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Assustador

161 Contos Minilua: O shopping (parte II) #72

* Esta matéria faz parte de uma série com 225 matérias na mesma temática. Clique aqui para ver todas.

* Se você possui problemas cardíacos, a leitura deste conteúdo pode não ser recomendada. Neste caso clique aqui para ler outro artigo.

Bem, e antes de prosseguirmos, apenas um aviso: não deixe de conferir a primeira parte, ok? Uma boa leitura a todos! E-mail de participação: Jeff.gothic@gmail.com

O Shopping – Parte II

Por: Waldenis Lopes

Mais um suicídio. Já era o sétimo naquela semana.

As autoridades ainda não haviam se manifestado sobre os incidentes. Os habitantes daquela cidade não faziam ideia do motivo que poderia ter levado aqueles jovens a tamanho ato de desespero. Os pais das vítimas –se é que podem receber tal título - não conseguiam explicar o porquê de seus filhos terem se matado. Contudo, tinha uma coisa que era curiosa em todos os suicídios: o fato de todos eles terem se jogado de lugares altos.

Mas por que de lugares altos? Talvez por ser mais fácil. Talvez para refletir antes do ato. Talvez por não sentir dor, ou para se sentir vivo antes do impacto… Quem poderia saber?

Era horrível quando o socorro chegava aos locais. Dependendo da altura da queda, os membros dos corpos se espalhavam pelo chão, os crânios ficavam partidos ou abertos, poças de sangue pintavam o asfalto, olhos esbugalhados, tórax esmagados… Outra coisa em comum era que, todos os locais escolhidos por estes jovens para morrer ficavam ao redor do shopping Mendo, que estava prestes a ser reinaugurado.

— Seu aniversário é amanhã, Breno… –Lá estava Caíque, conversando com seu amigo, que parecia estar muito abalado com as mortes daquelas pessoas.

— Durante esses dias, eu andei tendo uns pesadelos… Neles meu pai sempre está presente… Ele sempre me guia até um tipo de penhasco e de lá ele sorri… Um sorriso muito bonito… Mas logo em seguida ele some, e quando eu olho pra baixo daquele penhasco, ele… –Breno não conseguiu conter as lágrimas. —Eu ando tão estranho nesses dias… Mas que porra!

Caíque afagou Breno e tentou consolá-lo de alguma forma, dizendo palavras de autoestima e que tudo ficaria bem, que aquilo iria passar.

— Eu não vou à reinauguração amanhã, Breno. Eu não te contei, mas eu também tenho sonhado com algumas coisas… Não são pesadelos, mas no sonho alguém sempre me diz pra eu me proteger com uma medalha… Eu não sei que tipo de medalha, pois isso não fica claro… Só sei que eu não pretendo ir ao Mendo.

Breno enxugou suas lágrimas e olhou para a janela de seu quarto, que estava com cortinas brancas; uma brisa entrava suavemente fazendo o tecido levantar lentamente.

— O Fabrício vai, Caíque?

— Sei não. Você que deveria saber. Eu ainda não o tenho no Facebook… Talvez a solicitação de amizade dele esteja lá, mas eu não entrei pra ver, estou sem tempo por causa da facul…

— E hoje você não tinha aula?

— Eu sempre saio cedo nas sextas-feiras, esqueceu? –Caíque se levantou e olhou para o seu relógio de pulso — Bem, eu já vou. Tenta falar com o Fabrício hoje, pra ver se a gente faz outra coisa amanhã sem ser ir praquele shopping, beleza? –quando ele estava saindo pela porta, virou-se, com seu olhar castanho curvou as sobrancelhas pra baixo — Fica bem, cara.

Caíque foi embora.

Breno se deitou na cama e começou a pensar sobre os seus pesadelos. Neles estava sempre presente o seu pai. Ele, deitado, se arrastou pela cama e abriu o criado-mudo; dele retirou uma foto. Era a fotografia de um homem. Jovem, bonito e sorridente.

Era o seu pai, Neandro; o amado filho de sua avó Matilde. Breno tinha o mesmo sorriso de seu pai, dentes retos e sem falhas faziam aquela expressão de felicidade parecer iluminada. O seu cabelo castanho era igual ao dele também, e o seu nariz. A única coisa de sua mãe em sua face eram os seus olhos, amendoados e azulados. Sua mãe também estava na foto, mas uma mancha impedia de ver com nitidez o seu rosto.

Matilde havia presenteado Breno com aquela foto no dia do primeiro suicídio. Ela percebeu que seu neto tinha ficado bastante chocado com o ocorrido, e tentando tranquilizá-lo, decidiu finalmente mostrar aquela foto para ele, que até então era desconhecida.

