Contos Minilua: O colecionador de órgãos (parte II) #195

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O colecionador de órgãos

Por: Lucas Rodrigues

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Medo e fé… duas palavras incompatíveis que na mente de Vitor se resumem em sensações… medo de falhar na tarefa imposta pelo maníaco.. mas existe a fé, que especificamente significa o otimismo de Vitor em conseguir o êxito no trabalho. Os passos de Vitor mostram o quão grande é o seu desespero, sendo pressionado a realizar algo contra sua vontade, ainda mais sendo vítima de um ser com uma mente doentia, que mal se dá ao trabalho de raciocinar por demasiada loucura, ameaçando um ente querido do pobre homem atormentado por seu medo naquele fatídico momento.

Finalmente Vitor chega ao tal armário de cadáveres, depois de uma desenfreada corrida no sombrio lugar. A ferrugem da porta mostra que a mesma está frágil, aproveitando-se disso Vitor chuta com bastante força a velharia. Não tarda para que o cheiro de carniça invada as narinas de Vitor, que logo trata de tapar o nariz assim que vê a montanha de cadáveres pútridos e decompostos.

O chão tem uma coloração vermelha, mas não vermelho de tinta e sim de sangue, devido ao alto volume de corpos. Vitor vai entrando lentamente, com a mão esquerda tapando o nariz, e segurando-se para não vomitar. Eis que no momento em que se prepara para pegar o primeiro cadáver - logo um com as vísceras à mostra - um rosto surge no monitor LCD até então despercebido por Vitor. Na imagem, mesmo em baixíssima qualidade, dá para se perceber que trata-se do maníaco, ainda segurando Tiago e apontando a arma em sua cabeça. O psicopata logo se pronuncia para Vitor, indicando algo importante a ser dito:

- Olá Vitor. Vi que você é completamente incapaz de fazer o que eu mandei em apenas 2 minutos. O tempo está se esgotando, só falta apenas 1 minuto, é melhor dizer adeus ao seu querido irmão, pois é inútil reverter a situação. Assim que eu matar o seu irmão você será o próximo e aí então terei um banquete inesquecível hahahahahahahahahaha!!!

- Desgraçado!!! - esbraveja Vitor arremessando uma pedra contra o monitor, que logo se danifica.
Ciente de que não irá conseguir fazer todo o trabalho em tão pouco tempo, ele não pensa duas vezes antes de sair para salvar a vida de seu irmão, não importando os meios. Vendo pelo monitor que está na sala de tortura, o maníaco logo percebe que Vitor saiu do armário de cadáveres.
Segurando Tiago pela gola da camisa com a mão esquerda e a direita apontando o revólver para a cabeça do mesmo, ele abre uma porta secreta próximo à parte da sala onde fica a máquina de tortura.

O maníaco aperta um botão vermelho e a porta abre automaticamente. Vitor retorna à sala e percebe que o maníaco e seu irmão não estão mais ali, o que o deixa ainda mais furioso, já com uma pretensão de matar o psicopata se caso ele tirar a vida de seu irmão.
Não demora para que ele perceba a outra porta pela qual o maníaco entrou, parcialmente aberta. Vitor aproxima-se dela e tenta deixá-la mais aberta com suas mãos, mas sua força se mostra inútil e o botão vermelho é a única salvação.

sangue

Apertando o botão exaustivamente e com uma rapidez que denuncia o seu desespero, Vitor, finalmente, vê ela abrir. Primeiramente ele vai pelo corredor que dá acesso direto para outra sala. Mesmo em meio à escuridão ele consegue sentir/tocar algo meio metálico, o que logo ele deduz ser a maçaneta de uma porta.

Conseguindo abrir esta porta Vitor se depara com uma claridade de fazer cegar os olhos. São as luzes da garagem e é neste lugar que o maníaco se prepara para fugir com Tiago, mantendo-o refém até a hora de sua morte. Vitor, já recuperado da cegueira temporária causada pelas lâmpadas, tenta argumentar de forma pacífica com o maníaco a fim de convencê-lo a desistir desta loucura:

- Olha, vamos ser racionais… não vai ganhar nada tirando a vida do meu irmão, sei que sua fome por órgãos é quase insaciável, mas poupe a vida do meu irmão… vai caçar animais, você pode muito bem saciar sua fome com os órgãos deles… ou me mate, assim me sacrificarei pela vida do meu irmão.

