Contos Minilua: Ele retorna (parte II) #137

Sim, e mais uma vez, contamos com vocês. O e-mail de contato: equipe@minilua.com! A todos, uma excelente leitura!




Ele retorna

Por: Aluízio Franco

O povo, paralisado e boquiaberto, contemplavam a fúria do “Deus encarnado” que esmigalhou o homem nédio com um raio divino. Alucinado com o acontecimento maluco, um pastor evangélico ergue o dedo em riste contra Jesus e exclama:
- Você é o Diabo, isso sim! O filho de Deus jamais faria uma coisa dessas contra nós!
Nesse momento JC fecha a cara e bate algumas palmas enquanto grita. - Parou! Pode parar!
O pastor calou-se e engoliu seco enquanto Jesus continuou.

- Não gostei, brother. Fiquei chateado. Começou a ofender a conversa muda! Partindo de quem vem me surpreendeu. Não pensei que logo você ficaria contra meus desígnios! Só por que o prefeito virou carne moída eu sou o Diabo? Aí fica muito fácil julgar! Sendo assim vou usar sua linha de raciocínio e dizer que só por que 0,03% da população humana matam pessoas, todo mundo é assassino.

Empolgado com a deixa de JC, o Pastor contestou e conduziu seu argumento.
- Mas está mais do que errada essa situação! O correto seria julgar um por um. E segundo diz a Bíblia, Deus irá salvar a todos. Porém, o que todo mundo viu aqui foi o prefeito explodindo igual a um balão de carne e gordura. Algo dessa magnitude nunca esteve tão longe de ser justiça. Está mais é para as cabriolagens do Tinhoso!

Com isso Jesus explodiu em gargalhadas. Ria de rolar no chão. Um espasmo de riso de cinco minutos. Com dores abdominais causadas pelos risos excessivos, JC se levanta para dar uma resposta ao Pastor.
- Caramba! Confesso que fazia tempo que não me divertia assim!- disse Jesus com a voz fina resultante da risada que ainda não parara. - “Cabriolagem do Tinhoso” foi a melhor do dia!

Acho que nenhuma outra vai superar essa! Ai, ai. Você é impagável, senhor Pastor. Muito bom! Devia ter sido é comediante, você conhece essas palavras engraçadas e tal. E já cobra por seus shows mesmo, então acho que está na profissão errada. Mas sobre o fato de você usar a Bíblia como escudo, Velho, nem rola.

O pastor irritou-se com aquelas palavras e indignou-se contra JC.
- Como assim “nem rola”? A Bíblia não é a palavra de Deus?
O “Criador” coçou a cabeça antes de responder e prosseguiu.

- Eu não escrevi nem assinei em lugar nenhum da Bíblia. disse Jesus. - Então não me responsabilizo por nada que esteja escrito nela. E, na boa, isso já está cansativo e eu queria destruir tudo logo, acabar com isso mais rápido. Oh! Pessoal, faz uma fila aqui na minha frente ou se aglomerem em pequenas turmas. Do jeito que for mais fácil para vocês. Já detono tudo aqui e vou pra próxima cidade, beleza?

Senão vou demorar demais por aqui. Sem contar que ainda tenho que passar em São Paulo. Rio de Janeiro então? Nossa! Aqueles morros e favelas, putz, aí fode tudo. Mas logo arrebento com tudo e vou embora.A massa estava estarrecida, sem palavras para descrever a desilusão que sentiam todos ao levar esse duro golpe do destino. Contudo o Pastor tentou uma última investida contra JC e seu pensamento destrutivo.

- Senhor! exaltou o religioso. - E quanto às nossas penitências? As clausuras que sofreram as freiras e os padres ou os votos de celibato? E quanto à nossa dedicação ao nome santo de Deus ou à sua memória? Nada disso conta ao nosso favor? Não parece muito justo esse julgamento que apenas nos condena.

O pastor sentiu-se um gigante diante de Jesus usando seu argumento. Em sua mente um discurso assim seria irrefutável. Era certo que JC aceitasse seus termos e os deixassem viver. No entanto o “Homem Santo” já estava com pouquíssima paciência para com o Pastor e dava sinais claros disso.

- Não te parece justo, não é?disse JC. - Qual o seu nome, camarada?
- Pastor Jeduilson Fagundes. - Respondeu o crente.
- Pois é Jeduilson, disse Jesus. - Sabe o quê não me parece justo? “Vender milagres” para os seus seguidores. Você que é Pastor deve ter lido alguma coisa a meu respeito e entendido que eu não cobrava por milagres e nunca tive um Shelby Mustang comprado com dinheiro do dízimo dos fiéis.

