Contos Minilua: Joachim Armster #17

E para participar do “contos”, não tem mistério. Envie seu e-mail para: jeff.gothic@gmail.com Os melhores, no caso, serão selecionados por nossa equipe, e claro, postados aqui, no Minilua.com! Uma ótima leitura!

                                                                 Joachim Armster

by: Arthur Henrique

Muitas pessoas dizem que mitos e lendas têm um pouco de veracidade. Isto é verdade, pois já foram encontrados vestígios de vampiros,  lobisomens e outros seres místicos, mas alguns simplesmente não acreditam.

Eu sou um desses vestígios… Eu sou um vampiro!

Para entender melhor, contarei uma história de como me tornei tal horrenda criatura sugadora de sangue humano.

Tudo começou em 17 de Janeiro de 1274 quando eu morava com minha bela esposa Sara Trantoul na Valáquia, Romênia. Eu, Joachim Armster, era uma pessoa humilde e simples, moradora de uma pequena vila afastada do reino. Tínhamos tudo o que queríamos: uma vida saudável, uma casa aconchegante e vizinhos agradáveis, incluindo uma senhora chamada Marin que tinha um dom magnífico: ela conseguia saber onde qualquer pessoa estava sem o intermédio de ninguém. Minha vida estava normal até o dia em que eu cheguei de mais um dia de trabalho e não encontrei Sara em casa.

Perguntei a todos os meus vizinhos sobre o paradeiro de Sara, mas ninguém sabia onde ela estava. Decidi ir perguntar a Marin, que me disse que ela estava na Floresta Sombria, uma floresta amaldiçoada onde sempre era noite. Rapidamente fui a tal floresta, e não demorei muito para encontrar o corpo de Sara ainda com vida em meio às árvores.

Ela me disse que um homem de aparência imponente chamado Walter foi à nossa casa e a convidou para morar com ele no castelo ali perto. Sara logicamente recusa sua oferta, mas antes que ela pudesse fechar a porta, Walter segurou-a pelo braço e a levou para o castelo. Chegando lá Walter ataca o pescoço de Sara, que sem entender pergunta o porquê daquilo. Walter revela que é um vampiro, o que deixa Sara assustada. Ela consegue escapar, mas já era tarde demais. Ela estava infectada e lhe restava poucos minutos até a transformação atingir o ápice. Subitamente, ela começa a se debater e me ataca violentamente, me mordendo e infectando meu sangue.

Infelizmente ela foge. Eu estava sentindo algo estranho dentro do meu corpo. Uma sede insana. Deduzi que eu já começara a me transformar. Corri para o castelo de Walter, mas chegando lá, um homem me impediu de entrar pelo portão. Ele se apresentou como Rinaldo e me disse que poderia me ajudar. Fiquei receoso de confiar nele, mas acabo concordando.

Ele me levou para sua cabana e me falou que viu tudo o que aconteceu. Rinaldo me oferece uma espada de titânio e um escudo, dizendo que sem aquele equipamento, eu não conseguiria matar Walter. Agradeci e fui com ele até o portão do castelo, mas antes que eu pudesse entrar ele me entrega uma poção para me ajudar a controlar minha sede por sangue.

Quando entrei no salão principal, cinco seres elementais me deram boas-vindas. No fundo aparece Walter. Ele me explica que para abrir a passagem para seu covil, eu deveria pegar os cinco medalhões elementais que estavam no pescoço de cada um dos elementais. Os elementais se apresentaram como: Marther, com o medalhão da Água; Lucy, com o medalhão do Fogo; Dethl, com o do Ar; Sleeper, com o da Terra e Legacy, com o medalhão do Espírito.

Walter se despede junto com os elementais, exceto por Marther, que não hesitou em me atacar. Rapidamente eu me esquivo do ataque e com um golpe certeiro, acerto o seu peito. Recupero meu fôlego e pego o medalhão da Água, que começa a brilhar num tom azulado. Minha espada também brilhava no mesmo tom. Algo atraía o medalhão para a espada igual um imã atrai o ferro. Solto os dois no chão e o medalhão se une à espada, deixando-a maior, mais forte e agora azul.

Pego minha espada e subo a escadaria no fundo da sala, chegando ao domínio de Lucy, que para minha sorte estava distraída olhando um morcego voar livremente pela janela. Silenciosamente, com a espada empunhada, desfiro um golpe fatal no pescoço de Lucy. O medalhão voa, caindo perto da escadaria. Agora o chão está banhado de sangue negro e viscoso como a noite que rondava aquele castelo. Sem demora, recolho o medalhão do Fogo, que igualmente ao primeiro, brilha, mas agora num tom de vermelho. Aproximo-o da espada e um raio de luz vermelho ilumina todo o recinto. Novamente a espada aumenta seu tamanho e força, e ganha uma nova cor, agora roxa. Percebo que cada medalhão aumenta o tamanho e a força da espada, e mistura uma cor a anterior.