O maníaco, já pronto para entrar no carro, responde a Vitor zombando de seu pedido:
- Sua súplica soou tão fraca aos meus ouvidos, que nem ao menos tive o trabalho de assimilar letra por letra. Como eu disse anteriormente: primeiro o seu irmão, depois você… não tente estragar minha festa… é como meu aniversário, só que apenas eu como convidado.. digamos que meus convidados são ao mesmo tempo as guloseimas da festa, sim, esta é a melhor forma de julgá-los.

- Eu não vou desistir… ma mate agora mesmo, e em troca disso você disseca meu cadáver, come meus órgãos e deixa meu viver. - insiste Vitor.
No porta-malas do carro Tiago acena para Vitor com cabeça dizendo “não”. Ele logo percebe o gesto e isto lhe causa estranheza. O maníaco, já impaciente, tem uma ideia de última hora para impedir que Vitor o atrase ainda mais com seu plano.

Ele abre o porta-malas, puxa Tiago pelo pescoço e retira a bomba que estava grudada com a fita adesiva em seu corpo, o que deixa Vitor um tanto aliviado, porém, o mesmo está com a doce ilusão de que irá ver seu irmão sendo finalmente libertado. Ocorre o inesperado. O maníaco deixa a bomba no chão e diz em tom sarcástico:

- Espero que se divirta com os fogos de artifício.
Faltando apenas 90 segundos para a bomba explodir Vitor tem suas pupilas dilatadas pelo desespero e o frio na barriga que aquele momento acaba de causar. Sem nem mesmo piscar os olhos Vitor sai correndo e volta para a sala de tortura, onde inicia uma procura castigante por uma saída.

Por sorte, ele consegue encontrar uma escada depois de olhar detalhadamente todo a sala. Subindo esta escada ele logo se encontra no corredor principal e avista a porta de entrada do hospital. 20 segundos para a bomba explodir. O maníaco liga o carro e sai em disparada subindo a ladeira e destruindo a porta da garagem sem nem ao menos usar o controle do portão, o qual não está portando.

Faltando 5 segundos para a bomba explodir, Vitor consegue sair do hospital. Ofegante, ele fica ajoelhado no meio da estrada tomando fôlego. Um barulho chama sua atenção e interrompe o seu processo de respiração forte. Trata-se da explosão da bomba, que apenas destrói uma parte do hospital, um efeito não esperado por Vitor, que achou que o hospital inteiro iria pelos ares. Pensando na situação em que seu irmão se encontra, Vitor adota o pensamento de que existe uma forte possibilidade do maníaco o levá-lo direto para sua casa e deduz que o mesmo force seu irmão a dizer o endereço da casa.

- Ele pode estar levando ele direto pra minha casa… talvez seja uma hipótese provável, mas… ah, que se dane, confio nas minhas intuições, vou pegar um táxi e tentar chegar antes dele. - diz Vitor se levantando e correndo para um lugar próximo a uma estrada.

Atravessa uma mata bastante densa até que chega ao destino que estava pensando. Vitor faz o sinal para o táxi parar, a luz do farol quase cega seus olhos que enfrentaram a escuridão de um lugar assombroso. Vitor informa o endereço da rua e guia o motorista lhe dizendo qual caminho o mesmo deve seguir, já que a casa de Vitor fica muito longe dali.

2 horas se passam. Vitor finalmente chega à sua casa, mas ele consegue - de maneira sacana - convencer o taxista a deixar pra lá o pagamento da corrida. As luzes estão todas apagadas. Afinal, a rua inteira está deserta, apenas alguns postes iluminam fracamente algumas casas. Já próximo à porta, Vitor estranha o mórbido silêncio que ali se encontra.

Gira lentamente a maçaneta e vai abrindo a porta bem devagar. Ele só consegue ver uma escuridão ainda mais aterradora que a que testemunhara no lugar em que esteve anteriormente, uma escuridão que desafia seus pontos fracos à medida em que seu medo aumenta.