É isso que não me parece nem um pouco justo! Tem mais alguma coisa que você não acha justo, Pastor? Pode dizer! Diante disso o pastor se calou e se encolheu tentando evitar os olhares dos cidadãos que frequentavam sua igreja. Alguns deixavam bem claro para o pastor o desapontamento que sentiam e em leitura labial infalível, o religioso era insultado de ladrão e outros mais.

Contudo, se não bastasse isso, uma voz aguda irrompe lá dos fundos da multidão.
-Jesus! Cura-me, Senhor!
JC espantou-se e quis saber quem fazia tão absurdo pedido e eis que surge um garoto de mais ou menos doze anos de idade empurrando uma cadeira de rodas com uma mulher de ambas as pernas amputadas.
- Senhor! Devolve-me as pernas. Tenho cinco crianças para criar. Sofri um acidente e acabei perdendo as pernas. Meu marido morreu no acidente e ninguém me ajuda Senhor!

O Santo coloca a mão no rosto enquanto balança a cabeça negativamente. Em seguida aponta para a mulher e fala com a multidão antes de dar atenção a mulher.
- Estão vendo? É por essas e por outras! disse Jesus. Em seguida volta-se para a mulher. - Minha filha, olha, a história que você contou é comovente e tal, mas acho que você chegou meio atrasada aqui, pegou o bonde andando e não prestou atenção nas coisas.

Eu não vim salvar ninguém, minha Flor. Eu vou é tacar fogo em tudo. Desculpa, mas não vai rolar um milagre de última hora não. Mas pense na parte boa, vocês vão estar em paz! Morreu acabou. Simples assim.A mulher ficou chateada com tal resposta maldosa e foi logo tirando satisfações.

- O senhor vai mesmo matar uma aleijada? E que história é essa de “morreu acabou”?
- Qual o seu nome, moça? perguntou Jesus após soltar um longo suspiro de enfado enquanto coçava a testa.
- Cráudia dos Santos, Senhor. respondeu a mulher.
- Cláudia dos Santos? Repetiu JC em forma de pergunta corrigindo a pronúncia da aleijada.
- Não, Senhor. É “Cráudia”. Com “R” mesmo. Cráudia dos Santos, respondeu a mulher confirmando o próprio nome e deixando Jesus espantado com a estranheza do nome exótico.

- Nossa! Bom, Cráudia. Tem uns problemas aí na história que você contou hein! Você tem suas dificuldades e tal, é viúva, só que isso aconteceu porque você e seu falecido marido saíram para encher a cara e provocaram o tal acidente. A moça que estava no carro contra o qual vocês bateram era médica e estava indo trabalhar e acabou morrendo por sua culpa. Isso, sem contar que vez ou outra você e seu marido davam uns tapas num cigarrinho do “demoinho” também, não é? E vocês faziam isso na frente dos seus filhos que…

E nesse instante a aleijada interrompe Jesus bruscamente.
- Mas, Senhor, eu nunca pensei em fazer mal a ninguém e sempre respeitei minha família. Vícios todo mundo tem! disse a mulher na cadeira de rodas.
JC fechou o cenho e passou a mão pelo rosto para aliviar a tensão e então retomou.

- Cráudia, minha querida, prosseguiu Jesus com sua face exprimindo irritação pura. - Detesto quando as pessoas me interrompem! Eu interrompo as pessoas porque, foda-se, eu sou Jesus. E como eu dizia você sabia que corria o risco de provocar um acidente dirigindo com a caveira cheia e também, deixava seus bagulhos em qualquer lugar da casa e várias vezes você viu seu filho de doze anos chapado por descuido seu. Sendo assim, sua própria história te condena e invalida sua defesa fajuta.

Por essa razão deixo de sentir pena de você e passo a ter desprezo e reitero que não haverá milagres para você ou para qualquer outro! Sua condição é por culpa exclusivamente sua. Você mesma fez isso com você e sua família. A mulher na cadeira de rodas sentiu-se mais inválida do que nunca. No entanto revolveu prolongar a discussão.

- Tudo bem, Senhor. Já que não vai fazer milagres, só me resta aceitar de vez minha condição. Minha última esperança era um milagre seu. Tudo bem. Mas o senhor não respondeu o que eu perguntei. Que história foi essa de “morreu acabou”? E o reino do céu?

