Erros inevitáveis cometidos por não-leitores de quadrinhos

Você tem um amigo que ainda está esperando o Superman aparecer nos Vingadores? Você é zoado na escola/trabalho/faculdade por ler HQ? Sim, existem algumas coisas bem comuns que fazem parte do cotidiano dessa massa não-leitora de quadrinhos mas que vivem parte de suas vidas imersas no mundo dos super-heróis, pois foram influenciados pela mídia que trouxera nada mais nada menos que dezenas de filmes e séries do tipo.




1 - Confundir as grandes editoras

É um grande clássico.

Aquele seu velho amigo ainda insiste em perguntar onde está o Batman em Vingadores: Era de Ultron? Que tal o Superman lutando contra aquele cara roxo que aparece no pós-créditos? Apesar da definição entre a Marvel e a DC ter ficado mais clara nos últimos anos devido ao apelo do Universo Cinematográfico, é comum ver um ou outro desavisado cometendo erros crassos vez ou outra, até pelo fato de estar no imaginário popular a junção de grandes heróis como Homem-Aranha e Batman em encontros.

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2 - Subestimar alguns personagens e superestimar outros

Existe um certo fascínio entre não-leitores e leitores em exaltar certos personagens e diminuir outros pela sua sua aparência ou características.

Exemplo? O Batman se tornou um “meme” nos últimos anos, o “preparo” - argumento tão insaciavelmente usado por parte de seus fãs - virou alvo de piadas e o personagem que carrega uma imensa legião de fãs, hoje também carrega um público que julga qualquer fã do Batman por “modinha” ou “fanboy”. E existe palavra pior do que “MODINHA”?

Outro exemplo prático é o Capitão América. Por carregar o nome de sua nação e vestir a bandeira, Steve Rogers é incansavelmente taxado de imperialista, fantoche do governo e esses clichês.

O Superman? Por representar toda a ideia de heroísmo puro, altruísmo e bondade, é considerado chato e ultrapassado por muita gente que não o conhece, mas sabemos que não é bem assim.

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3 - "Super-herói sem uniforme não é super-herói de verdade"

Graças às Eras de Ouro e de Prata nos quadrinhos, o conceito visual dos super-heróis ficou bastante estereotipado: colante, capas e muita cor.

Essa é a imagem primária de um super-herói que vem a mente de qualquer um, mas na verdade existem heróis de todos os gostos e formas. Luke Cage por exemplo, é um Vingador e não usa nada mais do que uma camiseta e uma calça jeans para bater em quem for preciso.

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4 - Pensar que HQ's são apenas sobre super-heróis

Vivemos em uma época onde vemos adaptações de quadrinhos o tempo inteiro e alguns sequer imaginam isso. Séries como The Walking Dead e filmes como Estrada Para Perdição são uma boa prova que nem sempre as pessoas sabem que estão vendo algo que originalmente era um gibi. Além do mais, a qualidade de histórias em quadrinhos nos últimos anos se encontra muito mais fora do âmbito de super-heróis do que dentro.

HQ’s como Saga e The Wicked + The Divine e Sex Criminals da Image Comics chamam mais atenção pelo conjunto narrativa e arte do que quase todos os títulos atuais de Marvel e DC.

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5 - Pensar que a DC é só trevas, escuridão, coisa pra adulto e a Marvel é apenas amor, alegria, piadas bestas, Mickey Mouse.

O impacto causado pelos filmes de super-heróis desde o Batman de Christopher Nolan e o Homem de Ferro da Marvel Studios praticamente moldou o conceito que o grande público tem das duas empresas nos dias atuais. Hoje, as pessoas pensam que as histórias da Marvel são um eterno mar de felicidade, alegria e falsos perigosos enquanto a DC Comics é mergulhada nas trevas e melancolia. Bom, ambas as editoras possuem suas próprias características, mas nenhuma delas é monocromática. A Marvel consegue sim ser leve e divertida com heróis como o Homem-Aranha e a nova Ms. Marvel, mas consegue estabelecer um clima mais pesado e sério como os Vingadores do Hickman (atuais) e até épico com o Thor de Jason Aaron. Falando em Vingadores, a equipe hoje em dia possui um tom muito mais sério do que possuía há 4 anos atrás, quando era escrita por Brian Michael Bendis, especialista em fazer a equipe interagir de forma engraçada e rechear as histórias de diálogos espertos.

A DC é a mesma coisa, consegue estabelecer uma didática para o Batman e outra completamente diferente para o Flash por exemplo. É tudo questão de quem escreve e do ambiente em que o herói se encontra.

