Atores de novelas que deixaram saudades #5

Com o passar das décadas, muitos dos atores que cativaram o público brasileiro em diversas novelas acabaram falecendo. Nesta série de postagens iremos relembrar e homenagear esses grandes nomes da teledramaturgia brasileira.




Betty Lago

Elizabeth Lago Netto (*09/09/1943 - †13/09/2015) era uma das protagonistas da novela Quatro por Quatro. A parceria bem sucedida com o autor Carlos Lombardi se desenvolveu por diversas outras obras do novelista, como Quatro por Quatro, Vira-Lata, Uga Uga, O Quinto dos Infernos, Kubanacan, Pé na Jaca e Guerra e Paz.

A atriz então estreou como apresentadora de televisão com o programa GNT Fashion, que também dirigiu durante cinco anos, na GNT. Também por cinco anos, de maio de 2005 a maio de 2010, participou de diferentes formações do Programa Saia Justa no mesmo canal de televisão.

A estreia no cinema aconteceu em 1976, numa ponta não creditada no filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, numa cena que foi cortada da montagem final. Em 1998 realmente debutou na sétima arte em Alô?, de Mara Mourão. Participou ainda de Xuxa e os Duendes 2 - No Caminho das Fadas (2002) e Mais Uma Vez Amor.

Em 13 de novembro de 2014, Betty estreou seu canal de humor no YouTube. Intitulado Calma, Betty!. A atriz também participou de uma esquete da Parafernalha, no episódio “Presépio”, de dezembro de 2014. Sua última entrevista foi em junho de 2015 ao Domingo Espetacular, da Record.




Marília Pêra

Marília Pêra da Graça Mello foi uma consagrada atriz, cantora e diretora que conquistou ao longo de sua carreira cerca de 80 prêmios, tendo atuado em 29 novelas, 49 peças e 24 filmes.

Seu último trabalho na TV foi no seriado Pé na Cova, onde interpretava Darlene, a maquiadora da funerária do ex-esposo Ruço (Miguel Falabella).

Faleceu em seu apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro, no dia 5 de dezembro de 2015. Em seus últimos meses de vida, a atriz lutava contra um câncer de pulmão. Ela passara o ano em tratamento médico, segundo informações dos familiares, combatendo um desgaste nos ossos do quadril, o que a fez se afastar do trabalho.




José Wilker

José Wilker Almeida (*20/08/1946 - †05/04/2014) tem em seu currículo personagens memoráveis, como o jovem Rodrigo, protagonista da novela Anjo Mau (1976), de Cassiano Gabus Mendes.

Em 1985, viveu Roque Santeiro, personagem central da trama homônima escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Já consagrado, em 2004 interpretou o ex-bicheiro Giovanni Improtta, da novela Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, um personagem com diversos bordões como “felomenal” e “o tempo ruge, e a Sapucaí é grande”.

O artista ainda dirigiu o humorístico Sai de Baixo (1996) e as novelas Louco Amor (1983), de Gilberto Braga, e Transas e Caretas (1984), de Lauro César Muniz.

Apaixonado pelo cinema, o ator participou de filmes como Xica da Silva (1976) e Bye bye Brasil (1979), ambos de Cacá Diegues, além de ter se consagrado com o papel do boêmio Vadinho no sucesso de bilheteria Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976).

Já em 2012, voltou às novelas encarnando o frio Coronel Jesuíno Mendonça no remake de Gabriela, de Walcyr Carrasco. O personagem caiu na boca do povo com seu bordão “Vou lhe usar”, e fez sucesso principalmente nas rede sociais.

Em 2013, um dos seus personagens mais famosos saiu da TV e foi para as telonas: Giovanni Improtta é lançado nos cinemas brasileiros.

Seu último trabalho na TV, foi pouco antes de sua morte, na novela Amor à Vida, como o médico Herbert Marques.

Wilker faleceu na manhã de 5 de abril de 2014, vítima de um infarto fulminante, enquanto dormia. O socorro foi chamado mas os médicos não conseguiram reanimar o ator.




