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Biografia Minilua – Mazzaropi

Amácio Mazzaropi foi sem dúvida alguma, um dos mais aclamados artistas brasileiros. Seu legado, deixado em mais de 20 filmes, tem se perpetuado por diversas gerações, e seus personagens, lembrados com carinho por todos nós. No post abaixo, você confere um pouco de sua biografia, sua trajetória artística, além é claro, de sua passagem pela cidade de Taubaté. Uma boa leitura!

 

O início

Mazzaropi, o eterno “Jeca Tatu” do cinema brasileiro, nasceu em Sâo Paulo, no dia 9 de abril de 1912. Aos 02 de idade, ao lado do pai, Bernardo, imigrante italiano, e da mãe, Clara Fernandes, muda-se para a cidade de Taubaté, interior do estado. Lá, permanece por pouco tempo. Nesse mesmo período, entra em contato com o avô materno, João José Ferreira. Notável tocador de viola, o português, entre outras coisas, animava as festas do município vizinho ao de Mazzaropi, e lhe serveria, nos anos seguintes, de modelo de inspiração. Tal panorama, é bom que se diga, despertara, desde cedo, a atenção de nosso biografado para a questão caipira. Fato este, aliás, que será bastante perceptível nos anos seguintes.

 

Retorno à São Paulo

O ano de 1919 foi bastante marcante para Mazzaropi. Neste período, sua familia voltava à São Paulo, e ele ingressava no curso primário do Colégio Amadeu Amaral, no bairro do Belém, zona leste da capital. Na escola, logo nos primeiros anos, o seu talento de oratória já destacava em relação aos demais. Ainda nesse período, torna-se bastante conhecido nas dependências do local, especialmente pela facilidade com que decorava poesias e, por declamá-las nas festas escolares. Paralelamente a isso, no ano de 1922, se vê em uma situação bastante atípica, com a morte de seu avô João. Seus familiares, descontentes com a situação, decidem novamente voltar a Taubaté.

 

O meio artístico

De volta a Taubaté, o jovem Mazzaropi, é matriculado em uma nova instituição de ensino. Lá, permanece fazendo tipos, encenando personagens durante as aulas. No mesmo período, até para preocupação de seus pais, começa a frequentar os circos da região. Com temor de que o filho pudesse adotar a vida circense como vocação, seus pais decidem mandá-lo para Curitiba, aos cuidados do tio, Domênico Mazzaropi. Já no Paraná, o nosso biografado passa a trabalhar no ramo de tecidos. De volta a São Paulo, aos quatorze anos, consegue enfim, uma oportunidade no mundo artístico, na caravana do Circo La Paz. Nos intervalos das apresentações, era Mazzaropí quem dava o ar de sua graça, contando suas anedotas, e divertindo a plateia presente…

 

Teatro

Não obtendo retorno financeiro para se manter em São Paulo, o artista, decide então, voltar a Taubaté. Lá, ao lado dos pais, passa a trabalhar como tecelão. De volta a cidade, em plena Revolução Constitucionalista de 1932, realiza sua primeira peça teatral, “A Herança do Padre João”. 03 anos mais tarde, em 1935, já com a chamada “Troupe Mazzaropi”, convence seus pais a seguir carreira com ele, ajudando-os para que pudessem atuar como atores.

 

Morte do pai

Na cidade de São Paulo, a situação financeira de Mazzaropi não era das melhores. Este quadro, aliás, iria piorar a partir do dia 08 de novembro de 1944, com a morte do pai, Bernardo. Voltando ao teatro, participa do espetáculo “Filho de Sapateiro, Sapateiro deve Ser”. Com o prestígio conquistado, é convidado para apresentar uma atração no rádio. O convite, aliás, realizado por Dermival Costa da Lima da Rádio Tupi, logo seria aceito, e nasceria, a partir de então, um dos programas radiofônicos de maior sucesso da época, “Rancho Alegre”. No programa, entre outras coisas, o artista ficava a cargo da encenação de tipos e personagens ao vivo. Anos mais tarde, em 1950, era a vez de Mazzaropi conquistar os telespectadores da recém criada TV Tupi.

 

Cinema

Mazzaropi, no começo dos anos 50, já era tido como um dos principais artistas brasileiros. Sua popularização era cada vez maior, especialmente entre o público caipira. Percebendo isso, os produtores Abílio Pereira de Almeida e Franco Zampari, decidem convidá-lo a participar de um longa-metragem. “Sai da Frente”, rodado em 1952, marcava o início da parceria do ator com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz.

