Contos Minilua: O julgamento de Deus contra o diabo #104

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O julgamento de Deus contra o diabo

Por: Godfather Vito

good and evil

Certa vez, não se sabe a localidade, estava iniciando-se um tribunal entre o céu e o inferno para decidir qual o destino de Lúcifer e de seu reino.

Deus, sendo o ser supremo da justiça e estando acima do bem e do mal, seria o juiz e o júri e decidiria se o inferno, junto com o seu governante, permaneceria existindo e servindo de moradia para algumas almas dos pecadores falecidos ou se, tanto Lúcifer quanto o lugar do qual ele governa, seriam destruídos e extintos para sempre.

O arcanjo Gabriel era o promotor que lutava pela condenação e extermínio do anjo caído.

Lúcifer defenderia a si próprio e ao seu reinado, justificando o porquê dele merecer sair daquele local inocentado.

Deus estava se mostrando como uma criança, com roupas simples e humildes, Lúcifer era um homem que trajava um terno elegante, cheio de vaidade e requinte, enquanto Gabriel fazia questão de expor suas asas enquanto trajava vestes de guerra, lembrando as armaduras dos antigos romanos como se ali fosse um campo de batalha.

Como todo poderoso, Deus era o primeiro a falar, dirigindo-se ao seu antigo anjo:

 - Lúcifer, meus anjos e Arcanjos vieram a mim com a seguinte proposta: destruí-lo para sempre lançando a ti e ao teu reino no lago de fogo, ao invés de deixá-lo governar nas sombras dos corações dos homens como vem fazendo desde que perdeu suas asas.

Mas para ser justo, até mesmo com você, disse-lhes que me convencessem que o correto a ser feito é pôr um fim em ti e em teu reino e pedi que escolhessem entre os meus um representante para defender tal ideia, dando-lhe o direito de se defender simultaneamente. Como pode ver, Gabriel foi incumbido de tal tarefa.

O Diabo, com seu sorriso de canto de boca, ouvia as palavras do juiz enquanto permanecia sentado à sua frente, com as mãos entrelaçadas, sem demonstrar estar preocupado com o que estava por ocorrer.

- Que comecemos então o que se pode chamar de julgamento. Comecemos por você Gabriel! - indagou Deus, diante de todos os presentes.

-Obrigado senhor! agradecia o servo divino beijando a mão de seu pai.

Porém, antes que pudesse prosseguir, o senhor de todo o mal o interrompia com seu sarcasmo:

- Bajulação deveria ser considerado um pecado… perdoe-me eu me esqueci, anjos não pecam, senão iriam para o inferno e isso já não acontece mais…

- Cale-se Satanás e deixe que Gabriel prossiga! exaltou-se Deus após a provocação.

Com deboche o réu voltara a se sentar.

Gabriel continuava de onde havia parado:

- Como sabes, esse é o pai das mentiras, é manipulador e odeia a tudo, foi condenado e com isso tenta arrastar quantas almas conseguir para o seu martírio. Lúcifer, este que já foi um belo querubim, corrompe a alma dos homens e os afasta de seu verdadeiro pai para depois simplesmente os deixar na danação eterna e por isso digo que o mal tem que ser detido, pois ele já atravessou há tempos os portões do inferno e, o que antes era um castigo a este que já foi um anjo, está se tornando um presente, pois deixa que ele continue a agir impunemente.

Neste momento o sarcástico homem de terno gargalhava e se levantava olhando para Deus, o perguntando:

- Grande Deus, dai-me a honra da réplica?

Deus gesticulava com as mão em sinal de que prosseguisse e se defendesse.

- Quero esclarecer aos meus desafetos aqui presentes que o senhor promotor não está a par das situações que o próprio citou. Não sou eu quem arrasto almas ao inferno. Os filhos que se afastam de seu pai e vêm a mim como órfãos querendo um novo pai, um novo lar.

São todos homens que têm o direito do livre arbítrio. Nem mesmo Deus pode controlá-los, somente guiá-los.  É isso que faço: se eles deixam de acreditar na luz, lhes ofereço conforto nas sombras. Não sei por que se queixas tanto Gabriel, eu continuo sendo somente a segunda opção da humanidade!

- Você não deve ser considerado uma opção Anjo Decaído! Suas palavras não devem ser levadas a sério. Você pode enganar os homens, mas não enganara a Deus!

- Gabriel, meu filho, não fales por mim. Estou aqui para ouvir os dois lados. É claro que Lúcifer é ardiloso e manipulador, porém há de convir que sua réplica tem coerências em certos pontos, pois mesmo ele tendo exagerado em algumas questões, os homens, às vezes, se perdem por si próprios. Bastas enxerem seus olhos com as ilusões que tanto almejam.

- Perdoe-me pai, estás coberto de razão.

 Satanás se deliciava após ver a repreensão de Deus ao seu arcanjo pela sua precipitação em sua a ação.

- Continuemos com os relatos! Disse o ser maior.

- Veja pai, como o Senhor sabe melhor do que nós, ele era um anjo, mas rebelou-se contra o seu Criador, pois achou melhor governar no inferno do que servir no céu, porém ele atormenta os homens que são feitos a sua imagem tentando levá-los para o lado dele… E como Lúcifer é um ser desonesto e vingativo, desconta sua maldade nos seus filhos, pois não tem poder para afetá-lo diretamente.

O réu ouvia tudo fazendo caretas, discordando de tudo cinicamente. Deus não manifestava sequer uma expressão, somente queria apurar os fatos apresentados. Gabriel continuava:

- Continuo a afirmar que o melhor a ser feito é dizimá-lo para todo o sempre.

