Contos Minilua: A Criatura #246

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A Criatura

Por: Vitor Moreno e Luiz H. Rocha

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03h13min AM. Deitado em meu frio quarto, já bem sonolento e com a mesma sensação que me assombra toda noite, algo (ou alguém) me observa enquanto durmo. Havia me acostumado com isso. Porém, essa noite se difere das outras, sinto que realmente sou observado por algo à espreita.

A cada segundo sinto a presença, mas as minhas tentativas resultam em… Nada. Por mais que eu tente, não consigo me mover. O desespero e a agonia tomam conta de mim. Tento chamar pelos meus pais, e mais uma vez… Nada. Não consigo gritar, falar, cochichar e nem ao menos grunhir. Nem um músculo sequer pode ser movimentado. Tudo que posso fazer é escutar e olhar calado para o escuro, escuro que está cada vez mais sinistro. Sinto horríveis calafrios, deixando-me cada segundo mais tenso. Fecho os olhos e tento dormir, mas o nervosismo já não me permite.

O som do relógio de parede mascara qualquer outro ruído, parecendo mais forte a cada batida, aumentando cada vez mais a tensão. As batidas lembram passos, respirações, sussurros. Começo, então, a me acostumar com a escuridão. Meus olhos enxergam quase nitidamente agora, porém gostaria que isso não tivesse acontecido jamais. O que vi talvez fosse a pior coisa que poderia existir.

Uma criatura me fitava com seus grandes olhos brancos. Eles eram fixos, mortos, sem emoção alguma. Não demonstravam raiva, felicidade ou tristeza. Olhos como aqueles que queimam a alma aos poucos. A criatura permanecia imóvel e a única coisa que podia fazer era observá-la, sem saber de onde veio ou mesmo o que ela era.

O tempo passa, e depois de muito tempo começo a escutar sussurros vindos da criatura. Entendo apenas pequenos trechos, trechos que jamais saíram dos meus pensamentos. “MORTOS TODOS, MORTOS, TODOS MORTOS”. Filmes passavam em minha mente, imagino o que poderia e o que certamente aconteceria, lágrimas escorrem dos meus olhos e choro sem ao menos emitir um som. A criatura começa a se mover. Anda de um lado para o outro. Vai e volta naquele pequeno quarto que agora parecia menor. Os sons, que antes eram sussurros, tornam-se agora gritos de uma voz rouca e fúnebre: “MORTOS, MORTOS TODOS! MATEI… MATEI… MATEI TODOS ELES! SÓ RESTA MAIS UM… UM… SOMENTE UM…”

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