Minilua

Contos Minilua: Amor perfeito #102

Sim, e para participar, é muito fácil: Envie o seu texto para: Jeff.gothic@gmail.com! A todos, uma excelente semana!

Amor perfeito

Por: Natália de Oliveira

Eu consigo”, pensou Todd Downey servindo-se de mais um milho da tigela fumegante, “E sei que com o tempo a morte dela vai ser um mistério até para mim.” – Stephen King (Janela Secreta, Jardim Secreto).

Nenhuma mulher merece tanta confiança á ponto de deixar um homem cego.” Nathan Heweet havia lido essa frase muito tempo atrás em um livro (ou havia visto em um filme, não sabia ao certo) e nunca esquecera. Na verdade, essa frase pipocava em sua cabeça, ali sentado naquele bar, depois de ter entornado meia garrafa de Whisky.

Nunca antes aquela simples frase lhe fez tanto sentido como agora. O motivo pelo qual estava sentado no balcão daquele bar beira-de-estrada ás duas da manhã, secando (pela primeira vez na vida) uma garrafa de whisky era bem simples: estava decidindo se se mataria ou mataria Elizabeth.

A ideia da morte prematura de Elizabeth vinha crescendo dentro dele fazia um tempo, mas não tão forte e com certeza não com tanta convicção quanto desde aquela tarde, mas primeiro entendam tudo o que levou á isso:

Nathan a amou, sim, durante muito tempo, mas Elizabeth era o que se podia chamar de espirito livre (entendam como quiser). O fato, é que há muito tempo as coisas não estavam bem no paraíso. As labaredas do amor que uma vez sentiram um pelo outro se resumiam á meras faíscas agora. Talvez o costume e a comodidade fizessem com que não considerassem o divórcio. Talvez tivesse sido melhor se considerassem.

A coisa desandou de vez naquela tarde. Nathan chegara de uma viagem de ao norte um dia mais cedo do que o previsto. Ele não havia ligado para a esposa avisando, pois durante essa semana fora, ele descobriu que a amava ainda e que queria reconquistá-la. Empolgado, ele decidiu que faria uma surpresa. Passou numa floricultura, comprou rosas, chocolates, o cliché todo, ansioso como um adolescente.

Sua casa era quase como uma casa de campo, á beira de um lago cristalino, bem afastada da cidade, sem nenhum vizinho por perto. Esse foi um detalhe que lhe fez comprar aquela casa quando as coisas ainda iam bem, a quietude. Elizabeth escrevia livros e estava em vias de se tornar famosa e ele comprara a casa para ela. Tudo por ela.

Quando chegara naquela tarde, não fez barulho ao entrar na casa, e a primeira coisa que notou foi que Elizabeth não estava em sua mesa de trabalho que ficava ali na sala como costumava ficar. Nathan chegava todos os dias do trabalho na Escola Primária e ela estava lá escrevendo em sua mesa. Ela apenas levantava a cabeça e lhe lançava um beijinho. Ele ouviu um barulho vindo de lá de cima, do segundo andar, provavelmente de seu quarto, e com as flores e o chocolate em mãos silenciosamente subiu a escada.

O barulho vinha de seu quarto sim. Ele caminhou pelo corredor e chegou até a porta, abrindo-a devagar e só um pouquinho. Elizabeth estava transando com Charles Rhodes, um mecânico nojento da região, executando uma posição que só poderia ser descrita como contorcida.

Eles não perceberam Nathan ali. Nem ele teve sequer uma reação. Não fez escândalo nem nada parecido, apenas afastou-se ainda sem fazer ruído, desceu a escada, saiu da casa e entrou em seu carro. Dirigiu seu carro durante horas e parou naquele bar. “Nenhuma mulher merece tanta confiança á ponto de deixar um homem cego.” Varias coisas passaram pela sua cabeça enquanto bebia, chorando como uma criança.

Pensou em sair do bar, deitar na estrada e deixar que um caminhão de quatorze rodas pusesse um fim á sua miséria. Foi então que uma ideia lhe ocorreu doce como um bálsamo, uma epifania, como se de repente lhe fosse confidenciada uma verdade universal: Quem deveria morrer, era Elizabeth.

