Contos Minilua: O Limbo – Segunda Parte #271

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Hoje nós vamos continuar com um conto enviado pelo usuário Elson Miranda.




O LIMBO - Segunda Parte

A bateria do celular já estava quase no fim. Sara então ligou a lanterna do celular procurando pelos cantos mais escuros por alguma pista. Correu a luz também pela escada até a porta. Foi então que notou que no último degrau, havia um livro caído.

Subiu novamente a escada, não era um livro, era um diário, o diário de seu avô, todo encardido, na capa preta de couro por fora não tinha nada, sua escrita era trêmula e confusa, não dava para compreender nada, somente os números marcando as páginas no rodapé. Então suas costas arderam e algo lhe veio à mente: “27”. Bem no meio da página 27 estava uma chave velha toda enferrujada. Sara pegou a chave e tremendo bastante e tentou usá-la na fechadura… A porta se abriu… Sara retirou a chave, jogou de volta dentro do diário.

De repente alguém a tocou em seu braço, uma mão quente, em segundos a sensação passou, mas não havia ninguém. Seu corpo gelou até a alma, ficou apavorada! O diário caiu de suas mãos. Sara entrou na sala, olhou ao redor, tentou observar os outros cômodos com movimentos de cabeça, parecia não haver ninguém, mas ela nem queria ter certeza disso… Tentou abrir a porta: trancada! Tentou a janela, a mesma coisa.

A cabana era toda feita de madeira maciça, pesada e as portas e janelas quando se fechavam tornava a cabana um verdadeiro forte de guerra. Sara foi devagar, pisando com cuidado para não fazer barulho no assoalho, até a minúscula cozinha, foi quando seu celular começou a tocar, era sua mãe. Sara atendeu num impulso: Alô? Ouviu um chiado contínuo e no fundo uma voz rouca bem baixa, quase um sussurro: “Sara, é você?”, mas a ligação caiu e o celular perdeu o sinal.

Sara voltou até o porão para procurar o diário que tinha deixado cair, chegando à porta, ouviu algo se mexendo lá embaixo, por algum motivo desconhecido, sentiu um desejo enorme de ir até lá, desceu a escada e ao chegar no local uma mariposa que estava voando a assustou, foi quando ouviu um gemido, então ficou aterrorizada, deixou o celular cair, derrubou a cadeira e subiu correndo, foi até a porta da cozinha sem esperança, mas para sua surpresa, quando ela girou a maçaneta a porta se abriu.

Lá fora, a chuva já tinha passado e o céu estava aberto. Com a pouca luz do luar, ela correu o máximo que suas pernas podiam dar em direção à mata. Um vento gelado batia em seu rosto; correu por entre as árvores, o mato estava alto, sentia seus pés descalços pisando em folhas e galhos secos, estava machucando seus pés, mas nada disso a fez parar. Correu até que seus pulmões ardessem, parou ofegante com as mãos nos joelhos tentando respirar pela boca, estava sufocando com as golfadas de ar. Então ouviu não muito distante o barulho de alguém vindo correndo em sua direção.

Sara recomeçou a correr ainda mais desesperada, de repente seu corpo ficou leve, flutuando… Ela havia caído de um barranco, no primeiro impacto de seus pés no solo, suas pernas dobraram e ela tentou se proteger com os braços no chão, bateu com a cabeça na terra e continuou rolando descontroladamente… Sentiu um choque no corpo, de repente tudo ficou macio… Ela estava na água; a correnteza do rio a empurrava.

Sara tentou nadar, mas de tão fraca e cansada, começou a afundar e se afogar… bateu as pernas até a cabeça vir à tona, puxava ar pela boca e retornava ao fundo, dando braçadas a esmo, o vazio passando por entre seus dedos… pensou por um momento se seria esse seu fim… Então sua mão direita se agarrou em um galho, ela puxou forte e conseguiu se segurar, foi se arrastando pela lama até a margem, virou de costas para o chão, observou no céu bem alto a lua ficando borrada e desmaiou… Sara abriu os olhos devagar, viu uma pequena lua amarela, borrada, se transformar em uma lâmpada fraca que se acendia no teto, uma mariposa passou voando.

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