Minilua

Contos Minilua: Vocês tem um quarto? #240

Pois é, e como sempre digo, todos os temas são aceitos: suspense, mistério, terror, enfim. Sinta-se à vontade ok? O e-mail de contato: Jeff.gothic@gmail.com! A todos, uma excelente leitura!

Vocês têm um quarto?

Por: Zack Barone

O relógio na velha parede de madeira tiquetaqueando a matéria do tempo. Anuncia meia noite e meia, no velho hotel “Repouso do Viajante”. Lá fora uma chuva torrencial agride o solo. Acompanhada por um vento frio e cortante. Acrescendo com isso, um ar mais sombrio ao ambiente. Que por si só, já é assustador.

Exatamente, quando o relógio une os ponteiros. Ouve-se na porta: – Toc -Toc. Forte e descompassado. Seguido do soar crepitante da companhia. Dona Marlene que há doze anos ali trabalha. Levanta-se de seu aposento e após alguns instantes, abre a porta.

Do lado de fora, um homem de roupas escuras. Vestido com uma capa comprida sobre os ombros e portando um chapéu opaco. Lhe pergunta, com uma voz, doce e rouca: – Vocês tem um quarto? – Sim. Responde a mulher. Acrescendo um: – Queira, por favor, entrar senhor.

Anotado o nome. – Hernandez Rach. Que a caneta tinteiro registrou apressada. Subiram um a um, os degraus de madeira, que davam acesso a parte superior, donde ficavam os cômodos. – Aqui é seu quarto, murmurou ela. – Qualquer coisa, é só chamar. – Durmo, neste ao lado.  E finalizando com essas palavras, saiu.

Depois de decorrido alguns momentos. Apagam-se, outra vez. Nos quartos, às luzes. E novamente fica apenas a chuva; o vento, e o tiquetaquear na sala do velho Oldway. Povoando unicamente aquele ambiente taciturno, com os seus ninares e inquietantes barulhos.

Meia hora se passa e com a ajuda, dessa soturna orquestra sinfônica. Dona Marlene, encontra-se outra vez, dormindo tranquilamente. E sem que perceba, a porta do se quarto se abre. Lenta e rangendo.  E antes que o ruído a acorde totalmente. Um vulto escuro de uma mão humana, áspera e pesada. Tapa – lhe a boca.

Ela ainda tentou inutilmente, uma fraca respiração. Mas, foi logo, pelo estranho, impedida de aspirar o ar da vida outra vez. Restou somente a ela, um suspiro final. Para poder sentir por fim, a faminta mordida, em seu descoberto, e por assim dizer, atraente pescoço.

Minutos depois. Na escada se ouve, descendo passos pesados. E o mesmo vulto misteriosamente desaparece na noite. Com o copioso e elegante cuidado, de antes deixar sobre a recepção, uma nota de cinquenta reais, manchada de rubro sangue. Escrevendo nela, às seguintes palavras. Sobre a efígie representativa da república, com a mesma caneta tinteiro, que horas antes registrará seu falso nome. – Obrigado. Por tão agradável tratamento. E depois em seguida, sumiu no breu da noite.

As horas que indiferentes empurram o tempo, acompanham a chuva que persiste na mesma noite de inferno. Enquanto isso, em algum lugar próximo, outro relógio, marca duas horas da madrugada. Quando lá se ouve: – Toc. –Toc. Forte e descompassado junto à porta… Em que alguém abre. E uma voz, doce e rouca, pergunta: – Vocês tem um quarto?

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