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Creepypasta – A Usurpadora da Felicidade

E lembrando mais uma vez, que todos podem participar. Se preferir, encaminhe desenhos, matérias ou contos. O e-mail de contato, claro: Jeff.gothic@gmail.com! A todos, uma excelente leitura!

Creepypasta – A Usurpadora da Felicidade

Por: Amanda Menezes

21/10/2011  

Laura estava pronta. O dia de ir para sua nova casa e abandonar aquele horrível orfanato chegara depois de tanta espera. Ela sabia que ficaria pouco tempo com sua “amada” família, mas saber que ficaria um pouco longe daquele local seria agradável. Talvez pudesse demorar um pouco. “Não, depois pesa para o meu lado. Ela não vai gostar.”

– Vamos, querida! – Dizia a monitora de voz doce e corpo gordo. Ela achava que o “trauma” de perder a família cinco vezes toda vez que chegava a conhecer a mesma havia mexido com a cabeça da menina.

– Olá! – Disse a nova mãe, uma linda mulher de cabelos loiros. – Como você está querida?

– O meu nome é Laura.  – Disse a menina. A mãe não ligou, ela só tinha 9 anos de idade, aquilo acabaria com o tempo.

O novo pai esperava no carro e cumprimentou a menina, que arrogantemente se apresentou.

– Laura? – Disse uma voz em sua cabeça.

– O que? – Sussurrou no banco de trás para que ninguém escutasse.

– Seja simpática.

– O que vou ganhar com isso? Eles vão morrer como todos os outros. – Indagou, ainda sussurrando.

– Se você fizer direito estará livre. Isto é, há crianças lá, deixe-me um substituto.

– Crianças? Ah, está bem… -Desta vez disse mais alto, então os pais escutaram.

– Ora querida, temos filhos, sim. Um menino e uma menina. James e Cinthia. – Disse a mulher.

– Qual é o mais novo? – Perguntou a menina, em tom de curiosidade. Ela disse que tinha que ser novo, pensou ela.

– James, ele tem cinco anos. – Respondeu o pai, estacionando a enorme van entre dois grandes carvalhos, em frente à casa temporária de Laura. Havia folhas secas pelo chão. Agora quero ir o mais rápido o possível, pensou a menina.

James veio correndo até os pais dando um abraço nos dois. Em seguida olhou para Laura.

– Ela é minha nova irmã? – Perguntou, com os olhinhos azuis brilhando e as bochechas cada vez mais vermelhas por conta do vento.

– Claro! – Disse a mãe.

– O meu nome é Laura. Vamos, brincar? – Disse a menina, mais simpática do que antes. Se ele era o único que sobreviveria, ela precisava ganhar sua confiança, afinal ele veria a morte da família.

– Parece que ela está começando a se soltar. – Disse o pai.

Quando entraram na casa o menino correu para apresentar Cinthia, que estava fixa na televisão.

– Ela tem 10 anos!  – disse o garoto, animado.

-Oi! – Cumprimentou Laura, ainda simpática. Cinthia não gostou da ideia.

-Oi. – Disse friamente, tornando a olhar para a televisão.

– Vamos, brincar juntos lá no quintal? – Perguntou Laura.

– Não. – Disse a menina, olhando para o desenho que estava assistindo.

– “Não ligue para ela”, disse James, “Ela é chata assim mesmo! Venha você ainda não viu seu quarto!”  – disse, puxando carinhosamente Laura até o andar de cima. Enquanto isso, os pais chegaram e o pai perguntou para Cinthia:

– E aí? Conversaram?

-Eu disse que não me daria bem com ela. – disse Cinthia, friamente desligando a televisão e indo para seu quarto.

O quarto era, na visão de Laura, perfeito. Havia ursinhos de pelúcia, um abajur, bonecas e uma caixinha de música. Por um momento a menina lembrou que ainda era só uma criança, mas teve seus pensamentos interrompidos pela voz. “Pare com isso. São só mais alguns e você estará livre.” disse sua dona.

Os novos pais apareceram na porta:

– E aí? Gostou? – Perguntou o pai.

– É perfeito! – Disse, sorrindo.

A menina então passou o dia brincando e pela primeira vez em anos ela estava se divertindo. Ela pela primeira vez quis deixar de fazer o que a criatura mandava. “Pare com isso!”, dizia a criatura, “obedeça sua dona, caso contrário, será o SEU sangue que eu usarei!”.

Hora do jantar. A menina comia enquanto pensava que a primeira a dormir seria Cinthia, pois estava deixando-a irritada como nunca estivera antes. Ela a tratava mal, mesmo na presença dos pais. Já estava passando dos limites. Ela iria ter sua breve vingança.

Laura esperou todos dormirem para atacar. “Quero aos poucos, caso contrário não terei nenhum prazer.” dizia a voz da criatura. Agora ela cuidava para que não fosse presa e vivia escondida no submundo. O único jeito de se alimentar era arrumar alguém que faria isso por ela. Ela acabaria fazendo um escândalo se fosse descoberta, e chamaria demais a atenção.

É claro que seus escravos não sabiam e nem queriam saber. Seu único interesse era ser livre. Agora, Laura preparava a voz que mais tarde doparia Cinthia e não deixaria a mesma fazer escândalo. Em passos lentos, ela caminhou calmamente até o quarto de sua irmã mais velha e abriu a porta.

A luz do lado de fora acordou Cinthia.

– An…?O que…?

-Shhh!-Sussurrou Laura, colocando a mão para tapar a boca de Cinthia. -Durma. Laura hipnotizou Cinthia, – Esse dom que ela me deu facilita as coisas.

