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Contos Minilua: Olhos brilhantes #7

E em nome do site, gostaria de agradecer a cada um dos leitores. Sem vocês, acreditem nada disso faria sentido. Uma boa leitura!

Contos Minilua: Olhos Brilhantes

Bom, e para participar do quadro, é muito simples: Selecione seu melhor texto, e envie para nós. Os melhores, no caso, serão postados aqui mesmo no Minilua.com! Mensagem dada, vamos ao texto de hoje…

By: Natanael Vieira

Abro meus olhos. Estou correndo e enquanto isso luto contra a nevoa que me cobria. Estou numa floresta densa, fechada, que dificultava cada passo. Lapsos soltos, sem ligação aparente vagam em minha memória. Nomes, pessoas, lugares… Procuro uma ponte para ligá-los, mas não encontro nada.

Sei que estou com medo. Muito medo. Algo está me perseguindo e me oprimindo. Olho pra traz pra ver se, se aproxima, mas não há nada ali. Grito quando vejo na minha frente um borrão negro, esguio e alto. Paro instantaneamente. Um piscar de olhos e ele não está mais lá.

Oh meu Deus? Onde Estou? – ”Onde estou.” Palavras que estão ricocheteando em minha mente.

– Ele está fugindo! Se apressem! Não podemos deixá-lo escapar! – vozes estranhas e retorcidas dizem.

Vozes que me fizeram tomar uma velocidade espantadora e correr ainda mais. Meu pé se choca contra uma pedra e me joga direto ao chão. Bato a cabeça com força ao cair. Um mundo preto e sombrio toma conta dos meus olhos.

“Estou no meu quarto tentando dormir, mas um zumbido irritante  me impede. Viro para um lado e para o outro. Cubro-me com o cobertor mas o zumbido continua a me atarracar. Então uma luz forte e azulada começa a entrar pela fresta da porta. O medo começa a crescer dentro de mim. Eu estava sozinho em minha casa no meio do nada. Não devia haver ninguém ali. Me divido entre ir ver quem estava ali ou nem dar sinal de vida. Decido me ater à segunda opção. O pânico cresce quando minha porta é arrebentada e ouço dizerem:

– Ele está aqui! Venham!

Quem está atrás de mim? A Polícia? A S.W.A.T? A NASA?

Porém minhas teorias caem por terra quando abaixo o cobertor e meus olhos veem não acreditando, seres de estatura alta, aparência deformada, humanoides, de cabeça grande e volumosos olhos brilhantes.

Gritos me fogem da garganta.

“Preciso fugir!” Vou com toda  a minha força até a janela e abro-a, cobiçando fugir, mas me desespero quando ali, vejo mais dois daqueles seres sobre aparelhos flutuantes

Não havia saída. Esse pensamento aterrador me invade quando se aproximam de mim e me injetam o conteúdo prateado de uma seringa.

Desmaio.

Eles estão se aproximando de mim. Vejo os olhos brilhantes se ocultando atrás das arvores.

Levanto-me e começo a correr. Meu pé machucado e o pânico crescente me fazem entrar em puro desespero.

Estou dentro da nave deles. Não sei onde me localizo. Ainda estou na face do planeta? Sinto que há muito deles ao meu redor. Mesmo com as pálpebras fechadas a forte luminosidade ainda me atormenta. Decido fingir que estou dormindo para ouvir seus planos.

– Que tipo de pesquisa será feita nesse humano? – uma voz diz.

– Esse será usado para identificarmos a estrutura óssea da espécime.

Vão me mutilar! O pensamento me toma.

Preciso fugir!

Desvio de muitas árvores e começo a correr novamente. Agora minha memória está completa. Lembro-me de tudo. Desde quando me capturaram até quando fugi da nave.

Apresso os passos. Já os via bem perto de mim.

Tento percorrer por longos caminhos e despistar os seres. Acho que consigo, pois não vejo mais seus olhos me fitando loucamente brilhantes.

Encontro uma casa ali, no meio da floresta. Arrombo a porta com um chute e entro. A falta de iluminação fez meu coração disparar. Meus olhos se adaptaram à penumbra e eu procurei um lugar pra me esconder até que fosse seguro. A casa estava devastada. Não havia moradores nem indícios de que algum estivesse ali.

Me escondo dentro de um móvel velho de madeira, uma dispensa.

O lugar fica silencioso por alguns instantes. As batidas do meu coração se faziam ouvir de longe e eram o único som no ar. Se eu pudesse pará-lo por alguns instantes, essa era a melhor hora.

As luzes azuis fortes invadem a porta. Prendo minha respiração.

Ficam ali por quase um minuto.

Logo depois disso, eles saem.

Suspiro aliviado. Saio do meu esconderijo e sento num sofá velho e desgastado. Ratos despontam dele e se escondem em frestas na parede.

Tudo fica calmo novamente. Calmo até demais pro meu gosto.

Grito histericamente quando o teto da casa explode em chamas e começa a desabar. Corro para me proteger das chamas. Uma nave gigante está sobre a casa e lança raios azuis sobre mim. Corro e faço de tudo para me livrar da luz, que invadia meus olhos e me confundia.

Fujo da casa. A nave lança seus raios sobre mim. Não consigo me mexer. O raio de luz me paraliso

Meus pés começam a flutuar. Tento me movimentar, mas é inútil.

Subo uns 5 metros em direção à nave. Meus olhos já avistavam a copa das arvores. O ar estava calmo exceto pela nave a por meu corpo subindo.

Tento gritar e fugir, mas é em vão.

Passo pela abertura da nave e o raio cessa.

Dezenas dos seres estão ao meu redor.

Não há mais escapatória. A abertura se fecha e a forte luz cessa. Minha memória se esvai lentamente.

– Seja bem vindo de volta, Alex. – uma voz baixa e metálica diz.

O conteúdo prateado de uma seringa é novamente injetado em meu braço. Minha força se acaba lentamente e vou perdendo os sentidos.

Fecho os olhos e me rendo à escuridão.