O “Príncipe da paz” que já estava de costas para a mulher volta a dar atenção, mas se surpreende com as questões da mulher. - Reino do céu? Que reino do céu? questionou Jesus.
- Ora qual! O reino do céu, prometido por Deus às almas dos homens pecadores arrependidos. Que está na bíblia e…Mas antes que a mulher continuasse, o “Arcanjo de luz” deu um grito enlouquecido que assustou a mulher e a todos.

- Não! berra JC escandalosamente, interrompendo a explicação da mulher sobre o reino encantado.- Outra vez isso! De novo a Bíblia? Você estava dormindo quando eu discuti com o Jeduilson agora a pouco? Que saco isso! Olha só, eu li a Bíblia, ta bom? Gostei da parte que fala sobre minha pessoa. Fiquei parecendo um filósofo e tal. Mas tem muita metáfora nesse livro e vocês não sabem interpretar essas coisas!

Gente! Pelo amor de mim! Não tem nada de reino de ouro com pedras preciosas e essas besteiras não! Isso aí é “El Dourado” e que por sinal também não existe. Vejam bem, essas coisas foram vocês mesmos que inventaram; por conta e risco.

- Mas então não existe o paraíso? berrou a mulher deficiente.- Eu passei a vida inteira indo à igreja, rezando e acreditando nisso e agora é mentira? Charlatão! JC cansado da insistência inútil daquela mulher coloca as mãos na cintura e resolve ignorá-la depois que lhe desse uma resposta sarcástica. Porém não seria tão fácil assim escapar da discussão com a mulher deficiente.

- Olha só, Cráudia, vamos fazer assim. Saindo daqui vou passar na cidade do “Não me importo com isso” e vou pegar o expresso “Foda-se o que você pensa” pode ser? É só me desejar boa viagem!_ disse Jesus e em seguida riu a gargalhar. Revoltada com a resposta e os risos esfuziantes de JC, a mulher resolve usar propostas pesadas contra ele.

- Bom; estamos todos, acho eu, entendendo que do senhor não ganharemos nada, a não ser raios na cabeça.
JC assentiu com enfado a frase da mulher.
- É… É mais ou menos por aí.ironizou Jesus.
- Se é assim, continuou a mulher. - Não vejo razão para aturarmos você e sua loucura. Vamos pegá-lo e crucificá-lo mais uma vez. Você é um só, “Super Man”! O quê te faz pensar que vai ser fácil abater todos nós?

Jesus retesou-se e olhou atentamente para a multidão que parecia ter adotado imediatamente a idéia da deficiente. Rancorosos e em grande número, esperavam realmente rechaçar Cristo.
Percebendo tal apatia partindo de todos na multidão, o “Homem de Deus” pende ao pensamento de acabar com tudo naquele momento. Contudo, a afronta da mulher sem pernas era impossível de ignorar.

- O que me faz pensar que posso abater todos vocês com extrema facilidade é o fato de eu ser quem sou!_ disse Jesus sem falsa modéstia. - Posso estalar os dedos e fritar todo mundo se eu quiser. É muita prepotência sua pensar que eu vou ter medo de uma multidão.

O “Arcanjo” olhava para a multidão com toda sua fúria e pronto para o ataque. Assim mesmo, desafiando a impaciência e o estopim curto do “Divino”, uma velha que vinha se apertando no meio da muvuca, saiu em frente a Jesus segurando um garoto pela mão e se dirige ao “Altíssimo”.
- Ô! Poderoso! Você diz não poder salvar ninguém, mas salve pelo menos as crianças - Pediu a pequena velha. Jesus apoiou as mãos na cintura e respondeu de forma seca e bruta à senhora.

- Não vou nem prolongar o assunto, dona! disse JC. diz seu nome, eu conto sua história e já te falo não. Vai rápido!
- Florinalva Caldeira, disse a dócil anciã.
- Dona Florinalva, a senhora teve dois filhos, desses dois, um morreu de descuido. Quando a senhora era moça, piriguete engravidou três vezes “sem querer querendo” e abortou as três vezes. Muito curioso justo a senhora defender crianças agora. O que aconteceu, a consciência pesou? repeliu JC de forma cruel se revoltando contra a mulher caquética.

