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Contos Minilua: O Gato #223

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O gato

Por: Murilo Tavares

Trabalho em um escritório das 08h00 às 17h00 e volto quase sempre no mesmo horário. Faço quase sempre as mesmas coisas, tenho uma vida bem rotineira.

Dia desses sai para beber com os amigos e só voltei tarde da noite. Já estava bem escuro e quase não se ouvia barulhos no prédio onde moro. Estava bem tranquilo, mas quando cheguei perto do meu apartamento, fiquei horrorizado ao ouvir os sons que meu gato estava fazendo. Parecia que ele estava em agonia e sentindo muita dor. Abri a porta e os barulhos ficaram mais nítidos. Cortou-me o coração ouvir aquilo, a hora da morte estava se aproximando para ele.

A casa estava toda escura e quando tentei acender a luz da sala ela piscou e logo em seguida queimou, saiu até fumaça. Para mim estava tudo bem, eu não tive problemas em caminhar sem luz, o problema era aquele barulho. Meu gato gemia entre os tristes miados. Ele que sempre ficava na sala não estava, os miados vinham do meu quarto. Fui rapidamente para lá e tive a mesma surpresa de quando fui acender a luz da sala. Todas as luzes estavam queimadas.

Os miados estavam muito altos e eu muito preocupado. Eles vinham de um dos cantos do meu quarto e peguei o celular para iluminar o lugar. Assim que acendi a luz do celular os sons pararam. Quando iluminei o canto do quarto meu gato estava lá estirado no chão com os olhos abertos sem luz alguma. Foi muito triste.

Ele se chamava Tobi e nunca deixei que lhe faltasse nada. Sempre lhe dei carinho e tudo o que ele mais gostava de comer. Ele era meu companheiro para assistir televisão, estava sempre ao meu lado. Fiquei tão abalado que mal conseguia dormir.

Enterrei seu corpo no jardim que fica no fundo do meu escritório e fiz uma placa com seu nome. Quando voltei para casa e tentei acender as luzes que fui me lembrar das lâmpadas, mas para minha surpresa elas se acenderam normalmente, todas elas. Talvez tivesse sido algum problema no prédio. Tomei banho e fiquei assistindo televisão, dessa vez sem o Tobi.

Se na noite anterior eu dormi mal, nessa eu nem consegui. Quando me deitei na cama e olhei para o teto vi várias marcas de pata. Era impossível, naquele lugar não havia onde Tobi pudesse escalar e pelo rastro deixado ele tinha caminhado pelo teto.

Fiquei olhando aquilo até conseguir me levantar e ir para a sala assistir televisão e distrair minha cabeça. Quando estava mais tranquilo fiquei aterrorizado quando ouvi um miado vindo do meu quarto. Não tive coragem de ir ver antes de o sol nascer. Quando amanheceu e estava quase na hora de ir trabalhar eu revirei a casa toda procurando por um gato, tinha certeza que o miado foi dentro do meu quarto.

Chegando ao escritório a primeira coisa que notei foi que a placa do Tobi estava caída. Não aguentei, eu precisava me certificar e cavei para olhar dentro da caixa de sapato. Gelei de medo ao ver que ela estava vazia. O corpo dele não estava lá.

Passei o dia todo assustado e sem saber o que pensar. Cheguei em casa gelado e tremendo de medo. Para piorar tudo, enquanto assistia televisão a energia acabou e eu ouvi outro miado vindo do meu quarto. Corri com a luz do celular para ver o que era e quando me aproximei vi duas luzes vermelhas perto da minha cama, eu pude vê-lo, era o Tobi. Ele correu para debaixo da cama e a energia voltou. Quando fui ver não havia nada lá e as pegadas no teto haviam aumentado.

Passei a dormir com as luzes acesas e quando olhava para algum canto escuro eu podia ver aqueles olhos vermelhos me encarando.

Por um ano eu fui frequentemente ao psicólogo até que isso parou. Mas em uma noite eu acordei com os mesmos sons que eu ouvia quando chegava em casa e o encontrei morto. O barulho permaneceu por um bom tempo e quando me dei conta e olhei para baixo vi que meu peito estava todo arranhado. No dia seguinte comprei um cachorro. Até hoje ele nunca ouviu os miados que continuam me assombrando.