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Contos Minilua: Fenômeno Natural #274

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Hoje nós vamos apresentar para vocês um conto enviado pelo leitor Jonas Vinícius.
Boa leitura!

Fenômeno Natural

A noite já havia chegado, sua escuridão engolia todo um bairro residencial de uma zona metropolitana qualquer. Todos os cidadãos estavam aconchegados em suas casas, alguns assistiam ao jornal na televisão, outros navegavam na precária rede de internet disponibilizada para aquele subúrbio, alguns jantavam e a maioria estava em seus quartos deitados esperando de olhos abertos o transcorrer da noite, a espera de que nada de anormal acontecesse.

As horas foram passando, o ponteiro da maioria dos relógios marcavam as dez da noite, como era verão, um calor intenso reinava lá fora, mas, claro, muito menos intenso do que o sentido na parte da tarde, apesar disso grande parte das pessoas estavam com as janelas fechadas e trancadas e deitavam enroladas em cobertores que as superaqueciam, deixando-os suados, alguns tremiam dos pés a cabeça e os que não estavam assim trabalhavam na parte da noite e, consequentemente, estavam fora de casa. Cada minuto que passava as pessoas ficavam mais ofegantes, porém, mais estáticas, temendo pelo iminente.

Onze horas da noite, algumas pessoas, principalmente crianças e pré-adolescentes, já dormiam tranquilamente, todavia a maioria dos jovens e adultos, não. Os segundos eram contados com a mesma exatidão dos minutos pelas pessoas que ainda estavam acordadas. Meia hora passou, agora, idosos de setenta anos descansavam em um sono profundo, os demais permaneciam acordados, aguardando pela calamidade que seguirá a qualquer momento. O coração das pessoas batiam mais forte e uma minoria mais radical agarravam-se a bíblia e a crucifixos, todos esperavam, piamente, a chegada da meia-noite, foi então que novamente o caso aconteceu.

Meia-noite, o som do silêncio reinava nas ruas, as pessoas, muitas delas agora com um símbolo religioso na mão, escondiam-se em seus cobertores, ouvia-se o chilrear de alguns animais que tornavam o clima ainda mais mórbido. Alguns passos agora são ouvidos pela maioria que está acordada, depois, segue-se mais sons de passos, como de centenas de pessoas atravessando uma avenida, agora, algumas vozes eram ouvidas, pessoas conversavam alto naquela rua, suas vozes eram altas e aleatórias, como em um populoso centro comercial. Passou-se os passos e os sons, terminaram seis minutos depois do inicio da meia-noite, a maioria agora lançava aos prantos suas cobertas e deitavam de olhos semicerrados, uns dormiam e outros esperavam uma nova ocorrência.

Conto essa história como um participante desse evento, sou um cidadão anonimo dessa região, graças a Deus já não moro mais lá, contarei agora o motivo de tanto alarde. Todo o barulho escutado, passos e conversas, eram na verdade passos de pessoas que já morreram, principalmente de parentes daqueles que estavam acordados, a relatos também, de pessoas que conseguiram ver seus entes queridos no meio dessa confusão, alguns descreveram eles como espectros vestidos de brancos que caminham olhando em direção a janela de seus parentes ainda vivos, outros, uma parcela menor dos que tiveram coragem de averiguar o que sucedia, viram seus entes queridos que olhavam fixamente para o céu em direção a uma estrela que parecia pequena e demasiadamente “semelhantes a todas as outras estrelas” para ser notada por uma pessoa qualquer, e, para alguns extremos, para alguns observadores também.

Eu particularmente nunca ousei olhar para esse “evento”, dizem que quem olha comete suicídio, e de fato alguns casos assim aconteceram, outros passam por uma fase de muita prosperidade, casos semelhantes também ocorreram. Não sei em qual grupo acreditar, afinal, ambos são muitos distintos, a única coisa que sei é que em breve o bairro se tornará fantasma, e, obviamente, todas as pessoas que deixaram a região, e as que a deixarão da mesma forma, nunca saberão o que de fato é esse fenômeno.

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