A velha arquejou e olhou com os olhos cheios de lágrimas para Jesus.
- Sim, Senhor. disse a velha com a voz embargada minha consciência me atormenta e me envergonha. Veja rapaz, já estou com noventa de dois anos, talvez na beira da morte, mas por algum motivo eu ainda estou viva. Tudo o que fiz a vida inteira foi errar.

Errei com filhos e netos. Se o senhor me matasse seria um alívio para mim. Porém essa criança que está segurando minha mão nada tem a ver com o que eu fiz de errado. Ele sequer teve a chance de errar. Por isso, se quer queimar tudo e matar todo mundo, te peço que eu seja a próxima, já que o prefeito foi o primeiro. Mas as crianças não, meu jovem. Elas nada sabem sobre o pecado.

Pela primeira vez Jesus sentiu-se tocado pelas palavras de um humano.
- Dona Florinalva, crianças crescem. Elas são inocentes e eu concordo, mas logo perdem essa virtude e começa tudo de novo. Mais roubos, mais drogas, mais mortes. É sempre assim. A senhora, mesmo em seu gesto de boa ação, acha justo poupá-las agora para mais tarde tudo estar na mesma condição? A senhora prefere carregar a culpa de mais um erro antes de morrer do que me deixar sujar as mãos? É isso o que quer?

A velha balançou a cabeça assentindo. Com os olhos fechados aproximou-se um pouco mais de Jesus até sentir que ele lhe segurava a mão enquanto apoiava a outra mão sobre seu ombro cansado e dolorido.
- Sabe, rapaz, eu disse que passei a minha vida errando, mas não me dou ao luxo de me arrepender dos meus atos. Eu não acreditava em Deus até antes de o senhor chegar aqui. Nunca pisei em um templo sagrado para confessar meus pecados. Agora que estou te vendo, acredito, embora não queira que me perdoe ou me abençoe. Fui quem eu fui e fiz tudo o que fiz.

Essa era minha condição humana. Se agora estou lhe pedindo para que salve as crianças é porque ainda sou humana e estou sob minha condição. Aconteça o que acontecer isso faz parte de nós. É radioativo e vai nos encontrar em qualquer circunstância. Seja aqui ou no paraíso. E é por isso que entendo o que você disse. Não há mortos no paraíso, não há homens no céu! Estou pronta para partir, meu caro.

Pronta para ir para o inferno. Mas se o senhor disser que vai seguir com seus planos e acabar com tudo, então, mesmo eu com meus noventa e tantos anos, vou ter que te enfrentar.
A velha encarou JC enquanto ele lhe acariciava as mãos ásperas e nodosas de velha. Os argumentos da idosa foram válidos e ela podia ver resignação nos olhos da “Encarnação da Luz”. Ele iria poupar as crianças?

- Se é assim que quer, vou respeitar sua opinião quase poética, dona Florinalva. Esse seu sacrifício não espia seus pecados e depois que morrer irá para o mesmo buraco que os outros. Como eu disse antes, “morreu acabou”. Se essa é a condição de vocês… - Jesus parou de falar um instante, olhou para todos enquanto afastava-se da anciã, ergueu o dedo e apontou para a multidão e retomou seu discurso com sua voz reverberando em todos.

- Se essa condição humana está em cada coração, em cada humano, então não há salvação possível para nenhum homem na Terra e este mundo está condenado. Agora vejo que matá-los não resolverá o problema. Logo vocês voltariam e daqui a uns milhares de anos eu estaria de volta repetindo tudo de novo. Matem a Terra, destruam a casa de vocês, comam os restos que caem no chão. De agora em diante estão por conta própria. - Assim exclamou Cristo.

Um alívio assomou sobre todos os cidadãos. A velha ranzinza que cortava bolas de futebol dos garotos da rua onde morava, de certa forma salvou a todos. Ela disse o que JC queria ouvir. Sem desculpas, com sinceridade e desapego. Cristo aproximou-se mais uma vez da pequena velha e confessou em voz baixa.

- Tem um, porém, dona Florinalva. Se a senhora viesse me enfrentar mesmo, de sair na mão, eu não hesitaria em te dar um soco bem no meio da cara.
A velha sorriu e disse. - Eu sei, seu bastardo de merda. Mas eu furaria teu bucho antes que você pudesse entender o que está acontecendo. Te vejo no inferno, babaca!

E a mulher cheia de caquexia e com a cara carrancuda virou as costas e deixou Jesus totalmente espantado e sem reação. O “Escolhido”, com a cara enfarruscada e chateado pela bronca da velha carcomida, decidiu por deixar a humanidade se ferrar sozinha e foi despedir-se.

