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141 Contos Minilua: Inoxidável #59

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Inoxidável

Por: Waldenis Lopes

Ela me mostrou a arma e engoliu em seco. A observei estático, não sabia o que fazer diante daquela situação. Ela deu alguns passos em minha direção, me encarou e deixou escorrer uma lágrima do seu olho direito. Seus belos olhos verdes estavam marejados, em volta avermelhados; ela havia chorado muito durante o dia, e agora, num ato de desespero, me forçava a tomar uma decisão. Uma decisão hedionda, algo repugnante. Algo que faz parte de mim, e que agora ela queria usar para benefício próprio. Mas eu estou enferrujado, acho que perdi o jeito para isso.

Ela estava me forçando a tomar essa decisão.

A arma estava apontada para a sua cabeça. Uma colt. 40. Ela mordeu seus lábios. Olhou os arredores. Ameaçou puxar o gatilho. Ela iria se matar se eu não concordasse. Meu coração queimou. Minhas pernas tremeram. Olhei-a com docilidade, escondendo o meu desespero e respondi:

-Sim, meu amor. Irei. Farei o que você deseja.

Sua respiração ofegante se transformou num suspiro de alívio. Fechou os olhos e sorriu como se tivesse retirado algo de cima das costas. Sua risada explodiu como uma tosse, meio forçada, meio psicótica, porém sincera. Todavia, ela não parou por ali.

- Prometa meu bem. Quero que prometa!

Ela disse isso cerrando os dentes e apontando a arma, agora para mim. Eu dei um passo para frente. Ela se preparou para disparar. Um vento gelado entrou pela janela daquele quarto de motel de quinta. Fechei a janela devagar… Num relance, abaixei-me rapidamente e consegui puxar seu braço, ela urrou, a arma caiu e eu a apanhei. Ela correu até a cama e retirou de baixo dela um punhal. O quê?

Ela trouxe aquele objeto escondido de mim para cá? E ainda o escondeu?! Talvez ela tivesse previsto o que iria acontecer. A olhei com espanto. Ela avançou. A driblei e contornei a cama de casal do quarto; ela furiosa, correu até mim tentando me cortar de qualquer jeito.

- Prometa! Prometa! Eu quero que jure por sua vida!

Eu conseguia enxergar a sua angústia e falta de consciência naquela hora. Desviei o quanto pude. O punhal raspava pelo meu rosto e braço, mas não a ponto de me ferir.

Eu não poderia prometer. Eu não poderia fazer aquilo. Não posso cumprir o desejo dela, ela estava louca.

A pequena espada me atingiu, e cortou o meu peito, rasgando minha camiseta. A ferida foi intensa e começou a sangrar. Ela me prendeu contra a parede. A arma branca estava em sua mão direita, segurava-a firme contra mim, tentando atingir o meu pescoço. A fúria a fez ganhar força sobre-humana. Tentei aparar sua mão, foi difícil impedir o golpe. Estávamos empatados. Ela então, com a mão que estava livre, tentou recuperar a arma de fogo que eu segurava.

Seu toque agressivo no meu braço fez a arma disparar.

O tiro ecoou quarto adentro.

Ela caiu imóvel aos meus pés, largando a adaga e respirando com dificuldade. Um tiro certeiro no seu abdômen. Seus olhos me fitaram, seus cabelos louros invadiram seu rosto fino e suado, um fio de sangue escorria de sua boca. Ela pediu ajuda. Eu a observei com desprezo. Olhei para a ferida no meu peito. Sangue vermelho como púrpura cobria minha camiseta.

A confusão no quarto não chamou a atenção de ninguém. Aquela região já era bastante barulhenta e violenta. Um tiro não faria diferença naquela noite. Afinal, todas as noites se escutavam tiros. Paramos naquele motel para planejar a nossa fuga, mas de última hora ela decidiu fazer algo que nos renderia bastante dinheiro sem que precisássemos fugir. Mas como eu havia dito antes, uma decisão hedionda, algo repugnante.

Eu não poderia aceitar aquela proposta. Ela já havia percebido que eu relutaria e veio preparada com a colt de seu pai e uma adaga de família. Mas olha só como o destino brinca conosco, não é mesmo?

Lágrimas escorriam de nossos olhos. Ela implorou por ajuda. Mas ela não pediu perdão.

-Me ajude e começaremos o serviço.

Serviço?! Não. Insanidade.

Pensei. Analisei. Ajoelhei-me, beijei-a na testa e disse:

-Adeus, meu amor.

Apontei a colt para sua testa e disparei. O tiro atravessou sua cabeça, parando no chão. Por ela estar deitada, o buraco deixado pelo tiro atrás de sua cabeça não foi tão grande como deveria ser. Mas fez um belo estrago.

Levantei-me e fui até o meu carro. Cumprimentei o guarda ao longe no portão, mas ele não respondeu, pois estava num sono profundo. Peguei meu estojo de violino. Entrei no quarto, tranquei a porta, coloquei as cortinas na janela. Abri a caixa do instrumento musical e retirei meu brinquedinho. Uma faca de aço inoxidável de alto teor de carbono, muito, muito afiada.

Ela me ajudou a cortar o corpo de minha amada. Peguei as nossas malas de fuga, tirei as roupas que estavam dentro, apanhei uns sacos de lixo no banheiro e ensaquei cada parte com muito carinho. Os guardei na mala com todo cuidado. Limpei a bagunça. Passei algumas horas esfregando aquele sangue todo.

No fim, o quarto estava limpo de novo. É, parece que estou em plena forma. Peguei meu carro e fui embora. O guarda acordou assustado e liberou a saída, tão sonolento que nem notou que o banco do passageiro estava vago.

Na estrada, o sol estava nascendo. Para onde eu iria? Não sei ainda. Mas para longe.

Enterrei as malas em algum lugar perto do lugar que Judas tinha perdido suas botas. Coloquei flores no lugar e orei por sua alma. Descanse em paz meu amor. E não…

Eu não vou matar os seus pais.

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Publicado em 17 de novembro de 2012 (2 anos atrás)

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Publicado em 17 de novembro de 2012 (2 anos atrás) por Jeff Dantas em "Assustador". Encontrou um erro? Clique aqui. Editar
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