Domingos Montagner

A carreira artística de Domingos Montagner Filho (*26/02/1962 - †15/09/2016) começou no Circo Escola Picadeiro em 1989, onde conheceu Fernando Sampaio e juntos começaram a fazer várias apresentações de rua como palhaços. Em 1991, ingressou no circo como trapezista e palhaço. Simultaneamente, começou a se dedicar aos estudos para teatro através de curso de interpretação de Myriam Muniz, cursos de dança e outros.

Em 1997, a dupla de palhaços criou o Grupo La Mínima, espetáculo baseado no humor e nas acrobacias. Os espetáculos começaram a ganhar prêmios em 2001 e não pararam mais. Em 2008, a dupla foi homenageada com o Prêmio Shell de Melhor Ator para Domingos Montagner e Fernando Sampaio, por A Noite dos Palhaços Mudos. Vários trabalhos da dupla estiveram em espetáculos de rua e salas, que percorreram, em quinze anos, dezenas de festivais e temporadas nacionais e internacionais.

Em 15 de setembro de 2016, durante o horário de almoço das gravações da telenovela Velho Chico, Domingos mergulhou no rio São Francisco, na Região de Canindé de São Francisco, em Sergipe, não conseguindo retornar à terra firme, mesmo sabendo nadar. A atriz Camila Pitanga estava nadando com Montagner e o viu desaparecer nas águas, arrastado pela correnteza.

Semanas antes do acontecimento, o personagem interpretado por ele na novela foi salvo por índios, que o encontraram inconsciente no rio São Francisco, depois de ter levado um tiro de seu inimigo na trama, mesmo rio em que o ator perderia a vida.




Chica Lopes

Francisca da Conceição Lopes de Oliveira (*08/12/1925 - †10/09/2016) começou a carreira no teatro em 1950, quando passou a ser chamada de Chica Lopes. No cinema atuou em vários filmes entre eles destacam-se Tiradentes, o Mártir da Independência, seu primeiro longa e Cafundó em 2005.

Estreou na televisão em 1960 atuando em teleteatros e em pequenos papeis. Em 1976, fez sua primeira novela, O Julgamento na TV Tupi. Ficou conhecida pela personagem Durvalina na primeira versão da novela Éramos Seis, também na TV Tupi. Quando o SBT fez a segunda versão da trama em 1994, Chica Lopes foi chamada pela emissora para o mesmo papel. Atuou também na segunda versão de A Escrava Isaura em 2004 na Rede Record, interpretando a escrava Joaquina, conselheira da protagonista Isaura, personagem de Bianca Rinaldi. Seu último papel foi em Êta Mundo Bom, em 2016, da TV Globo, onde fez uma participação.

No final da vida, começou a apresentar os primeiros sinais de Alzheimer. A atriz morreu em 10 de setembro de 2016, aos 90 anos de idade, mas a notícia só veio à público em 21 de setembro de 2016, quando a também atriz Jussara Freire informou a notícia no seu perfil em rede social. A atriz morreu dormindo e a causa da morte não foi divulgada.




Elke Maravilha

Filha do russo George Grunupp e da alemã Liezelotte von Sonden, Elke (*22/02/1945 - †16/08/2016) nasceu na antiga Leningrado, hoje São Petersburgo. Ela tinha seis anos quando sua família emigrou para o Brasil, fugindo de perseguições políticas do stalinismo soviético.

Começou como atriz em O Barão Otelo no Barato dos Bilhões, com Grande Otelo, e atuou em filmes como Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980) e Xica da Silva (de 1976), de Cacá Diegues. Por sua interpretação em Xica da Silva, Elke foi premiada com a Coruja de Ouro como melhor atriz coadjuvante. No teatro foi expoente do Movimento de Arte Pornô. Sua estreia como atriz na televisão foi em 1986, como dona de um bordel na mini-série Memórias de um Gigolô, com direção de Walter Avancini, e a atuação lhe rendeu o convite para ser madrinha da Associação das Prostitutas do Rio de Janeiro.

