Como um vulcão no Peru, quase exterminou a Rússia

Devido a posição geográfica e tamanho descomunal, onde a maior parte do território é coberto de gelo, a Rússia sempre viveu a beira de uma tragédia. Por isso, em 1600, um fenômeno natural do outro lado do mundo fez com que o gigante país euro-asiático sofresse uma das maiores crises de alimentos de sua história.




A vida na Rússia

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Durante muitos anos, a Rússia viveu sob o domínio dos Czares. Por isso, em 1598, o país sofreu um duro golpe quando Rurik Dynasty morreu e não deixou nenhum herdeiro direto para assumir o poder de maneira inquestionável. O país foi abalado politicamente e essa morte foi o estopim para que a Rússia entrasse em uma época conhecida como “Tempo de Dificuldades”. O trono foi passado as mãos de Boris Godunov pela Assembleia Nacional. Contudo, ele não era o tipo de governador que o povo estava precisando e logo a solução se tornou um problema ainda maior.

Para deixar a horrível situação política do país ainda pior, o mundo viu uma das maiores erupções modernas ocorrer.




Huaynaputina

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Huaynaputina é um vulcão localizado no sul do Peru. No início do mês de fevereiro de 1600, pequenos tremores de terra foram sentidos pela população que morava perto da montanha. Nos dias seguintes, cinzas foram expelidas e os terremotos aumentaram significativamente, tanto em intensidade, quanto em frequência. A tradição local, que tratava o vulcão como um deus, iniciou o preparo de sacrifícios para acalmar o espírito de lava, porém isso não foi o bastante.

No dia 19 de fevereiro, a lava começou a ser expelida violentamente. Apenas nas primeiras 24 horas, a rocha derretida tomou os rios próximos e foram acumulados 24 centímetros de cinzas na região. Durante um mês, o vulcão ficou extremamente ativo, fazendo com que a lava andasse por mais de 20 quilômetros e destruísse as vilas que estavam a mais de cem quilômetros, devido as cinzas e poluição.

Mais de 1500 pessoas foram mortas diretamente pelo vulcão, porém a verdadeira tragédia ainda estava por acontecer, bem longe dali.




A grande fome russa

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Quando um vulcão entra em erupção, há muita lava para espalhar, mas isso não é o problema principal. Dependendo do tamanho e da duração de uma erupção vulcânica, ela pode causar algo chamado “Inverno vulcânico” (para entender melhor o que é um inverno vulcânico, leia: “Apocalipse real: inverno vulcânico”).

Hoje em dia, o planeta vive algo chamado aquecimento global, que é causado por gases em nossa atmosfera. Esses gases recebem a luz do Sol e retém muito calor, fazendo com que a temperatura média do planeta suba um pouco, porém apenas um ou dois graus são o bastante para criar um enorme desequilíbrio. Tanto que esse tipo de mudança sempre esteve ligada as extinções em massa.

No caso de um inverno vulcânico, ocorre exatamente o oposto, porque as cinzas que vão parar na atmosfera ficam flutuando durante anos, refletindo uma porcentagem da luz do Sol. Com menos luz, se cria menos calor e a temperatura média do planeta acaba caindo, criando um distúrbio ambiental.

Exatamente esse problema atacou a Rússia, que é um dos países mais frios do mundo. A temperatura do planeta caiu e o governo, que mesmo no clima ameno se quer conseguia se manter, teve que enfrentar a falta de alimentos. Os mais pobres morriam de fome no interior, os que tinham um pouco mais de condições foram para a capital, onde o governo distribuía mantimentos. Mesmo assim, foram contabilizadas 127 mil mortes nos primeiros anos da crise na capital, porém o frio ainda ficaria pior.

O ano de 1601 foi o mais frio de todo aquele século e calcula-se que dois milhões de pessoas tenham morrido nessa crise, quase um terço de todos habitantes da Rússia na época. O país só se recuperou em 1603, quando as colheitas voltaram a normalizar. Mesmo assim, a crise política durou até 1613, quando o país foi assumido por uma nova dinastia.

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