Breno mais do que nunca queria saber mais sobre seus pais. Mas sua avó, mesmo dando aquela fotografia a ele, não disse mais uma palavra sequer. Ela também não tocou mais no assunto do “shopping maldito”.

O celular do garoto começou a tocar. Ele pensou que poderia ser Fabrício, dizendo não querer mais ir àquele lugar. Mas não era ele.

Kelda? Breno pegou o seu aparelho e atendeu.

— Alô?

— E aí, gatinho! Fazendo o que de bom?

— Ah… E aí, Kelda. Tô fazendo nada não.

— Amanhã é seu niver né?

— Sim…

— Bora sair! Descontrair um pouco!

— Já tem um lugar em mente, Kelda?

Kelda… Fazia pouco tempo que Breno a conhecia. Ela era uma garota estranha, cheia de manias, uma delas era a sua obsessão por lendas urbanas… Principalmente a do shopping.

— O shopping Mendo, bobinho!

Breno se engasgou.

— O que foi Breno?

— Não quero ir naquele lugar, Kelda…

— Ahhh! Não faz isso comigo, Brenozinho!! –ela estava claramente chateada com a resposta dele.

— Me desculpe…

Ela então começou a insistir, como se sua vida dependesse daquilo. Kelda começou a contar as maravilhas que os dois poderiam fazer juntos, de até depois eles irem até a sua casa e terem um contato mais íntimo… Breno corou instantaneamente, seu rosto ficou tão vermelho quanto um morango maduro.

— Assim você me deixa sem graça…

— Dezoito anos só se faz uma vez, querido! E aí vamos?

Maldito instinto masculino. Breno respondeu meio que automaticamente um “sim”. Kelda se despediu e desligou. Ele pegou seu travesseiro e o pressionou contra o seu rosto. Sim…

Breno iria.

Já era sábado. Fabrício não tinha dado notícias e Caíque mandou uma mensagem dizendo estar pensando em ir, mas não era certeza. Breno estava vestindo sua roupa em seu quarto, quando ouviu batidas na porta.

— Breno?

— Fala vó!

— Você vai mesmo, meu neto?

— Sim, vó. Eu preciso me distrair um pouco, não acha?

— Por que não vai a uma lanchonete, pizzaria ou até mesmo ao parque de diversões?

— Vó, eu já enjoei de todos estes lugares! E aquele parque já está caindo aos pedaços também!

— Já vi que não conseguirei impedi-lo…

Matilde se calou. Breno terminou de se arrumar e abriu a porta. Sua avó estava parada em frente, o olhando com piedade e com lágrimas nos olhos. Ele se espantou com aquela expressão e deu um abraço nela.

— Calma vózinha… Eu vou voltar bem. Não vai acontecer nada lá…

— Ficarei aqui, rezando por você meu neto.

— Obrigado pelo dinheiro.

Breno havia marcado durante a manhã para se encontrar com Kelda em frente ao Mendo.

Numa rua que fazia encruzilhada, uma figura alta e magra surgiu do nada e pulou na sua frente. Breno levou m susto tão grande que quase caiu pra trás.

— Fabrício?! Por que diabos você sempre aparece assim, do nada?

— De boa, otário?! Feliz aniversário, véi! –e deu um abraço meio desconcertado em Breno. Fabrício estava ofegante e um pouco suado.

— Por que você sumiu durante a semana? –perguntou Breno, desamarrotando sua roupa que foi amassada no abraço.

— Foi mal, velho. Passei a semana ocupado resolvendo umas tretas aí… –Fabrício estava estranho, parecia estar fugindo de alguém. Ele olhava rapidamente para todos os lados da rua.

— Vai pro shopping?

Fabrício não deu ouvidos.

— VAI PRO SHOPPING?

— Ah…! Melhor não cara, desculpa aê.

— Como assim, melhor não?

— Nada não, véi. Tô sem grana. E você vai?

— Vou me encontrar com a Kelda, lá.

Ao ouvir isso, Fabrício virou o rosto lentamente e encarou Breno, pasmo.

— Com quem??

— Kelda! Aquela mina que conheci na pizzaria uma vez. Ela me chamou e disse que depois nos divertiríamos mais, se é que você entende! –falando isso deu um tapinha no ombro de Fabrício, com um sorrisinho malicioso.

— Talvez eu apareça… Falou! –ele saiu em disparada pela rua oposta, correndo como se não houvesse amanhã.

Breno não entendeu nada. Por que Fabrício estava agindo daquela maneira? Bem, isso não importava agora, já que Breno já se encontrava em frente ao shopping. Seu coração apertou e uma sensação de dejá vu invadiu a sua mente. Por quê?

O lado de fora estava recheado de pessoas. As fitas da reinauguração já haviam sido cortadas pelo prefeito durante a manhã, e agora a população poderia desfrutar do novo local de lazer da cidade.

