Contos Minilua: O Ceifador #114

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O ceifador

Por: Lucas Rodrigues

26 de janeiro de 2005, a noite deste dia surgiu rápido, as ruas daquela pequena cidade já estavam se apagando, eram exatamente 23h00m, o cemitério da cidade estava prestes a fechar. O coveiro que ficava no cemitério até altas horas observando aquelas lápides em condições precárias e enterrando alguns corpos decidiu ir embora cedo naquele dia, ele olhou para o portão que dava entrada ao assombroso cemitério e ficou pasmo com toda aquela escuridão do lado de fora, nunca tinha visto uma noite tão sombria desde que seu pai se suicidou na sua frente em um dia de tempestade há 30 anos atrás.

Resolveu ir embora naquele instante, pois como as ruas estavam bastante escuras temeu que pudesse ser assaltado e abriu o portão e foi andando devagar com uma expressão triste e ao mesmo tempo de medo, medo da morte, ele acreditava em uma lenda que seu pai lhe contou quando tinha apenas 8 anos de idade e desde então desenvolveu o medo que lhe assombra todas as noites e o atormenta exageradamente.

Passa-se uma hora, era meia-noite, por incrível que pareça quanto mais as horas passavam o cemitério se tornava um ambiente completamente sombrio e macabro, eis que um grupo de jovens aspirantes à detetives decide adentrar no pavoroso local, eles eram quatro jovens, sadios, de boas aparências e bem vestidos, eles tinham um espírito aventureiro em comum.

Pedro, Flávia, André e Lívia, o quarteto entra junto no cemitério, André era o mais apavorado e não achava uma boa ideia visitar um lugar tão misterioso - André  - Acho melhor a gente voltar pra casa, não é bom visitar cemitérios à noite -  Pedro que era visto como o líder do grupo explicou para André o verdadeiro motivo de estarem ali   -  Pedro  - Deixa de ser medroso cara, nós viemos aqui por um único motivo. 

Flávia questiona pedro  -  Flávia  - A gente não vai desenterrar corpos né? Lívia diz em um tom de medo   -  Só de pensar nisso já me dá um frio na espinha, eu não quero passar por uma experiência dessas. Pedro começa a rir dos três e explica tudo em tom humorístico 

- Calma galera, a gente só vai investigar e tentar comprovar a existência de zumbis, só isso. Flávia reclama mal - educada  -  O quê!? ficou louco Pedro, não viemos aqui pra fazer aquela brincadeira do copo? (Flávia trazia consigo uma maleta cor-de-rosa com todos os apetrechos para a “brincadeira”) Pedro a responde  - Ah é mesmo, tinha me esquecido disso, podemos nos sentar aqui no chão. 

André que era fanático pela tal brincadeira avista em uma mesa de ferro próximo a um túmulo que parecia estar aberto, então ele diz  -  pessoal, olha ali, parece que é mesa ou sei lá, um objeto estranho. Pedro se aproxima do objeto, Flávia, Lívia e André o seguem devagar, quando chegam bem perto do objeto, dão de cara com uma mesa de ferro, parcialmente enferrujada e com bastante sangue por cima, Flávia e Lívia ficam horrorizadas.

Flávia reclama em voz alta  -  Nossa, mas o que é isso? Por que essa mesa tá cheia de…. sangue? Isso é sangue, não é?  Pedro diz em um tom sério  - É sangue sim, mas pelo que eu estou vendo, é uma espécie de mesa de tortura, usada para sacrifícios. Lívia pergunta apavorada  - Que…que tipos de sacrifícios? Pedro bastante sério e pálido responde  -  Para sacrifícios humanos… meus avós disseram que existia essa mesa aqui neste cemitério, mas eu nunca acreditei, eu achava que esse era um cemitério comum como todos os outros, mas pelo visto há algo de muito assustador nesse lugar. 

André começa a roer as unhas de tanto medo, Flávia percebe que estão em perigo e que precisam ir embora o mais rápido possível  - Galera, eu tô com um mau pressentimento, esse lugar tá me dando arrepios! Lívia se desespera  -  Eu não quero mais ficar aqui, eu tô morrendo de medo! Pedro tenta acalmá-las.

-  Calma, calma, vai ficar tudo bem, só precisamos achar o portão de onde a gente entrou. Um nevoeiro começa a se espalhar por todo o cemitério, o pânico toma conta do grupo que fica parado sem saber o que fazer, André começa a dar passos para trás e acaba pisando em uma mão, era a mão de um cadáver em estado de decomposição, André leva um susto e dá um grito de pavor assustando Pedro, Lívia e Flávia, o corpo estava pútrido e vermes saíam e entravam nos orifícios decompostos, Pedro ouve um zumbido ensurdecedor e grita como se estivesse morrendo, Flávia e Lívia tentam ajudá-lo mas Pedro gritava bastante alto e se debatia no chão de uma forma repugnante e doentia.