A vida inteira Nathan acreditara que era amado por aquela vadia. Ela devia rir pelas suas costas durante anos, quem sabe com quantos? E porquê ele deveria dar essa satisfação á ela? Ela, Elizabeth era a infiel, a maçã podre do cesto. Mataria Elizabeth, a mataria e a enterraria onde ninguém saberia.

Perfeito.

Nathan esperou, ele não tinha pressa. Voltou para casa na manhã seguinte, no horário previsto, ainda com as flores e o chocolate, e quem diria, Elizabeth ainda não fazia ideia de que ele havia pegado ela no flagra. Durante os dias que se seguiram Nathan demonstrou-se o melhor dos maridos, não estava descontente, chateado ou com nenhuma das emoções pertinentes á um evento como esse.

Na verdade era só sorrisos, deliciando-se com a ideia que crescia em sua cabeça. Divertia-se mais ainda quando a via andar pela casa, preparar o jantar e lhe jogar o costumeiro beijinho de sua mesa de trabalho na sala e em todas essas vezes ele pensava: Sua Vadia!

Ele não tinha pressa, era paciente, esperaria o momento perfeito chegar, e ele chegou sim, algumas semanas depois, quando Elizabeth disse que sua irmã que morava do outro lado do país estava prestes á dar a luz á sua primeira sobrinha e que por tanto, iria ficar com ela um tempinho. Iria de carro e sozinha.

Perfeito.

Quando chegou o dia de partir, uma forte chuva era esperada, e a estrada ficaria escorregadia e perigosa. Nathan já havia pensado em tudo. Em como aconteceria, a cara que devia fazer quando a polícia o interrogasse, tudo o que de deveria fazer. Assombrou-se com a praticidade de sua mente.

Perfeito.

Elizabeth arrumou uma pequena mala e ia sair no começo daquela tarde. Nathan disse que não iria por que ainda era época de provas e não podia se ausentar da escola, tudo para que quando fosse notada a falta de Elizabeth, todo mundo soubesse que ele não estava com ela.

Naquele começo de tarde fazia um sol bem gostoso, em comparação com as nuvens escuras que se aproximavam. Os dois estavam de braços dados, caminhando na trilha de ladrilhos da entrada de carros. A bagagem já havia sido arrumada no porta malas e agora eles se despediam.

– Vou sentir sua falta, amor. – ela disse enquanto caminha em direção ao carro estacionado na entrada de carros da casa.

– Eu também vou. – ele a acompanhava.

– Tem certeza de que não quer vir comigo? – Elizabeth insistiu mais uma vez.

– Não, obrigado.

– Tudo bem, então. – Ele lhe deu um beijinho estalado nos lábios e entrou no carro, no banco do motorista. Nathan esperou que ela desse a partida e foi só, tudo o que ocorreu depois disso foi muito rápido.

Com o cotovelo, ele quebrou o vidro da janela do carro e ele esfarelou, como sempre com vidros automobilísticos. Puxando-a pelos cabelos com violência através da janela quebrada, ela a tirou do carro e a jogou no chão. Outra vez pegando-a pelos cabelos ele vinha arrastando ela em direção á casa.

– Não! – ela gritava confusa e amedrontada. – Nathan!

– Amorzinho, acho que chegou a hora de discutir a relação. – ele disse cínico. – Quero discutir os termos do nosso divórcio.

– Me solta! – Ele gritou – Socorro!

– Você esqueceu de onde nós estamos? Sério. Não tem ninguém aqui além de nós. É Melhor ficar quieta, para poupar ar, sabe.

Ele a arrastava casa á dentro, e como ela se debatia, ele parou no meio da sala.

– Eu disse para ficar quieta!

Ele lhe deu uns três socos bem no rosto, para que ela ficasse quieta. Continuando a linha de raciocínio, ele a conduzia até a porta do porão.

– Não! – Ela gritou. – Não!

– Agora você vai ficar de castigo um pouquinho.