Subo e encontro Dethl sentado lendo um livro. Ele me diz que não quer lutar, se aproximando de mim e me entregando o medalhão do Ar. Ele sai pela janela, mas volta me dizendo que Legacy pretende me atacar pelas costas. Combino o medalhão e a espada, que agora ganha uma cor lilás. Continuo subindo e encontro Sleeper dormindo. Chego perto e roubo o medalhão da Terra. Mais uma vez combino-os e agora uma cor verde-musgo se forma na espada.

Subi as escadas pensando no que Dethl me disse. Finalmente chego ao último andar da torre, que está vazio. Sinto a presença de alguém atrás de mim. Era legacy, que tentou me esfaquear pelas costas. Empunho minha espada, mas com um chute de Legacy na minha mão, ela cai longe de mim. Ele tira uma espada e investe contra mim, agora desarmado. Coloco meu escudo na minha frente, e Legacy acerta o escudo, fazendo sua espada também cair. Agora estamos desarmados. Legacy propõe uma luta justa, apenas com as mãos. Concordo com ele e lhe desfiro um soco no nariz.

Ele cambaleia para trás e tenta recuperar sua espada. Pego meu escudo e bato com força em sua cabeça, fazendo-o sair de perto da espada. Pego a espada dele e jogo pela janela. Corro para pegar minha espada. Legacy corre atrás de mim. Consigo pegar ela e viro-a para minhas costas, acertando a barriga de Legacy. Ele agora agoniza no chão. Aproximo-me dele e pego o medalhão elemental do Espírito. Resolvo não o matar, explicando que foi uma boa luta. Agora, a espada combinada com os cinco medalhões elementais, brilha num tom alaranjado como o pôr do sol. Surge então Dethl que me diz que para abrir a passagem para o covil de Walter, eu deveria retornar ao salão principal.

Chegando lá, Rinaldo me explica que devo colocar os medalhões nas cinco pontas de um pentagrama desenhado no chão. Coloco-os e as linhas do pentagrama soltam um raio forte de luz. Rinaldo me diz que não acreditava que eu fosse capaz de pegar os medalhões, mas é interrompido por Dethl, que me fala que apenas com uma espada especial eu conseguiria derrotar Walter. Perguntei-lhe como e ele me pediu minha espada. De início recusei, mas Rinaldo explica que só com uma espada forjada nas trevas seria capaz de tal feito. Entrego minha espada a Dethl, que a empunha e a crava no centro do pentagrama.

Subitamente, os cinco medalhões se unem a espada, que recebe uma coloração negra, mais negra que a noite que nos cercava. Rinaldo e Dethl evocam antigos sânscritos e a espada solta uma fumaça nauseante e fétida, resultante das almas mortas por Walter. Dethl retira a espada do pentagrama e me entrega. Dethl e Rinaldo fazem um ritual, e uma passagem se forma no centro do pentagrama, revelando uma escada. Rinaldo diz que aquela escada leva ao covil de Walter. Agradeço-os e desço pela escada.

Agora, apenas uma coisa estava na minha mente: acabar com a vida de Walter. Chego numa pequena sala quadrada vazia, exceto por um portal. Minha única escolha era entrar no portal. Deparo-me num lugar estranho, com Walter sentado num trono ao fundo, deliciando uma taça do mais fino vinho da Valáquia. Ele me diz que me saí muito bem na minha jornada, jogando a taça no chão e me atacando ferozmente. Ele me segura pelo pescoço, enquanto tento me soltar. Tento alcançar minha espada, mas em vão. Ele percebe e me joga contra a parede. De repente, tudo fica escuro. Só consigo ouvir a minha respiração. Uma luz surge e vejo Walter segurando minha espada, admirando-a.

A mão dele começa a queimar num fogo esverdeado. Imediatamente ele solta a espada, gritando de dor. Corro para pegá-la, mas Walter começa a lançar pedras em mim. Continuo seguindo meu percurso, me protegendo com meu escudo. Finalmente recupero minha espada, com o escudo na minha frente, vou chegando mais perto de Walter, que tenta se afastar, em vão, pois já está entre a lâmina da espada e a parede. Vou inserindo minha espada lentamente em sua boca. Uma tentativa de gritar surge, mas minha espada já perfurou sua nuca. Minha sede de vingança fala mais alto e finco a espada no coração impuro de Walter. Com minha vingança completa, retorno ao salão principal.

Rinaldo e Dethl estão me esperando. Um raio de sol entra pela janela. Digo a eles que vou sumir no mundo e que qualquer dia desses nos encontraríamos de novo. Dethl me pergunta para onde eu iria, lhe respondo que talvez para Londres. Saio pelo portão deixando para trás o castelo. Um rouxinol pousa no galho de uma árvore, anunciando o início de uma nova era…

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