Contos Minilua: A lua de mel do vaga-lume #187

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A lua de mel do vaga-lume

Por: José Luiz Braz

Bom, isto não é um conto infantil, muito menos erótico, é uma estória de um passado presente, um conto de amor, pois creio, que todo mundo já viveu, sofreu um grande amor e quanto maior este amor, maior a dor… O título é simplesmente para chamar sua atenção.

Era aproximadamente 20h00min, junho, frio, estávamos partindo rumo à Grécia, um sonho que ela sempre teve, e eu resolvi acompanhar… Não pense que éramos ricos, apenas economias mais o dinheiro das férias. Ela, cabelos e olhos pretos (me disseram para tomar cuidado com olhos pretos, são perigosos), uma mulher muito linda, que chamava a atenção por onde passava, com rosto angelical e sorriso mágico, daqueles que encantam, fascinam… Mas éramos amigos…

Éramos amigos no mais claro sentido da palavra, de dividir sonhos, tristezas e alegrias, de andar de mãos dadas na praia, de deitar na grama de noite contando estrelas… De falar de amores e dores…
O avião estava lotado, sentamos em poltronas distantes, sem problemas, afinal, éramos apenas amigos. Fomos com a cara e coragem, sem nada planejado, apenas na aventura, realizar um sonho. Chegando em Atenas, sem saber falar grego e falando um pouco de inglês, conseguimos um hotel e para economizar ela sugeriu dividirmos um quarto.

Concordei. Ao chegar ao quarto, descobrimos que tinha somente uma cama de casal, trocamos sorrisos, afinal, amigos…Saímos para passear, visitamos Acrópole, Parthenon, parecíamos dois bobos, ríamos de tudo, tentávamos falar grego, inglês, e ninguém nos entendia… pra comer parecíamos índios… mim que comer isso..apontava com o dedo…

E já era quase 23h00min quando resolvemos escalar o Monte Licabeto, pra subir, entendemos que o ultimo bondinho subia às 23. Chegando lá, descobrimos que não tinha bondinho de volta, teríamos que voltar andando… mais risadas… a vista lá de cima era incrível, a cidade aos nossos pés, estávamos praticamente no topo de Atenas. Depois de quase duas horas e meia de caminhada no escuro, chegamos ao hotel quase às três da manha.

Ela foi para o banho, saiu enrolada na toalha, eu então fui para o banho… Quando sai. Aqueles olhos pretos (sim, aqueles que eu não devia confiar) me fizeram ver o que antes não via, o amor da minha vida estava na minha frente, fiquei hipnotizado. Imaginem, eu todo bobo, pensando, onde ela estava antes… e ela simplesmente se aproximou de mim, sem falar nada, com a mão no meu rosto, me beijou… Pensei… Morri… Morri… Morri… e agora cheguei ao paraíso…é uma sensação de que a felicidade é tamanha, que não cabe dentro da gente, parecia que o coração iria sair pela boca, que só quem viveu sabe o que estou escrevendo…

Passamos a madrugada acordados… Por mim, eu nunca mais dormiria, só pra ficar junto dela, admirando, sentindo, vivendo…Não trocamos muitas palavras na manhã seguinte, apenas sorrisos, tomamos um café da manhã horrível, mas para quem estava no paraíso, tudo era maravilhoso.
Resolvemos visitar algumas ilhas, o mar azul escuro, o céu azul, o vento balançava seus cabelos, eu realmente estava no paraíso. Tínhamos reserva em um hotel bonito, chegando lá, uma espelunca… Mais risadas…

Poderia ser somente um colchão no chão, não faria diferença. Alugamos um carro, um incrível Lada branco(viram, estava realmente no paraíso) e fomos passear, nos perdemos, nos achamos, e nos perdemos de novo… Passamos por caminhos floridos, lugares maravilhosos, tomamos banho em praias desertas…

Depois de uma semana no paraíso, tínhamos que voltar, eu não queria, nem ela, mas a realidade nos chamava, falei pra ela que queria ela pra sempre… E ela me disse… Nunca vou te esquecer, você realizou um sonho que eu sempre tive, e que o pra sempre… Sempre acaba…

De volta a realidade, meu mundo ficou cinza, fazem 20 anos que isto aconteceu…
Talvez ela não era tão linda e perfeita assim, talvez o paraíso não era tão perfeito assim, talvez seja apenas minha memória criando algo que não quer esquecer… Talvez um dia meu mundo volte a ter a cor azul, do mar e do céu… do meu amor…

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