Ele bateu a cabeça dela contra a parede e ela desmaiou. Ele abriu a porta do porão e a jogou lá dentro, onde ela rolou os dez degraus da pequena escada do porão. Ele trancou a porta.

Em uma palavra, Nathan se sentia esplêndido.

Perfeito

Ele respirou fundo, sentindo o cheiro da chuva que chegava, ele adorava isso. Com calma ela saiu da casa, voltando ao carro e olhou para o chão cheio dos cacos de vidro do ataque violento. Como em um ritual, ele recolheu caco por caco, todos, sem esquecer de nenhum, embrulhou-os em um lenço branco de linho que sempre trazia no bolso e no bolso ele colocou o precioso pacote.

Nathan entrou no carro, e como a chave ainda se encontrava no contato, ele deu a partida e dirigiu até bem longe, onde a estrada ficava deserta e “perigosa”. Ele desceu do carro, depositou cuidadosamente os cacos de vidro no chão, á frente da porta do motorista com o vidro quebrado, armando o cenário. Em sua cabeça estava tudo planejado:

Ela saíra de carro e sozinha para cruzar o país. Em dado momento, fora abordada na estrada por algum louco e havia sido atacada, ele teria quebrado o vidro e a tirado do carro, sumindo com ela, desaparecendo para sempre e deixando o pobre e fiel marido (agora declarado viúvo) para viver sua vida em “tristeza”.

Voltou á pé para casa e no meio daquela noite escura, não foi visto. Até a chuva que ameaçava cair parecia esperar que ele chegasse em casa, encarou isso como mais um sinal de que o que estava fazendo era justo e certo.

Quando finalmente chegou em casa estava quase amanhecendo, mas ele não se sentia cansado, de forma nenhuma. Abriu a porta do porão e vendo que ela ainda não havia acordado, a amarrou com os braços para trás á uma viga de madeira e a amordaçou. Ele iria se divertir muito com isso!

Aquele foi um dia branquíssimo. Ele subiu as escadas, tomou um belo banho, e nesse momento deliciava-se outra vez com seu plano. Desceu, preparou algo para comer. E só desceu lá no porão de novo horas depois.

Dessa vez, ela estava acordada. Estava amarrada á viga, sentada no chão com as pernas estiradas como uma boneca de pano encostada numa cômoda. Seus olhos estavam arregalados e vertiam lágrimas. Seu cabelo estava desgrenhado e ele podia notar pelo dano da mordaça que ela estava acordada e tentando se soltar já fazia um tempo. Não que a mordaça seja lá importante para que terceiros não a ouvissem, só não queria ficar ouvindo a voz estridente dela agora que não precisava mais aturar Elizabeth.

– Olá querida. – ele disse agachando-se á sua frente.

Ela grunhiu.

– O que? Não consigo te ouvir. – Nathan a provocou e sorriu.

Ela grunhiu de novo e mais uma vez tentava se soltar, inclinando o corpo para frente e mordendo a mordaça. Revirando os olhos, ele se aproximou mais dela e tocou na mordaça. Ela virou o rosto em pavor.

– Eu vou tirar isso de você por que eu quero conversar com você. Mas se falar mais alto do que um sussurro vou quebrar seus dedos, todos, e vou continuar a quebrar o que me der na telha enquanto você continuar gritando. Me entendeu?

Ela pareceu pensar um pouco e por fim fez um trêmulo “sim” com a cabeça. Nathan abaixou a mordaça de forma que ela ficasse pendurada no pescoço de Elizabeth como um colar de tecido rasgado. Os cantos da boca dela traziam cortes devido a força inútil de tentar se soltar e ela movimentava para lá e para cá o maxilar dolorido.

– Você é louco! – ela sibilou, realmente em sussurro.

– Nunca estive tão lucido. – ele rebateu calmamente.

– O que foi que eu fiz para…

– É sério que você está me perguntando isso? O que você fez? Nada lhe ocorre? – o semblante dele era sereno.

– Nathan, me solta!