Sua vida pessoal sempre foi conturbada. Morou em diversos países e teve oito casamentos, com homens de diversas nacionalidades. Fez três abortos, fruto de seus três primeiros casamentos, pois jamais quis ser mãe, e sempre achou que, com seu jeito rebelde de ser, não poderia educar uma criança de forma digna. Contou em entrevistas que tomava pílula anticoncepcional, mas fora enganada por alguns desses maridos, que queriam ser pais e trocavam suas pílulas por pílulas de farinha. Após descobrir isto, começou a usar DIU. Elke também foi usuária de todos os tipos de drogas ilícitas, além de todos os tipos de bebida alcoólica. Dizia que não tinha preferência por nenhum tipo de homem, e sim, que tinha pressa de namorar.

Morreu, aos 71 anos, na madrugada de 16 de agosto de 2016, vítima de falência múltipla dos órgãos. A atriz estava internada na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, desde o dia 20 de junho, após uma cirurgia para tratar uma úlcera. O corpo foi velado no Teatro Carlos Gomes, no Rio, na manhã do dia 17 de agosto. Antes de ser internada, Elke pediu a seu irmão Frederico que ela estivesse linda em seu enterro. Portanto, ela foi vestida com um vestido feito especialmente para o seu musical “Elke Canta e Conta” e maquiada por amigos do jeito que ela costumava se maquiar.




Umberto Magnani

Umberto Magnani Netto (*25/04/1941 - †27/04/2016) estreou na televisão em 1973, interpretando o personagem Zé Luis na primeira versão da novela Mulheres de Areia, na extinta TV Tupi. Na Globo, ele participou de consagradas novelas, como Felicidade (1991), Mulheres Apaixonadas (2003), Cabocla (2004) e Páginas da Vida (2006).

Também participou de minisséries como Presença de Anita (2001) e do seriado Sandy & Júnior (1999). Na Rede Record atuou nas novelas Chamas da Vida (2008), Ribeirão do Tempo (2010), Máscaras (2012) e Balacobaco (2012). O seu último trabalho na Record foi na elogiada série Conselho Tutelar (2015). Em 2016, após 10 anos na Rede Record, retorna à Globo para atuar na novela Velho Chico.

No dia 25 de abril de 2016, em seu aniversário de 75 anos, Umberto Magnani foi afastado da novela Velho Chico e substituído pelo ator Carlos Vereza após sofrer um AVE (acidente vascular encefálico), na trama ele era o personagem Padre Romão e seu personagem virou padre emérito. No mesmo dia. O ator foi submetido a uma cirurgia na madrugada do dia 26 para o dia 27 de abril de 2016, mas não resistiu e morreu dois dias depois. Sua esposa Cecília faleceu cerca de 6 meses depois, no dia 8 de novembro, devido à complicações provocadas por uma pneumonia.




Duda Ribeiro

Além de ator, Luiz Eduardo Reis Ribeiro (*05/06/1962 - †14/09/2016) foi diretor, dramaturgo, produtor, escritor e roteirista. Atuou em diversas atrações, como: Procurando Casseta & Planeta (2016), Vai que Cola (2013), Salve Jorge (2012), Caminho das Índias (2009), Pecado Capital (1998) e Barriga de Aluguel (1991).

Morreu na manhã de 14 de setembro de 2016, após lutar contra um câncer de fígado, diagnosticado em 2010, e já havia feito, inclusive, um transplante, em 2011. Ele estava escalado para a novela da Rede Globo, “A Flor da Pele”, que tinha estreia prevista para 2017.




Antônio Pompêo

Estreou no cinema em Xica da Silva (1976), de Carlos Diegues. Entre o fim dos anos 70 e começo dos 80, fez diversos filmes.

Em 2001 esteve no elenco do filme O Xangô de Baker Street (2001), de Miguel Faria Jr., baseado no livro de Jô Soares.

Era um dos idealizadores do Projeto A Cor da Cultura que se converteu em material de apoio pedagógico em todo o território nacional para a formação de docentes e estudantes em História e Cultura afro-brasileiras. Foi presidente do Centro de Documentação e Informação do Artista Negro (CIDAN).

Em 5 de janeiro de 2016, o corpo do ator foi encontrado sem vida no apartamento onde morava, em Guaratiba no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada, segundo a atriz Zezé Motta, o ator fora mal-aproveitado e não teve o reconhecimento que merecia.