- Gabriel, não cante somente uma nota! Você afirma demais somente um fato. Queres saber por quê me chamam de Satanás? Tenho este carismático nome, pois o mesmo, em bom hebraico, significa: adversário, como sabes ou deverias saber. Seria justo da parte de Deus destruir-me ao invés de deixarem os humanos escolherem quem irão adorar? Eu sempre começo esta guerra entre o céu e o inferno com desvantagem!

Deus intervinha e perguntara a seu antigo servo:

- Desvantagens? Do que falas Lúcifer?

- Sim, desvantagem! Seu santo filho viestes à Terra para salvar a humanidade. Não lembro-me de lançar uma de minhas proles incumbido de fazer o serviço oposto de Jesus, entretanto confesso que tentei convencer o chamado Cristo a adorar-me e fui rejeitado, e tive que aceitar o ocorrido, mas o rei dos judeus, como se auto chamava, foi morto, mas não por mim, nem mesmo por meus adoradores, e sim por membros de sua própria igreja católica.

E a fama de maléfico sempre veio até mim… agora diga-me Gabriel! Se eu tivesse algo a ver com a morte de Cristo isso seria uma confissão de que a religião que vocês tanto pregam tem influência do diabo, não é? Sem contar que todos os homens possuem anjos da guarda, mas nenhum possui um demônio…

- Suas palavras são tolas Satã, queres enrolar a todos com afirmações errôneas. Jesus lavou a alma dos homens com seu sangue, isso foi divino e sublime. Recusou juntar-se a ti em uma vida mais fácil e sem sacrifícios e, mesmo em suas últimas, palavras implorou a seu Deus o perdão de seus semelhantes e, como santo que foi, regressastes três dias após sua morte para subir ao céu até o dia do juízo final

Deus mostrava-se concordar com todas as palavras de seu arcanjo.

- Juízo final ou apocalipse. Vocês dão muitos nomes as coisas… Este não será o fim dos tempos? Por quê destruir-me agora e acabar com uma profecia bíblica? Pois sim, se não houver mais o mal retratado em minha pessoa como haverá o tal juízo final, uma vez que ele serve para salvar os verdadeiros cristãos e condenar os ímpios a minha penitência?

Deus permanecia sereno, mesmo após ouvir tantas e tantas justificativas sobre o que seria certo ou errado a se fazer, porém a cada réplica ou tréplica, anjos e demônios comunicavam entre si o ocorrido, sempre um falando com o da mesma classe.

- Calem-se! E deixem que ambos prossigam! falava Deus aos ouvintes.

Satanás levantava-se novamente e andava de um lado para o outro enquanto falava:

- Do que vocês têm medo? Faço esta pergunta a todos os divinos. Tens medo de que eu vença a disputa pelas almas? Ouçam, quando preferi governar no inferno a servir no céu arrastei junto comigo um terço de vocês! Eles escolheram a mim, preferiram servir no inferno do que no céu, mesmo assim permaneço em desvantagens! Vejam, olhem para isso!

Satã mostrava, com seus falsos poderes, a todos do tribunal vários locais do campo terrestre, como se eles tivessem sido transportados.

- Milhões de templos e religiões que seguem seu Deus, milhares de nomes dados a ele. Passeatas e até mesmo guerras em seu nome, e o que eu tenho? Uma dúzia de adoradores e templos quase vazios. São infinitas as vantagens de vocês, então por quê viestes agora com a ideia de destruir-me e destruir ao meu reino? Não veem que boa parte de seus fiéis vão à suas igrejas somente com segundas intenções?

 Deus já sabia qual seria a próxima fala do diabo, mas, mesmo assim, dirigiu-se à ele com palavras:

- Seja claro ao dizer “segundas intenções” e não tente,  príncipe de Tiro, enriquecer seu relato com ilusões, pois não é aos seus ou aos meus a quem deve convencer e sim a mim, que não me levarei por qualquer imagem que mostrares.

- Como quiser, senhor juiz.

O diabo encerrara suas ilusões e fazia com que todos voltassem ao local do tribunal.

- Quando seus filhos vão até a igreja e se ajoelham pedindo proteção, alguns deles fazem isso não por querer ir para o céu e sim por temerem ir para o inferno! Sim, isto mesmo, sou um simples carcereiro e minha morada é uma penitenciária para os criminosos da alma. Imaginem só se o paraíso fosse destino certo dos mortos? Para onde iriam os assassinos e estupradores? Sem um castigo eterno, o que os impediriam de cometerem atos bárbaros, os setes pecados capitais e romperem os dez mandamentos?

 - Sem punição não há ordem, e sem a ordem até mesmo os bons podem se revelar maus. E você Gabriel, seria capaz de fazer o serviço sujo que faço? Você puniria aos homens como faço com minhas mãos de ferro? Seria capaz disso?

 Lúcifer falava com Gabriel, que a esta hora já havia gastado todos os seus argumentos, restando-lhe somente olhar para o réu e para o Juiz com olhos esbugalhados.

- Pelo visto a resposta é não. Então, se não tens outro para tal feito, contentem-se comigo mesmo.

 - Já chega! Meu veredito foi tomado! Na verdade antes mesmo de tudo eu já havia me decidido, mas como frisei antes, queria ouvir os dois lados para ver se mudaria meu julgamento.

 Todos os presentes estavam ansiosos por saber qual seria o resultado daquilo tudo.

 - Gabriel, você tem razão, Lúcifer é o mal. Ele difama meu nome, instiga o pecado aos meu filhos, porém isso não é o suficiente para destruí-lo. Portanto decido que o inferno e seu senhor se fazem necessários, não por mérito de tal, mas sim por questões muito bem levantadas: a humanidade é quem decidirá onde passará toda a eternidade. Não cabe a nós decidirmos isso. Se os homens se perderem a culpa será exclusivamente deles, o bem e o mal simplesmente os sopram para o caminho que mais os agrada.

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