– O que eu quero saber, e esse é o único motivo pelo qual eu tirei sua mordaça, é por que não me deixou?

– O que… ? – ela parecia confusa, mas seu olhar seguinte denotava que ela sabia que ele tinha descoberto sua pulada de cerca.

– Se estava trepando com outro cara, é por que algo estava errado. Então por que não me deixou então? Eu iria entender, ficaria bravo, mas iria entender. – esse foi o único momento em que a voz dele pareceu balançar. – O que eu não admito, é que tenha me feito de idiota, ainda mais com aquele porco do Charles Rhodes. Ele tem o quê, 150 quilos e o dobro da sua idade. – ele estava enojado. – Porque não me deixou antes de trazer aquele bacon ambulante para a minha cama?

Elizabeth desviou o olhar. Vertia lagrimas pelos olhos e parecia totalmente envergonhada.

– Ou você me responde, ou eu começo com o seu dedo indicador.

– Por que me deu vontade, por isso.  – ela o fuzilou com os olhos. – Por que ele me chamou de gostosa quando fui pegar o carro aquele dia. Precisava de mais motivo?

– Você é mesmo uma vadia.

– E você é um filho da puta!

Outra vez ele ajeitou a mordaça na boca dela que se debateu e outra vez ficando calmo, afastou-se dela e a ficou olhando debater-se inutilmente.

– Eu vou deixar você aqui, nesse porão. Adoraria poder ficar para ver você definhar, mas sabe como é, tenho que dar as devidas explicações para a polícia, para a sua família, preparar seu funeral simbólico já que ninguém vai encontrar seu corpo, todas essas coisas chatas. – então ele se aproximou dela. – E estou fazendo isso, por que me deu vontade. Preciso de mais motivo?

       Ele virou as costas e subiu os dez degraus da escada do porão e fechou a porta, trancando-a em seguida. Encostado á porta ele ouvia os grunhidos de Elizabeth e se sentiu muito bem.

Perfeito.

Como o esperado, dois dias depois encontraram o carro de Elizabeth na estrada, como o cenário do crime estava perfeito, ninguém teve duvida da versão aparente, de que ela havia sido atacada e agora estava desaparecida e como havia ocorrido á quilômetros da casa, ninguém foi investigar a casa, nem o porão.  Uma dupla de policias foi até ele para dar a notícia, e se algum integrante da academia estivesse assistindo, ele teria ganho o Oscar de Melhor Ator, pela sua interpretação incrível do viúvo no filme “O dia em que minha mulher me deixou”.

Com todo o teatro armado, Nathan recebeu ligações de condolências de praticamente toda a família de Elizabeth. Semanas se passaram até que ele resolvesse abrir a porta do porão novamente. A cena que encontrou lá embaixo era deprimente: Elizabeth estava morta, claro, havia mastigado os lábios devido a fome, ficando com um sorriso eterno.

O cheiro de carne em decomposição não era tão forte, pois as paredes frias deram um jeito de conservar o cadáver, de certa forma agindo como uma geladeira. Ele se aproximou dela e enrolou os dedos em seus cabelos, com uma pontada no coração.

– O Amor que senti por você era perfeito.

Esse momento durou alguns segundos apenas. Logo, Nathan estava tão frio quanto a própria Elizabeth. Ele pegou uma pá e como o chão do porão era de terra mesmo, ali ele cavou uma tumba para Elizabeth. Á cada investida contra a terra, Nathan sentia-se cada vez mais empolgado e renovado. Vigorosamente ele cavou a tarde inteira, cavando um buraco bem fundo. Depois disso, ele a enrolou em um lençol e a depositou na cova nova jogando a terra por cima da esposa que matara.

Quando terminou de jogar a terra por cima e deixar o chão bem reto, arrastou um pesado armário de forma que ele ficasse em cima da cova precária, ocultando-o para sempre. Saiu do porão, trancou a porta, saiu na varanda com a chave do porão em mãos e a jogou no lago. Ela quicou três vezes antes de afundar. Uma paz, um sentimento muito bom e acolhedor se apossava dele agora que havia feito o que devia fazer.