Vitor, já dentro da sala de estar, tem a sensação de que mesmo tudo estando escuro alguém está ali. A luz da sala de jantar acende e uma surpresa desagradável para Vitor: o maníaco sentado na mesa que ele costumava reunir sua família em jantares memoráveis. Atônito, Vitor dá 2 passos para trás e vê que sua dedução estava correta. O maníaco logo profere palavras que Vitor jamais queria ouvir:

- Nos encontramos de novo Vitor. Confesso que estive esperando por você este tempo todo em que esteve aflito para chegar em casa. O que acha de nós jantarmos junto? hihihihihi!!

- Você… o que fez… o que fez com minha família? Não consigo… sentir a presença deles aqui. E o meu irmão? Não me diga que o matou? - pergunta Vitor com um suor gélido escorrendo pelo rosto.

- Sou um homem de palavra. Olhe para sua esquerda.
Na parede, à esquerda de Vitor, encontra-se o corpo de Tiago sem os olhos, com os membros presos com pregos e inteiramente costurado. Vitor fica em estado de choque… não consegue esboçar reação alguma, mas está sofrendo por dentro.

- Estavam apetitosos. - diz o maníaco debochando do sofrimento de Vitor. - Vamos, venha, esqueça seu irmão… aliás, deve estar com fome depois de uma noite longa sem comer nada. Estou lhe oferecendo algo proveitoso, deveria me agradecer por isso, mas não… você prefere seu irmão.

Sabendo que se recusasse o pedido do maníaco iria sofrer as mesmas consequências que as vítimas dele, Vitor então, senta-se na mesa. O maníaco tira as tampas dos pratos e Vitor leva um susto tremendo. O cardápio é nada mais nada menos que rins, cérebros necrosados, intestinos delgados e um coração ensanguentado, ou seja, todos os órgãos da mulher e dos 2 filhos de Vitor ali na sua frente.

- Antes que tente alguma coisa contra mim saiba que eu enchi esta casa de explosivos potentes, portanto qualquer movimento brusco que eu ver você fazendo não hesitarei em apertar o botão do detonador, tá me ouvindo!? - diz o maníaco em tom absurdamente ameaçador e segurando o pequeno detonador.

Vitor atende à ordem e se esforça ao máximo para não reagir, mas sua vontade incontrolável de acabar com a vida miserável daquele psicopata ferve no seu sangue. O maníaco então obriga Vitor a comer os órgãos de sua própria família:

- Em memória da sua digna família eu ordeno que coma este delicioso banquete junto comigo… caso o contrário, terei que fazer de você a sobremesa, ou melhor, os seus órgãos.
Vitor imediatamente libera sua raiva dizendo: Nuncaaaaaaaaaa!!!

O maníaco saca uma arma e atira na cabeça de Vitor. Agora o banquete está completo. O maníaco saboreia os órgãos de Vitor, após ter devorado os da família. Se sentindo totalmente saciado ele coloca sua máscara de palhaço novamente… agora que sua fome desapareceu ele sente que cumpriu sua missão.

- Este foi o melhor lanche que eu já saboreei… eu finalmente consegui chegar ao limite que eu tanto sonhei em conseguir, agora posso morrer em paz… adeus mundo caótico.
Após estas palavras, o maníaco aperta o botão do detonador que repentinamente aciona todos os explosivos colocados em volta da casa ocasionando uma explosão gigante e de barulho estridente. Sua jornada agora continuará no inferno… o lugar em que ele sonhou em ter nascido e agora viverá por toda a eternidade… isto é, se o inferno existir.

Epílogo

O Dr.Swan observa em seu laboratório - no hospital - através de uma vidraça algumas caixas metálicas bem grandes. Um médico aproxima-se dele e diz: - Os processos de mutação de órgãos já foram concluídos, todos os cadáveres já estão prontos para a fase 1 do nosso plano. Em apenas 7 dias eles já irão voltar à vida.

- Excelente. - Swan vira o rosto para o médico e diz: - Que comece o apocalipse.

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