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6 - Desconhecer a noção de legado ou título e, por isso, confundir muitos personagens

“Batman é Bruce Wayne” “Homem-Aranha é Peter Parker” “Flash é Barry Allen”

Todas as sentenças estão corretas, mas existem OUTRO Batman, OUTRO Homem-Aranha e OUTRO Flash.

Existe algo de errado nisso? Não.

Personagens de histórias em quadrinhos da Marvel e da DC existem há 70, 60, 50 anos. São personagens que já foram escritos das mais diversas maneiras e, vez ou outra, precisam descansar. Barry Allen, o Flash da Era de Prata e fundador da Liga da Justiça, voltou a ser popular nos últimos anos com o advento dos Novos 52 e a recente série televisiva, mas até pouco tempo atrás, a imagem do Flash que as pessoas tinham era do ruivo Wally West, esse mesmo, que víamos no desenho da Liga que passava no SBT todo dia antes da escola. Barry estava morto desde os anos 80 e Wally o substituiu de forma grandiosa por quase três décadas como o Flash principal da editora, sendo o único Flash para uma geração inteira de leitores!

Recentemente, Peter Parker do Universo Ultimate morreu (já voltou, relaxa) e foi substituído por um menino chamado Miles Morales. Isso é errado? Não. O manto de Peter naquele universo foi passado para frente. Peter Parker sempre será o Homem-Aranha, mas isso não quer dizer que ninguém mais possa ser.

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7 - "Batman do Nolan é o Batman dos quadrinhos, Heath Ledger era o Coringa em pessoa e jamais será superado"

O que Christopher Nolan fez aos filmes de super-heróis é inesquecível e deve ser respeitado. O diretor atribuiu maturidade em um gênero que até então não era visto com tanta seriedade, e não poderia ter escolhido personagem melhor para a empreitada.

A Trilogia do Cavaleiro das Trevas é excelente, o problema é torná-la imune à críticas.

Não é difícil ver em qualquer fórum de discussão (ou aqui mesmo nos comentários) pessoas que tratem a obra como algo intocável, que defendam essa interpretação como o Batman legítimo e tratem Heath Ledger como algo a ser canonizado.

Ledger foi excelente, uma performance memorável para o Coringa daquele contexto. Mas isso não quer dizer que tenha sido precisamente igual ao material fonte, porque não foi. E isso não quer dizer que foi ruim, pelo contrário, o grande problema é atribuir à obra uma característica que não a pertence.

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8 - "Só criança lê quadrinho"

Nem é, mamãe!

Quadrinhos deixaram de ser material exclusivamente infantil (apesar deste ainda ser o público alvo) há muito tempo.

A vinda de escritores britânicos como Alan Moore e Neil Gaiman ao mercado em meados dos anos 80 mudou completamente a visão que se tinha das histórias em quadrinhos. Elas passaram a ser utilizadas para discutir temas como filosofia, política, pobreza, criminalidade entre tantas coisas. Existem quadrinhos, e não são poucos, até hoje no mercado que são direcionados a um público mais adulto.

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9 - "Quadrinho é coisa de adulto, filme é pra moleque"

Geralmente quem fala isso não é o cara que lê, mas sim o cara que finge ler para tentar ser o “diferentão”.

Continuando o que falei no item anterior, existem HQ’s com temáticas mais complexas, mas é de um pedantismo sem tamanho afirmar que HQ é coisa só para adulto com o intuito de tentar desmerecer quem só vê os filmes. É óbvio que quadrinhos são, originalmente e em sua maior parte para um público infanto-juvenil, não é algo que apresente sinais de mudança e isso não coloca quem apenas vê os filmes abaixo de ninguém.

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10 - Se achar menos fã ou inferior a alguém que lê HQ

É uma mania chata e inconveniente de parte dos leitores de quadrinhos acharem que são melhores que os outros porque leem alguns gibis. E o pior de tudo é que a grande massa, essa que só consome os filmes e ama os personagens pela mídia em que lhes são apresentados, fica intimidada em adentrar nesse mundo dos quadrinhos pela pressão que essa comunidade “nerd” exerce em quem está começando.

Meus queridos, vocês não são menos fãs do que outros só porque gostam dos filmes, não existe nada de errado em gostar da versão cinematográfica de algo. Se for procurar algo para ler e se aprofundar ainda mais nesse universo, ótimo, melhor para você e para todos, mas não se preocupe. E eu te prometo que ninguém vai te morder.

Fonte: Legião dos Heróis

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