Ateus buscam apoio na ciência durante momentos de estresse

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Já foi demonstrado que a fé religiosa pode ajudar as pessoas a lidar com o estresse e a ansiedade, dando a elas uma sensação de controle em momentos de incertezas. Aparentemente, a “crença” na ciência e uma abordagem racionalista pode fazer o mesmo para as pessoas não religiosas.

Para entender como uma pessoa não religiosa lida com estresse e incerteza, uma equipe de psicólogos da Universidade de Oxford (Reino Unido), liderados pelo professor Miguel Farias, procurou uma área da atividade humana cheia desses elementos: uma competição esportiva. No caso, uma competição de barcos a remo.

Pouco antes da competição, 52 remadores receberam um questionário sobre a “crença na ciência” e, para comparar, um grupo de remadores que estava começando um treino recebeu o mesmo teste. O teste pedia para eles darem uma nota sobre sua concordância com frases como “a ciência é a parte mais valiosa da cultura humana”, além de informar qual seu nível de estresse e qual o grau de sua crença religiosa.

O resultado do teste mostrou que remadores prestes a competir dão uma nota 14% maior à sua crença na ciência do que os que estavam apenas treinando. Mas o trabalho tem suas limitações – ele não mediu se os níveis de estresse baixaram e se os participantes, atletas competitivos que seguem um regime de treinamento racional, provavelmente já tinham uma mentalidade mais racionalista.

Entretanto, o resultado vem se somar a um conjunto crescente de evidências psicológicas que as pessoas buscam conforto em tempos difíceis aproximando-se de certos aspectos de sua visão de mundo – pessoas conservadoras se tornam mais conservadoras, por exemplo, liberais ficam mais liberais, e religiosos ficam mais devotos.

A visão racionalista teria a mesma função, segundo Farias. “Qualquer tipo de sistema de crenças que lhe ajude a estruturar sua percepção da realidade vai permitir que você pense o universo de uma forma significativa particular”, comenta.

O próximo passado dos pesquisadores é realizar estudos com cientistas religiosos, para ver como os dois sistemas de crença interagem em resposta ao estresse.

Fonte: Hypescience

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