Contos Minilua: Alucinações ou não? #107

Lembrando que, todos os gêneros são aceitos: terror, suspense, mistério. Enfim, sinta-se a vontade para participar. E-mail de contato: Jeff.gothic@gmail.com!




Alucinações ou não?

Por: Marcie de Andrade

Mais uma tarde monótona de outono, mas isso não é uma reclamação! O outono costumava ser a minha estação preferida do ano… Desafortunadamente, isto ficou para trás. Os dias tranquilos de outrora já não me trazem boas recordações, pois foi em um deles que esse pesadelo começou…

Era para ser só mais uma tarde comum, eu estava decidida a dar um passeio até a praça e foi o que fiz. Caminhava distraidamente, quando percebi que o tempo começava a se fechar, como se estivesse anunciando os terríveis eventos vindouros… Eu não sei como, foi tudo tão repentino…

Eu já ia voltar para casa, quando algo me chamou a atenção: quem eram aquelas pessoas? Eram tantas! A velha praça da cidade estava… Aquilo não podia ser real, eu não podia acreditar no que via. Definitivamente, parecia um pesadelo que vinha à tona! Todos tinham uma aparência tão monstruosa, tão surpreendentemente insana; não seria exagero dizer que todos os personagens que me causavam medo estavam ali, reunidos.

Eu sempre fora uma garota imaginativa demais, surrealista demais e, talvez, isso tenha me levado a criar coragem para me aproximar e ver de perto aquele circo de horrores. Não, meus olhos não podiam me enganar tanto, eles estavam ali.. “Pessoas” que pareciam ter saído de algum filme de terror incrivelmente bizarro. O que eu estou dizendo?! Elas não compunham um elenco, eram reais e estavam ali misturados com civis inocentes…

Pobre garotinho, quem poderia prever que naquele brinquedo aparentemente inofensivo estava contida uma arma tão perigosa? Eu, eu previ. Eu sabia que em pouco tempo ele iria descobrir o poder que trazia oculto em si. O tempo parecia fora do curso normal… Ele e sua motosserra já faziam vítimas!

Eu tentei alertar. Minha mãe, tentei fazê-la entender, mas ela não me ouviu, soltou a minha mão e naquele momento eu soube que estava sozinha. As pessoas já não se divertiam com o espetáculo dos personagens misteriosos e assustadores, ao contrário, tentavam fugir…

Lotavam ônibus, carros ou qualquer coisa que pudesse tirá-los dali.

Eu corri em direção ao prédio mais alto, subi as escadas de encontro com o desconhecido… Eu via naquele lugar o meu refúgio, até que minha mãe ressurgiu, resolveu me escutar. Estávamos as duas trancando as portas o mais depressa possível, mas fomos surpreendidas por uma dupla de oportunistas que a fizeram de refém.

Corajosa – além do normal - eu negociei sua liberdade com a moça que portava uma faca pressionada contra seu peito; ela e seu parceiro poderiam ficar ali desde que nos ajudassem a obter mantimentos. Contudo, assim que entramos em um acordo, ele apareceu… Não sei como descrever um ser tão horrível…

Ele tinha o poder de acabar com tudo o que estava a sua volta, era como se, de repente, tudo deixasse de estar ali. Um tiro de sua arma viral e a pobre moça já se encontrava aniquilada, destruída para sempre.. Era mais uma das criaturas lá fora…

Por que eu? Ele me mantinha intacta, a única que ele fazia questão de cuidar. Eu era levada por ele pelos caminhos conhecidos de tempos mais felizes, ele me envolvia com seu braço forte e mostrava-me as atrocidades que cometia como se representassem um feito heroico. Como encará-lo? Eu mal conseguia suportar seu toque!

Enfim, chegamos a uma antiga casa do centro da cidade, onde estavam reunidas várias pessoas ainda normais dentro de uma espécie de gaiola, rodeadas pelos já infectados pelo mal. Ele me pediu que sentasse e assistisse a tudo como a convidada de honra em uma festa especial; contava-me seus planos…

Fui obrigada a puxar uma alavanca postada a minha frente, mas como eu poderia saber?! O rapaz louro e extremamente gordo teve seu fim imediato: seu corpo todo foi encoberto por chamas vindas de algum lugar… Aqueles espetáculos de terror eram tão brutais, eu estava em um estado indescritível.

Mais tarde, ele tirou a sua máscara para mim. Sim, ele usava uma máscara que ocultava uma beleza que eu jamais havia visto! Como era possível haver tanta maldade?

Eu precisava perguntar “quando esse pesadelo vai acabar?”. Fazendo isso, muitos riram de mim, outros me apontaram indignados, como se eu fosse culpada por tudo aquilo, mas a resposta veio da boca dele: “está apenas começando meu amor…”.

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