A doença que quase exterminou a humanidade

Nossa espécie vem sobrevivendo há milhares de anos. No passado mais distante, os primeiros humanos venceram os perigos de viver na savana, depois aguentaram as mudanças climáticas e, por fim, conseguimos chegar a “Era de Ouro da Humanidade”. Uma época onde a agricultura possibilitou a criação de cidades e um conforto maior, deixando as preocupações com a fome e os predadores de lado.

Mas esse novo tempo, cheio de pessoas vivendo em espaços pequenos, trouxe um novo perigo para o futuro da humanidade: Epidemias.




A Idade Negra

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Máscara usada por médicos durante a crise da Peste Negra.

No início do Século XIV, o Ocidente já possuía uma comunicação direta com o Oriente, graças ao comércio das mais variadas especiarias. Era muito comum que sempre houvessem barcos e caravanas de regiões distantes chegando na Europa para vender seus produtos, assim como para comprar outras coisas, que seriam vendidas na viajem de retorno.

Tudo ia bem, até que uma estranha doença começou a se espalhar por volta de 1346. As pessoas que eram infectadas sofriam tanto e morriam em quantidades tão grandes, que todos pensavam que o Apocalipse tinha começado e que Deus estava furioso com a humanidade, mas, na verdade, o mesmo comércio que trouxe a prosperidade para a Europa, trouxe a morte negra…




Peste bubônica

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A peste bubônica, mais conhecida como peste negra, surgiu no Oriente, onde os primeiros casos foram registrados. A doença acabou chegando ao Velho Mundo de barco, carregada pelos ratos e suas pulgas.

A peste era transmitida pela mordida das pulgas que se criavam nos ratos. Como na época ainda não existiam sistemas de esgoto nas cidades e muitos dos dejetos humanos e sujeiras acabavam sendo jogados em qualquer lugar, o cenário perfeito para a reprodução dos ratos e, consequentemente, de suas pulgas estava criado.

O início da infecção europeia foi no leste, onde hoje se encontra a Ucrânia. Depois dali, em pouco menos de três anos, toda a Europa tinha a Peste, com pessoas morrendo em todos os cantos.

A Epidemia foi tão poderosa que, em seu ápice, morriam 7 mil pessoas por dia. No total, acredita-se que mais de um terço de toda a população Europeia tenha sucumbido diante a Peste, deixando 75 milhões de pessoas mortas em poucos anos.

Algumas cidades, como Paris, que antes da praga tinha 100 mil habitantes, acabou saindo dessa tragédia com metade desse número. A cidade de Florença, que chegou a ter 120 mil habitantes, tinha pouco mais de 40 mil após a passagem da peste.




Religião e a peste

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Na Idade Média, a religião católica era “dona da Europa”. Durante a crise da Peste Negra, ela ajudou a criar diversos mitos, que deixaram a situação ainda pior. Os religiosos acreditavam que a praga era uma punição divina, mas como ninguém gosta de assumir a culpa, diversos grupos acabaram sofrendo com os ataques dos católicos (brancos e ricos).

O primeiro grupo a ser dizimado foram os leprosos e pessoas com espinhas e acnes. Por algum motivo, os religiosos achavam que eles eram os culpados pela doença e os mataram aos milhares, esperando que uma cura divina caísse do céu.

Depois foi a vez dos judeus, também perseguidos e mortos. Os mendigos também foram culpados em algum momento. Como ninguém entedia o modo pelo qual a doença se espalhava, as pessoas achavam que só a ira de Deus poderia explicar aquela peste terrível:




Os sintomas da peste

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O primeiro sintoma da doença é o inchaço das glândulas linfáticas, pois é lá que a bactéria se instala e inicia sua reprodução. Depois surge a febre, calafrios, dores nos membros e convulsões. Em estágios mais avançados, a doença faz a pessoa vomitar sangue e ter dificuldades de respirar. Porém, o pior sintoma de todos é o que dá nome a peste.

Essa doença, que ficou conhecida como a Peste Negra, tem esse nome, pois faz com que partes do corpo, principalmente as extremidades, fiquem negras. Isso ocorre porque o corpo está literalmente apodrecendo com a pessoa viva.

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Após o surgimento dessas manchas, a taxa de sobrevivência sem tratamento fica em torno de apenas 25% e caso a peste chegue aos pulmões, mesmo com todo o tratamento moderno, a chance de morte fica acima dos 15%.

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