A ausência de perspectivas profissionais em veículos de comunicação de grande visibilidade, como afirma Zezé, é sintomática do racismo dissimulado que existe nas grandes emissoras de TV do Brasil, também visível no âmbito da propaganda.

Segundo o censo realizado pelo IBGE em 2010, 50,7% da população do País é preta ou parda, no entanto essa condição demográfica majoritária é praticamente invisível nas produções televisivas e nas peças publicitárias que circulam na TV e nos veículos da mídia impressa.




Guilherme Karam

O ator Guilherme Pontes Karam (*08/10/1957 - †07/06/2016) é memorável por seus papéis cômicos, foi integrante do programa TV Pirata, um dos maiores sucessos do humor brasileiro, exibido pela Rede Globo. Seu trabalho de maior destaque na TV foi como o mordomo Porfírio em Meu Bem, Meu Mal.

No dia 29 de abril de 2005 ele sofreu um assalto dentro de um táxi, tendo a pochete roubada. Karam fisicamente nada sofreu, mas o motorista do táxi foi assassinado ao reagir. Aparentemente, desde a época do assalto Karam começou a manifestar sintomas da doença de Machado-Joseph, uma síndrome degenerativa, também conhecida como ataxia espinocerebelar tipo3 , que compromete a coordenação motora e do controle sobre os músculos. Forçado a passar a usar uma cadeira de rodas para se locomover, manteve-se afastado dos palcos e da televisão. Segundo seu pai, ele herdou a doença da mãe, que morreu devido a essa mesma anomalia genética. Os outros três irmãos do ator já apresentaram a doença - dois já morreram.

O ator morreu em 7 de julho de 2016, no Hospital Naval Marcílio Dias, na Zona Norte do Rio de Janeiro, enquanto se tratava da síndrome de Machado-Joseph.




Tereza Rachel

Teresinha Malka Brandwain Taiba de La Sierra (*10/03/1934 - †02/04/2016) nasceu em uma família de imigrantes judeus estabelecidos na Baixada Fluminense. Iniciou sua carreira artística em 1955 com a peça Os Elegantes, de Aurimar Rocha, mas ficou conhecida pelas interpretações de personagens inquietantes e grandes vilãs nas novelas brasileiras.

Fez personagens marcantes como a fútil Clô Hayalla na telenovela O Astro (1978) e a neurótica Francesca Ferreto em A Próxima Vitima (1995).

Fundou em 1971 e inaugurou no ano seguinte o Teatro Tereza Rachel, adquirido através de um financiamento. O teatro abrigou espetáculos de êxito nos anos 80. Tereza produziu peças inéditas ligadas à vanguarda, fazendo de sua casa de espetáculos grande destaque do teatro carioca do período.

Nos anos 2000, Tereza Rachel tentou resgatar montagens teatrais de grande porte, como, por exemplo, “A Celestina”, porém, devido a falta de recursos e apoio publicitário, os projetos não foram adiante.

Em entrevista à Rádio Italiana, Tereza Rachel explicou que em 2001 foi obrigada a arrendar o teatro para a Igreja Universal do Reino de Deus, devido às dificuldades na manutenção.

Tereza Rachel morreu aos 82 anos, em 2 de abril de 2016, onde estava internada desde 30 de dezembro de 2015, por complicações no intestino.




Carl Schumacher

Em 2003 foi convidado pela Fundação Clóvis Salgado, comemorando os trinta anos de produção lírica da instituição, a escrever, dirigir e protagonizar o projeto Viva a Ópera, com 21 árias de doze óperas famosas e 200 pessoas em cena, inclusive alguns dos maiores nomes do canto lírico mundial, como Stephen Bronck, Sylvia Klein e Eduardo Itaborahy.

Construiu e administrou três salas de espetáculos alternativas em Belo Horizonte, entre 1993 e 1998: Gestos Barro Preto, Savassi e Casa de Artes Ribalta. Trabalhou nas novelas Esmeralda (2004), Bang Bang (2005), dentre outros trabalhos.

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