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Dançarinos de ballet queimados do sec XIX: Conto público trágico ou sinistro?

Dançarinos de balé são freqüentemente considerados mais afetados por sua arte do que qualquer outro indivíduo da prática artística.

No entanto, em meados do final do século XIX, havia uma parte ainda mais perigosa de ser bailarina: as lâmpadas de gás que ladeavam o palco podiam pegar a saia de filme de um tutu e incendiar a dançarina!

O “HOLOCAUSTA DE DANÇARINOS DE BALÉ” (E O QUE PODERIA FAZER PARA EVITÁ-LO)

O termo na verdade foi usado para descrever a morte de vários dançarinos que sofreram acidentes trágicos no palco.

Talvez a dançarina mais famosa que perdeu a vida dessa maneira tenha sido Emma Livry, que estava ensaiando La muette de Portici em Paris e afofando a saia perto de uma lâmpada de gás, fazendo-a pegar fogo.

Ela morreu mais de um ano depois de complicações das queimaduras que sofreu. Alguns dançarinos tiveram a sorte de simplesmente sofrer pequenas queimaduras e voltar a dançar depois, mas outros não tiveram a mesma sorte.

Essas mortes poderiam ter sido evitadas, tornando-as ainda mais trágicas. Um decreto imperial em Paris foi estabelecido em 1859, segundo o qual as roupas devem ser carteronizadas – imersas em um composto químico conhecido como alume para protegê-las de pegar fogo. Isso, no entanto, fez com que os trajes parecessem sombrios, rígidos e difíceis de se movimentar, e é por isso que muitos bailarinos se recusaram a usar a solução.

Quem era o culpado?

Por um lado, os próprios bailarinos se recusavam a carteronizar suas fantasias, afirmando que queriam dançar da melhor maneira possível para agradar o público. Emma Livry foi uma das críticas mais inflexíveis do decreto, afirmando em uma carta ao diretor da Ópera de Paris:

“Insisto, senhor, em dançar nas primeiras apresentações do balé na minha saia de balé comum”.

Muitos historiadores apontam a natureza interessante dessa dissensão, especialmente porque ela marca uma diferença definitiva entre o velho mundo do balé, onde os dançarinos detinham mais poder, e o novo, onde o poder está principalmente nas mãos dos diretores.

Alguns até afirmam que os frequentes ferimentos e mortes de bailarinos nessa época foram um dos catalisadores dessa mudança, despojando essas mulheres de sua capacidade de recusar certos aspectos do trabalho e colocando-o nas mãos daqueles que tinham uma visão mais ampla em mente.

No entanto, há outra teoria que os próprios dançarinos não eram os culpados. Após a morte de Livry, novas medidas de segurança foram criadas, como armações de arame para lâmpadas de gás e saias de balé à prova de fogo. Muitos questionam por que essas mudanças não foram implementadas anos antes, o que teria impedido várias mortes trágicas.

Afinal, a criação de materiais à prova de fogo (incluindo argila, gesso e até mesmo roupas) já estava em andamento nos cinemas desde meados dos anos 1600, e outras mudanças fáceis (como colocar cobertores à prova de fogo nas asas) demoravam muito para tornar-se implementado.

De fato, alguns historiadores acreditam que a possibilidade de uma bailarina pegar fogo era excitante demais para os gerentes e diretores deixarem passar, especialmente quando isso adicionava uma sensação real de perigo a cada apresentação.

Era possível evitar todo o holocausto de bailarinas? Em caso afirmativo, a culpa recai sobre os dançarinos dispostos a arriscar a morte pela beleza de sua arte ou sobre os promotores, diretores e outros homens que deveriam tê-los protegido, mas viram muitas oportunidades de reivindicar dinheiro e poder adicionais no caso de suas mortes em potencial?

Traduzido e adaptado por equipe Minilua
Fonte: Ripleys