Próximo à entrada estava Kelda. De jeans justos e uma blusinha estampada, seus cabelos loiros estavam presos num rabo de cavalo e seu olhar estava perdido no horizonte. A fachada do Mendo era muito linda, de um verde musgo que chamava atenção e com o nome do local bem destacado acima da entrada principal. Era um shopping com quatro pisos e uma torre que dava acesso a escritórios. Além de ser um centro de lazer, ele também abriu novas oportunidades para quem queria um emprego.

— Kelda!

— Breno! Tá gatinho, hoje. –beijou-o no rosto e entraram juntos.

O térreo era cheio de lojas variadas, a maioria de roupas e sapatos. A iluminação era toda branca, bem, o interior era todo branco, o que causou certa estranheza a Breno. Eles se dirigiram para o cinema que ficava no último piso, ao lado da praça de alimentação. Um mar de pessoas ocupava aquele andar. Breno comprou os ingressos e entrou na sala de cinema junto com Kelda.

Caíque estava sentindo que algo não daria certo naquele dia e se dirigiu ao shopping.

Fabrício havia parado de correr e pensou no seu amigo, ele também se dirigiu ao Mendo.

O filme acabou. Kelda disse que precisava ir ao banheiro e Breno falou que a esperaria na livraria. Ele amava livrarias. Elas a faziam ele se sentir bem.

Em meio a sessões de suspense e terror, um homem se aproximou de Breno.

— Parece que vai chover, não é mesmo?

Breno fez uma expressão de “como assim?” e olhou para o sujeito ao seu lado.

— Boa tarde, Breno.

— Pai?!

Era como se tivessem atirado uma bomba em cima de Breno. Como assim seu pai estava ali?

— Você me reconheceu! Que coisa boa!

Faltavam-lhe palavras, ele não conseguia soltar uma sílaba. Claro que ele sabia que era o seu pai, pois tinha sonhado com ele durante toda a semana desde que sua avó havia lhe dado aquela fotografia.

— ONDE O SENHOR ESTAVA ESTE TEMPO TODO, PORRA?

Mesmo sendo indelicado, foi a única frase que ele conseguiu soltar naquele momento.

— Já vi que minha mãe não contou nada pra você durante esses anos. –sorriu Neandro. O seu sorriso, era igual ao da foto… Tudo era igual a foto.

— Vai me responder ou não?

— Você se tornou um rapaz bem bonito, Breno. Mas claro, puxou ao pai!

— Tá zoando com a minha cara? –Breno já estava inquieto, e ainda não conseguia acreditar que seu pai estava na sua frente. O estranho era ver o olhar pacífico e calmo de Neandro. Que parecia não ter envelhecido um segundo ao comparar com a fotografia.  E ele não parecia tão surpreso ao reencontrar seu filho.

— Me acompanhe.

Neandro saiu da livraria, ele andava calmamente, parecia que estava contando os passos ao caminhar. Breno o seguiu, e no fim, eles estavam no parapeito da praça de alimentação, dali dava pra ver todos os pisos do shopping e o seu centro.

— O que fazemos aqui?

Naquele momento, todas as pessoas que se encontravam nos outros andares começaram a subir para o quarto e último piso, onde Breno estava. Os que já estavam ali se aproximaram do peitoril e pararam. Neandro encarou seu filho, aquele olhar pacífico se desfigurou num olhar depressivo e melancólico. Seus olhos escuros como jabuticaba começaram a lacrimejar.

Assim, Neandro se atirou lá de cima.

Breno ficou sem ação e rapidamente se apoiou no parapeito para ver o seu pai. Um barulho de impacto ecoou pelos ouvidos do garoto. Lá estava Neandro, morto.

— PAI!! –gritou Breno, com lágrimas saltando de seus olhos como uma cascata.

— Breno!

Seu pai surgiu nas suas costas de repente. O quê? Ele não havia se jogado? Breno olhou para baixo novamente e não tinha nada ali.

— O quê…? Co-como…?

— Foi assim e aqui que eu morri, Breno.

No mesmo instante, todas as pessoas que se dirigiram para aquele parapeito começaram a se atirar daquele piso. Morrendo na queda, um após o outro.

A onda de suicídios havia começado… Novamente.

Continua…

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Publicado em 31 de janeiro de 2013 (2 anos atrás)

Próxima matéria » + AssustadorNota: 10

 
Admirável segunda parte, Waldenis. Aguardo ansiosamente a terceira. Saudações de guerreira para você!
Wanda Lavínia · Responder · Curtir · Curtir 1
Publicado em 31 de janeiro de 2013 (2 anos atrás) por Jeff Dantas em "Assustador". Encontrou um erro? Clique aqui. Editar
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