Contos Minilua: A estação #94

Suspense, terror, mistério…Enfim, sinta-se à vontade para participar. O e-mail? equipe@minilua.com! A todos, uma excelente leitura!




A Estação

Por: Caroline Brezolin

John acordou assustado, eram 02:57 da madrugada, estava todo encharcado de suor. Tinha tido um pesadelo terrível. Pois não era um simples pesadelo, era algo que havia acontecido com ele alguns anos atrás. Ficou alguns minutos sentado na beirada da cama, pensando.

Então levantou, calçou seu chinelo e foi até a cozinha tomar uma boa xícara de café. “Já vi que não conseguirei mais pegar no sono”, pensou. E então ficou o resto da madrugada sentado, sozinho, na cozinha.

Já eram 6:00hs e seu despertador finalmente tocou, acabando com a agonia de John, de que o dia nunca amanhecesse. Então, como de costume, foi ao banheiro, escovou os dentes, arrumou o cabelo, e foi novamente ao quarto, trocar de roupa para ir ao trabalho.

Quando olhou novamente no relógio, percebeu que estava atrasado, e saiu às pressas, pois o metrô ficava à 5 quarteirões de sua casa. Ao chegar lá, entrou rapidamente em um dos vagões, e ficou em pé durante um bom tempo. Até que em uma das estações, desceu a maioria das pessoas e o metrô ficou quase vazio. John estranhou, mas ao mesmo tempo sentiu-se aliviado pois assim poderia sentar.

Pegou o celular e os fones, colocou-os no ouvido, e escolheu uma música do Oasis, Little by Little, e pensou como aquela música lhe fazia bem. Então, quando se dá conta, percebe que uma mulher está sentada do seu lado. Mas não parecia ser qualquer mulher. Então, a mulher começou a conversar com ele. Tudo o que John não queria neste momento.

- Oi. – disse a mulher

- Oi – respondeu John

- Me chamo Maia.

- Sou o John.

E assim a conversa se estendeu até que John chegou em seu destino. E, na empolgação daquela conversa animada, convidou-a para sair. Ao descer do metrô, ele andou mais dois quarteirões e chegou ao prédio de contabilidade onde trabalhava.

E, em um momento de tédio, acabou lembrando do sonho: era uma noite fria, mas bonita, uma ótima noite para levar Sarah, sua namorada, em um restaurante caro na parte sul da cidade. Sarah, no inicio, não gostou muito da idéia de ir jantar num restaurante tão chique, ela preferia ficar em casa, jogar várias partidas de Super Mário no vídeo-game, e comer pizza. Mas John insistiu, pois era uma noite especial.

Ao chegar no restaurante, eles pediram Salmão com algum molho de nome esquisito, porém muito bom, e vinho branco para acompanhar. E depois, pediram, de sobremesa, um Muffin. John estava ansioso, não parava de mexer as mãos, até que Sarah, em uma das mordidas, acaba mordendo algo duro, e, ao olhar o que era, viu uma linda aliança de ouro, com uma pequena pedra preciosa e brilhante. O anel de noivado.

Eles estavam tão felizes. Então, quando estavam voltando para casa, caminhando, aconteceu. Três homens altos, todos de preto, atiraram em Sarah, de repente. E ela caiu, coberta de sangue nos braços de John. Após esse dia, cruel e frio, prometeu jamais conhecer outra garota.

E, agora, perdido em pensamentos, sentindo uma terrível culpa, e dúvida, estava John. Ele estava com medo de sair para jantar com aquela garota, por mais que haviam se falado em poucos minutos, John sentiu que havia algo mais. Ele estava sem saber o que fazer, pois havia prometido à Sarah. E agora, com apenas alguns minutos conversando com Maia, sentiu a alegria invadindo seu corpo, de um modo que não sentia desde quando Sarah aceitou casar-se com ele.

E agora, e se Maia fosse a mulher dos seus sonhos? Como ela poderia deixá-la simplesmente ir? Mas, e se acontecesse com ela, o que havia acontecido com Sarah? E se ele sentisse novamente tudo aquilo, aquela dor, sentimento de culpa e frustração novamente? John saberia que não conseguiria suportar.

Então, pensou no que Sarah disse à ele, enquanto o sangue pulsava para fora de seu corpo, manchando de vermelho sua pele branca: “John seja feliz, refaça sua vida. Se você estiver feliz, eu também estarei, seja lá onde eu estiver.”

Então, refletiu durante um bom tempo. Ele havia perdido dois anos de sua vida, sozinho, preso entre trabalho e casa, sem nunca sair, só porque havia feito uma promessa estúpida, mesmo com sua antiga amada dizendo para que ele seguisse sua vida, ele continuou ali, se isolando. E quantas oportunidades deixou passar? E quantas mais deixaria passar também?

Então, subitamente, pegou seu celular, digitou alguns números apressadamente e esperou alguns “tu, tu, tu” agonizantes, até que ela atendeu:

- Oi, aqui é o John, a gente se encontra às sete, na mesma estação que a gente se conheceu, ok? – perguntou.

E com uma cara feliz, percebeu que a vida é muito curta para perder tempo com promessas estúpidas. E decidiu viver. Viver livremente.

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