Perfeito

Mais á noitinha, sentado em sua poltrona na sala ele sorvia mais um pouco do liquido quente da xícara de café em suas mãos. Olhava para a porta do porão com um sorriso de paz. Tudo estava perfeito.

Um dia de trabalho duro como aquele deveria ter seu merecido descanso. Como já era de noite, ele resolveu que já era hora de dormir. Mais uma vez ele subiu as escadas para ir dormir sozinho na cama grande que agora era só dele e de uma ocasional amiga de foda. Deitou-se e fechou os olhos na escuridão do seu quarto.

Tac

Ouviu então nesse momento um estalo lá no andar de baixo. Não era um ruído a alto, era baixo, um estalido. Empertigou-se na cama ainda e apurou os ouvidos para ouvir melhor e não ouviu mais nada. Deixando para lá, deitou-se novamente e fechou os olhos.

Tac

Outro estalo, um pouco mais alto. De novo, Nathan estava em alerta e ficou ouvindo. O que será que estava acontecendo lá embaixo?

BAM

Agora era um estrondo, como de uma porta sendo arrombada. “Tem alguém na minha casa!” Nathan pensou. Rápida e silenciosamente ele se levantou e pegou o taco de beisebol que sempre mantinha ao lado da cama para ocasiões como essa. Ficou escutando atrás de sua porta por um tempo, mas agora não ouvia nada. “Que droga!”.

Com cuidado, abriu a porta de seu quarto e começou a descer a escada, com o taco em riste e respiração ofegante. Que coisa, não havia pestanejado para matar sua mulher, e agora estava quase se borrando por um ladrãozinho de quinta! Iria acabar com ele.

Observou a sala de estar, iluminada pelo reflexo da lua da água do lago e aquilo em primeira vista lhe pareceu assustador. Estava tudo quieto, caminhou pela sala e se deteve na frente da porta do porão. A porta estava escancarada!

– Ah, não. – ele disse sozinho.

Um pensamento de que a policia estivesse lá embaixo lhe assaltou de forma devastadora e se paralisou. Droga, como ficaram sabendo? Seu plano era perfeito! Sem querer admitir que estava tremendo, ele se aproximou da porta escancarada. Ascendeu a luz pelo interruptor que ficava no topo da escada e desceu para o porão devagar.

Tudo parecia normal, não havia ninguém lá. O chão e o pesado armário estavam do mesmo jeitinho que havia deixado aquela tarde. Ouviu então nesse momento passos na sala, passos arrastados, como se alguma coisa molhada e pesada estivesse se arrastando na sala. Outra vez ele se apavorou, mas tinha que manter o foco, seja que fosse iria aprender a não invadir a casa dos outros.

       Voltou para a base da escada e paralisou. Um grito de horror veio até sua garganta, mas ele não conseguiu gritar. Lá em cima, no topo da escada, estava Elizabeth, com os lábios comidos, suja e molhada, com lodo escorrendo pelo corpo todo. Seus olhos eram brancos, opacos e vazios.

– Meu Deus…   – Nathan murmurou.

Ela estava Morta! Morta! Isso não podia ser verdade, estava alucinando, só podia ser. Ou ela poderia estar viva afinal. Mas como se a enterrara e colocara o armário em cima da cova, ela não tinha como sair. Ela estava Morta!

– O amor que eu sentia por você também era perfeito. – ela disse com voz etérea.

Ela tinha algo nas mãos, algo que ela segurava com força. Então ela levantou a mão e uma coisa reluzente á luz balançou pequena entre seus dedos, era a chave! Ela havia ido até o lago e pegado a chave do porão. Sem mais, ela deu um passo para trás e bateu a porta com um estrondo fantasmagórico.

– Não! – Nathan gritou enquanto corria escada acima.

A porta estava trancada. Ele forçou a porta, varias vezes, clamando para que Elizabeth o deixasse sair, mas não havia o menor ruído na sala, ela não estava mais ali.

– Alguém vai me encontrar, – Ele murmurou por entre lágrimas – Alguém vai me encontrar…

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