais temida do que reverenciada. Por esta razão, muitos cães foram sacrificados. A idéia por trás de matar um cão para um ritual era rejeitar a má influência de Hecate, e, assim, restaurar a pureza e bem-estar para a comunidade.

O sacrifício de cães para Hecate era feito dessa forma: penduravam cães muitas vezes em uma ponte, ou lugares altos e espetaculares para se certificarem de que a deusa estava dando atenção. Normalmente uma longa corda era esticada em cima de dois postes de madeira. A corda era dobrada e torcida, de forma que o animal agonizava até seu pescoço ser quebrado pela corda torcida. O corpo do cachorro era lançado para terminar o ritual.

Com o advento do cristianismo esta prática não terminou, mas tornou-se parte do um novo calendário de eventos religiosos na Grécia.  A prática continuou até 1930, quando denúncias de crueldade contra os animais trouxe um fim a prática.

Na Hungria e na Bulgária cães foram sacrificados rotineiramente na era moderna. Estes sacrifícios eram frequentemente associados com a construção de novos edifícios. Filhotes eram colocados em urnas lacradas e enterrados ao lado da fundação da estrutura para evitar todos os males normalmente associados a Hecate. Mais uma vez o advento do cristianismo teve pouco efeito sobre essa prática pagã, e as urnas contendo os restos mortais de um filhote de cachorro podem ser encontradas mesmo nas igrejas.

Na Bulgária, a prática foi modificada para que os cães não morram no processo. O mesmo mecanismo usado para girar os cães até morte na Grécia foi usado, no entanto, em vez de a corda ser colocada em torno do pescoço do cão, era colocada ao redor do corpo do cão. Além disso, o mecanismo de cordas agora era usado sobre um rio, já que acreditavam na idéia de que as bruxas, diabos e demônios não podem cruzar água corrente. Embora os animais não morriam, os cães eram claramente aterrorizados e torturados. Esse ritual foi feito até 2006, quando ativistas levaram a situação para a imprensa e a cerimônia foi proibida.

Infelizmente, em tempos de estresse e incerteza, os seres humanos tendem a regredir e voltar para o conforto dos supersticiosos comportamentos e rituais. Assim, o prefeito de Brodilovo, Petko Arnaudov, reiniciou o costume em 2011. Ele explicou que a tradição foi renovada porque os aldeões estavam “à procura de esperança na economia, que andava muito mal” e por causa de um surto recente de febre que trouxe a agricultura da cidade à beira do desespero. “Ninguém está matando ou ferindo os cães. Eles são trazidos por seus proprietários que os amam, a fim de participar deste ritual folclore, que se destina a limpar a comunidade local do mal e para gerar a fertilidade. Os cães são girados por cerca de 15-20 segundos, e então eles caem na água”.

Quando esta notícia da volta dos rituais com cães saiu, houve um tumulto imediato. Ativistas dos direitos dos animais começaram a criar campanhas no Facebook para proibir a prática. Como resultado, o governo aprovou uma lei obrigando os moradores a “suavizar” a prática. Para garantir que os moradores mantivessem com as novas orientações, os membros de um grupo de ativistas guardavam as margens do Rio na data prevista para o ritual.

Um porta-voz do prefeito da cidade disse: “Não é o ideal, mas é melhor do que era. Algumas dessas tradições criaram raízes ao longo de centenas de anos. Você não pode alterá-las do dia para a noite. Você não pode parar um costume tradicional com uma ordem simples. “

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