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Existe algum Hodor na vida real?

Todo fã de Game Of Thrones conhece o personagem Hodor e sua principal característica, pronunciar apenas uma palavra pra todas as perguntas: Seu nome, Hodor.

Mas é possível que isso aconteça fora da ficção? E Porque isso acontece?

O primeiro caso a ser estudado com este tipo de comportamento ficou famoso na história por ajudar os cientistas a descobrirem a região do cérebro responsável pela linguagem.

Monsieur Louis Leborgne era um artesão francês que lutou contra a epilepsia durante toda a sua vida. Em 1840, Leborgne foi internado no Hospital Bicêtre, perto de Paris, por afasia, e incapacidade de falar. Mas foi apenas em 1861 que o médico francês Paul Broca descobriu e se interessou pelo caso do paciente que podia pronunciar apenas uma palavra.

Broca examinou e estudou Leborgne por um longo tempo. E acabou descobrindo que, embora ele tivesse mantido algumas de suas faculdades mentais intactas, como, por exemplo, sua capacidade de lidar com números, de indicar o tempo e de compreender perguntas, Leborgne só podia responder a tudo com apenas uma palavra: Tan. O “semi-mudo” conseguia usar entonações diferentes e utilizava gestos para ajudar na interpretação do que estava dizendo, mas essa era toda a sua capacidade de fala. Muitas vezes, Leborgne usava sua única palavra de maneira repetida – Tan, Tan – para expressar coisas, como sim ou não.

Após a morte do paciente “tan tan”, como ficou conhecido, Broca realizou uma autópsia em seu cérebro e percebeu algumas lesões localizadas em uma certa região, que hoje é conhecida como “área de Broca”, em homenagem ao médico. Essa seção que corresponde aproximadamente às áreas de Brodmann 44 e 45.

Alguns meses depois, o médico se deparou com outro paciente que tinha características parecidas com as de Leborgne, seu nome era Lazare Lelong.

Lelong tinha 84 anos e também havia perdido grande parte da capacidade de fala, porém ele podia pronunciar 5 palavras, em vez de uma: Sim, não, sempre, três (que ele usava para se referir a números) e Lelo (sua tentativa de dizer seu próprio nome).

Quando Lelong morreu, Broca também autopsiou seu cérebro e percebeu que ele tinha lesões nas mesmas regiões que havia encontrado em Leborgne.

 Foi então que, o que era apenas uma suspeita, se tornou uma certeza. A região do cérebro que corresponde a nossa capacidade de fala tinha sido localizada, revelando o exato lugar responsável por nossa habilidade de usar e formar sons. Essa mesma descoberta ajudou a mostrar que a região do cérebro responsável pela fala não é a mesma que trabalha na compreensão do que é ouvido. Ou seja, uma pessoa pode entender uma pergunta, mas seu cérebro pode ter sido danificado de tal forma que ela não consegue formar uma palavra que faça sentindo para sua resposta, exatamente como acontece com Hodor.