 

Mazzaropi, no final da década, mais precisamente em 1958, vende sua casa, e cria a PAM Filmes (Produções Amácio Mazzaropi). Na nova produtora, o primeiro filme criado foi “Chofer de Praça”, distribuído em película para todo o Brasil. O artista, ainda seria convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para apresentar, no ano de 1959, um programa de variedades na TV Excelsior. Na emissora, ele permaneceria até 1962.

 

 

Fazenda

No início da década de 60, mais precisamente em 1961, Mazzaropi, adquire uma fazenda no interior de São Paulo. No local, entre outras coisas, seria construído o seu primeiro estúdio próprio de gravação. Nele, a partir de então, seria lançado o primeiro longa-metragem colorido do ator, “Tristeza do Jeca”. A obra ainda seria televisionada, através da Excelsior, alguns meses depois.

 

No ano de 1966, é a vez do lançamento de “O Corintiano”. No longa, Mazzaropi, faz o papel do simpático Manuel, um barbeiro fanático pelo Corinthians, e que era capaz de tudo um pouco pelo clube do coração. Para a realização do filme, é bom que se diga, seriam inseridos trechos de jogos do clube paulista, com as principais jogadas dos craques Rivelino e Dino Sani. Ainda sobre o longa, ele foi recordista de bilheteria na época.

 

 

Curiosidades

-Mazzaropi, como citado no início do post, nasceu na cidade de São Paulo, no bairro de Santa Cecília, zona oeste da capital. Ele ainda viveria, nos primeiros anos de vida, na chamada Vila Maria Zélia.

– Nosso biografado, é bom que se diga, nunca foi um aluno exemplar. Longe disso, eram frequentes as vezes em que ele deixava de assistir as aulas, se escondendo dentro das caixas d’águas da região.

– Tentou, durante a adolescência, praticar futebol com os demais garotos de sua idade. Não logrando êxito, passa a acompanhar as disputas do lado externo dos campinhos.

– Alguns dados controversos estão presentes na biografia de Amácio Mazzaropi. Segundo consta, diferente da versão oficial, contada por historiadores, ele não teria conhecido cidades como Taubaté, Tremembé ou Pindamonhagaba antes dos 23 anos. Outro dado curioso: Há quem afirme que sua mudança para Curitiba não ocorreu por vontade de seus pais, e sim, por desejo próprio.

– No sul, enquanto viva com o tio, conhece o jovem Ferry, um faquir que trabalhava no chamado “GranCirco Norte Americano. Com a ajuda do novo amigo, falsifica a identidade, e muda-se novamente para São Paulo. Na nova cidade, passa a encenar tipos no bairro do Brás, zona leste da cidade.

– Com o sucesso conquistado nas rádios Nacional e Tupi, é convidado para estrelar uma atração televisa. Lá, conheceria o já veterano Cassiano Gabus Mendes.

– Já no cinema, após uma série de longas de sucesso, é recibido, em 1972, pelo então presidente República, o general Emilio Garrastazu Médici.

– Iniciou em Taubaté, a partir de 1975, a construção de um moderno estúdio cinematográfico.

– No começo dos anos 80, o artista participaria do programa de Hebe Camargo, na Rede Bandeirantes. Na atração, ele concederia sua última entrevista.

– No dia 13 de julho de 1981, morre Mazzaropi, vítima de um câncer na medula óssea.

 

Filmografia

Sai da Frente– 1951

Nadando em Dinheiro– 1952

Candinho– 1953

O Gato de Madame– 1954

A Carrocinha– 1955

Fuzileiro do Amor– 1956

O Noivo da Girafa- 1957

Chico Fumaça- 1958

Chofer de Praça– 1958

Jéca Tatú- 1959

As Aventuras de Pedro Malasartes– 1959

Zé do Periquito- 1960

Tristeza do Jéca- 1961

O Vendedor de Linguiça– 1961

Casinha Pequenina– 1962

O Lamparina– 1963

Meu Japão Brasileiro– 1964

O Puritano da Rua Augusta– 1965

O Corintiano– 1966

O Jeca e a Freira– 1967

No Paraíso das Solteironas- 1969

Uma pistola para o Djeca- 1969

Betão Ronca Ferro– 1971

O Grande Xerife– 1972

Um Caipira em Bariloche– 1973

Portugal, Minha Saudade– 1974

O Cineasta das Platéias – 1975

O Jeca Macumbeiro – 1975

Jeca Contra o Capeta– 1976

Jecão, um Fofoqueiro no Céu– 1977

Jeca e seu Filho Preto- 1978

A Banda das Velhas Virgens- 1979

O Jeca e a Égua Milagrosa– 1980

Maria Tomba Homem (não concluído)