- Escuta, galera! gritou o “Iluminado” chamando a atenção de todos. - Ficamos assim então. Eu vou embora e não vou matar ninguém, ok? Fodam-se todos vocês! Principalmente a dona Florinalva que está me mostrando o dedo do meio. Eu estou vendo, dona Florinalva! Fica tranquila que eu vou te mandar um fim bem horrível!

Enfim, não vou brigar com essa velha filha da puta, porque sei que sou bem melhor que isso. O que quero dizer é que vou deixar vocês resolverem as picas de vocês sozinhos. Não vou interferir em qualquer assunto e vocês não vão pisar nem na calçada do Paraíso! E antes que você pergunte de novo com essa sua voz irritante, Cráudia, existe sim, um lugar “muito massa” chamado de paraíso que é onde a luz do conforto se encontra.

Lá é um lugar para ficar feliz, em paz e sem preocupação. Bom, vou nessa então e provavelmente nunca mais volto aqui. Se quiser enfiar a Terra no rabo eu não vou impedir, só espero que caiba.
Antes que Jesus subisse de volta aos céus uma voz desesperada gritou.

- Espera! E o prefeito? Ressuscita o prefeito!
Jesus completamente chateado e angustiado presta atenção à mulher aflita.
- Seu nome, moça!
- Margarida Flores de Jesus respondeu a mulher com voz de choro.
- Ah! A mulher do prefeito, só podia.diz JC. Ele olha para a multidão e pergunta: - Alguém mais quer que o prefeito volte?

Ninguém levantou a mão ou falou algo, a não ser a viúva do prefeito. Um silêncio tumular pairava.
- Margarida, disse o “Prodígio”. - Foi unanimidade! O prefeito já era.
A mulher colocou as mãos no rosto e voltou a chorar alto e penosamente enquanto se afastava da presença de Jesus, correndo para o meio da multidão.

JC achou a cena ridícula e ainda fez uma piada de gosto duvidoso.
- Agradece os seus amigos e cidadãos, Margarida. Ironizou JC. - O povão gostava tanto dele que acha melhor ele se foder sozinho no inferno.
E voltando-se para a massa de pessoas ele disse:

- Agora eu vou embora e o próximo babaca que me chamar a atenção eu torro com um raio! Adeus!
Assim, com todos quietos e psicologicamente abalados, JC faz o “Moonwalker” e termina com o outro passinho do Michael Jackson, ficando na ponta dos pés enquanto segurava os testículos e dando um gritinho agudo, imitando o rei do POP Norte Americano.

- Sou fã do cara que inventou isso! disse Jesus sorrindo.
O céu brilhou de repente com uma luz imensamente forte. Novamente formaram-se nuvens e mais uma vez elas se abriram para então Jesus subir de braços abertos para todos enquanto sua túnica dançava ao sabor do vento, o que fazia com que todos reparassem que o Santo não estava usando cueca.

O céu volta a se aquietar e a população aos poucos retorna às suas atividades pensando “Mas que merda aconteceu aqui?”. No final das contas, a humanidade jamais imaginaria que o regresso do “Filho de Deus” seria assim tão perturbador e ocorreria justo em um rincão qualquer do Brasil.Quatro meses depois desse ocorrido, o novo prefeito já estava ocupando o gabinete da comunidade e a praça estava sendo rigorosamente reformada.

A história do retorno de Cristo naquela cidadezinha foi abafada pelos cidadãos a pedido do novo prefeito, pois o medo de uma retaliação de Jesus era grande. Muito longe da Terra, nas portas de OURO do paraíso, uma velhinha mal humorada acabava de chegar e quem fez questão de recebê-la foi ninguém menos que Jesus.

JC dá altas gargalhadas ao ouvir a história que dona Florinalva lhe conta sobre sua passagem na Terra. Ele revela à velha que, na realidade, quem desceu à Terra não havia sido Jesus, mas sim seu irmão chamado “Lúcifer”. Isso aconteceu, pois Jesus perdeu uma aposta para Lúcifer e assim sendo teve de permitir que o “Arcanjo Negro” tomasse sua forma e seus poderes por um tempo e descesse na Terra para barbarizar um único lugar onde o dedo de Lúcifer apontasse no globo terrestre.

Fim.

Receba mais em seu e-mail
Carregar mais
Topo