Cinthia ainda sentia dor, mas não podia fazer nada. Ela iria agonizar. Laura pegou uma faca e fez um corte no pulso de Cinthia. O sangue quente e vivo da menina escorria até um frasco na mão de Laura. Ela já era acostumada, então não tinha pena. Era a sexta vez que fazia isso. Encheu três frascos, vendo Cinthia morrer. As últimas gotas não poderiam ser pegas, a menina já estaria morta antes do sangue acabar. De algum modo, sua dona via tudo o que acontecia, por isso, quem se encrencaria seria Laura.

– Durma com os anjos, irmãzinha.

No espelho do quarto de Cinthia apareceu um portal onde a vampira esperava, esticando a mão para pegar os frascos. Laura lavou a faca, guardou-a e voltou para a sua cama como se nada, absolutamente nada tivesse acontecido.

Pela manhã seus pais entraram em pânico, acordando a todos. Laura fingiu-se de triste, abraçando seu sucessor, James. O velório fora breve e, durante o mesmo, a menina chorou. Seus olhos ficaram vermelhos, assim como suas bochechas. Seu cabelo castanho e liso molhava com as lágrimas de falsidade. “A experiência me safa.” pensou ela.

– É tudo culpa minha. – Disse Laura, ao chegar do enterro. Toda vez é assim. Eu sou má.

– Não, querida, não foi culpa sua. Foi… Uma fatalidade. – Respondeu o pai.

– Crianças, vão brincar um pouco, sei lá, se distrair. – Falou a mãe, entre suspiros.

James não entendia muito daquilo, então não estava tão mal assim.

– James? – Disse Laura, pegando uma bola que James jogou para ela.

– Sim…?

– Mamãe e papai irão sentir falta de Cinthia certo?

– Ahã – Respondeu o menino, acenando com a cabeça.

– Então… O que você acha de nós ajudarmos os dois a irem ficar com ela?

– No céu?

– É. Eles vão gostar.

– Vão mesmo?

– Sim. Você me ajuda a levar os dois?

– Ajudo, ajudo sim! – Concordou James, animado.

– Então… Vamos, fazer um belo jantar e deixa-los assistir à um filme romântico.

– Irmã, você é tão boazinha! – Disse James, abraçando-a. Por um momento, Laura se lembrou de sua família. Lembrou-se de quando foi enganada pelo seu irmão mais velho, assim como estava fazendo com James. Ela lembrou seus pais mortos e de Micael entregando-a para a vampira. Ela tinha a idade de James. “Vá! ela vai cuidar de você, disse ele”. Ela retribuiu o abraço, depois chamou o menino.

Já de noite, os dois fizeram um jantar à luz de velas para os pais. Laura havia assado um peru com batatas, arroz à grega, salada e muito mais. Também havia um vinho com um alto teor de álcool. Ela acendeu velas.

– Vem papai! – Chamou o garoto.

– Meu Deus! – Suspirou a mãe. – Laura, foi você?

– Sim. Eu aprendi a cozinhar com as tias lá do orfanato. Observei tanto que acabei aprendendo.

– Preparamos um filme para vocês! – Disse James, ao lado de Laura.

– Ah, crianças! – Suspiraram os pais.

Os pais comeram com os filhos, e logo depois dormiram assistindo ao filme. “Obrigado, querido vinho.” pensou Laura. Logo, dizendo as mesmas coisas que disse para Cinthia, ela hipnotizou seus pais.

– Eles já estão lá? – Perguntou James.

– Ainda não. Precisamos fazer mais uma coisa.

– O que?

– Isso. – Laura pegou a faca e cortou os pais, derrubando o sangue em frascos.

– Assim você vai machucá-los! – Gritou James.

– Não se preocupe. É o preço para ver Cinthia, mas eu prometo que não dói muito. – Ela disse, entregando o primeiro frasco do pai para o garoto segurar. Enchendo quatro frascos de cada um, ela não pegou as últimas gotas.

-Eu posso ir também? – Perguntou o garoto, inocentemente.

– Não.

– Por quê?

– Você vai a outro lugar, fazer outras coisas que você vai aprender a gostar. Vai ser como eu.

– Eles vão voltar?

– Não, eles estão mortos, assim como Cinthia. – A simpatia havia acabado naquele momento.

– Eu não queria que eles morressem! – Disse James, chorando. Laura ajoelhou na altura dos olhos de James e o consolou.

– Não se preocupe, eles estão no céu. Foi isso que combinamos hoje cedo certo?

– Certo! – Disse, enxugando suas lágrimas.

– Você sabe que eu te amo não é?

– Sei.

– E você me ama?

– Amo.

– Então você sabe que o que faço é para seu bem certo?

– Certo. – Laura pegou os frascos e em seguida o portal se abriu, revelando a vampira.

– Bem, agora é sua vez James. Venha comigo. – Disse a vampira, a nova dona de James.

-Tchau Laura!

– Tchau, irmãozinho. – Laura voltou a ter cinco anos. Agora ela poderia ter uma vida normal, recomeçando.

30/10/2011

Laura foi encontrada na casa e foi para um orfanato.

10/10/2014

James estava em um orfanato. Seria bom sair de lá. Ele se perguntava se aquela seria sua hora de ser livre.

– James? – Disse a voz.

– Sim?

– Eles estão chegando.

– E daí?

– Seja simpático.

– Por que deveria?

– Por que deveria? Irão morrer do mesmo jeito…

– Pode ser a hora de você ser livre…

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