André começa a rezar chorando, o nevoeiro aumenta à medida que o medo de Flávia, Lívia e André aumentava, ouve-se uma voz que dizia: Minhas vítimas estão com medo? A voz era grave, distorcida e não parecia ser de um ser humano, o zumbido que Pedro estava escutando desaparece inexplicavelmente, ele se levanta um pouco tonto e pergunta 

- De quem é esta voz? Quem está aí? Em seguida ele se levanta, dá alguns passos para frente e grita  -  Quem é você!!! Uma sombra que dava uma sensação de temor aparece no meio do nevoeiro e na frente do grupo, depois ela ia tomando forma, parecia que estava aproximando, André estava pálido, caído no chão ele sentia a morte se aproximar, sentiu tanto medo que acabou vomitando desesperadamente.

Pedro se sentia intimidado ao ver aquela sombra apavorante que depois se revelou sendo uma espécie de “ser misterioso” envolto de uma mortalha de um preto bastante vivo e mostra uma arma, não era uma arma qualquer, era uma foice de quase dois metros e meio, aquela figura macabra se mostrava mais ameaçadora à medida que o tempo passava, até que ela decide proferir suas palavras.

- Estão preparados? Pedro pergunta ao ser  - Preparados pra quê? - Vocês já cumpriram suas missões, suas vidas acabam aqui. Não há como escapar, o destino de vocês estão traçados. Pedro começa a desafiá-lo  -   Eu não tenho medo de você, nós somos muitos jovens, temos um futuro em nossas mãos, não vamos nos submeter às suas ordens. 

O ceifador responde à altura: - O futuro que vocês imaginam são apenas momentos em que irão compartilhar os seus anseios e enfrentarem uma longa estrada de acontecimentos, o único futuro que realmente existe é a morte, eu sou o mensageiro deste fenômeno tão perfeito e inevitável para todos os mortais que habitam este mundo que não vale absolutamente nada para vocês.

Pedro o enfrenta novamente.  -  Está errado, a minha concepção sobre a morte é totalmente diferente e acredito que eu esteja certo.  O ceifador  fica furioso  -  Como ousa me questionar seu reles mortal, sua imperfeição só demonstra a sua inferioridade, assim como os seus amigos, veja como eles estão. Flávia, Lívia e André estavam acorrentados e amordaçados, as correntes continham espinhos que perfuravam a carne, os três tentam gritar por socorro para que Pedro os salve mas era inútil, as mordaças eram fortes demais e não saía um som sequer da boca dos três que choravam em desespero. Pedro observou aquela cena com horror misturado com ódio, faria de tudo para salvar seus amigos da morte, o ceifador diz:

-  Aceite a morte dos seus amigos, ele é mais do que certa, é verdadeira, não pense que está em um sonho, está vivendo o seu pior pesadelo!  Pedro demonstra sua raiva   -  Já chega!!!  Ele se ajoelha e começa a chorar  -  Deixe os meus amigos em paz, porquê está fazendo isso? O ceifador é sucinto  -  Por que é preciso, não se deve desafiar a morte, está fazendo o que nenhum outro mortal faria se estivesse diante de mim. Pedro toma coragem e decidi se sacrificar para que seus amigos continuem vivos 

- Me mate. Eu é que mereço morrer não os meus amigos. O ceifador fica curioso e pergunta  -  Está é a sua decisão? Quer se sacrificar para garantir a sobrevivência dos seus amigos?  Pedro está decidido  -  Sim! Eu quero morrer, em troca você deixa os meus amigos viverem em paz.  Então o ceifador pergunta  -  Sofrerão muito se perderem você, você quer ver seus amigos sofrerem por toda a eternidade? 

Pedro já não aguentava mais aquele momento   - AAAAHHH!!! Já chega, já chega, já chegaaaaa!!! Eu estou muito confuso! O ceifador continua  - O sofrimento dos seus amigos irá acabar quando eu matá-los, vamos aceite, não há outra alternativa, você continuará vivo, porém, será muito útil para mim. Pedro desconfiado, pergunta   -  O que você quer de mim?  O ceifador responde misterioso  -  Saberá mais tarde, mas você não verá mais os seus amigos novamente, vou matá-los agora mesmo. O ceifador se aproxima de Pedro e o toca no rosto, Pedro sente um arrepio imenso, o ceifador estava o hipnotizando, Pedro seria uma espécie de ajudante da morte se aceitasse a proposta, seus amigos estariam mortos, ainda havia uma esperança.

Um homem misterioso surge perto de um túmulo enorme com um crucifixo na mão, olhando fixamente para o ceifador, não dava pra vê-lo por causa da escuridão, ele se aproxima dizendo   -  Não vou deixar você fazer mais vítimas, sua criatura imunda, mandarei você de volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído! Continua…

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