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92 Contos Minilua: Dor e Vingança #28 

* Esta matéria faz parte de uma série com 221 matérias na mesma temática. Clique aqui para ver todas.

* Se você possui problemas cardíacos, a leitura deste conteúdo pode não ser recomendada. Neste caso clique aqui para ler outro artigo.

E desde já eu aviso, qualquer semelhança, é uma mera coincidência. Uma boa leitura, galera!

                                                                Dor e vingança

Por: Jhonny Ruggieri

Lembro-me exatamente daquele dia. Nunca esquecerei a dor que senti. Ninguém esqueceria! Nem a pessoa mais fria do mundo não sofreria naquele momento. Vou lhes contar sobre o pior dia da minha vida.

Meu nome é Eric, tenho 27 anos e sou músico. Meu irmão, Matt, tinha 40 e um filho, Nicolas. Havíamos passado à tarde em um clube próximo à nossa casa. Já era noite quando voltávamos, e Nicolas dormia no colo de minha cunhada, Amanda. O carro começou a fazer um som estranho e diminuía a velocidade.

- Acho melhor para em um posto. – disse meu irmão, que dirigia o carro.

- Tanto faz – eu disse, nunca dava muita importância para o que ele dizia, mas agora faria qualquer coisa para ouvir sua voz novamente. -, desde que cheguemos em casa logo.

Ele parou com o carro em um posto, achei estranho o fato de não ter quase ninguém no posto. Mas continue quieto no banco de trás. Meu irmão desceu do carro e abasteceu. Desci junto só para esticar as pernas.

- Vou procurar alguém para poder pagar. – ele me disse.

- Ande logo. – eu disse com desdém, acho que pelo fato de nossos pais darem mais atenção a ele por ser mais velho eu sentia um pouco de inveja de Matt. Hoje me arrependo de tudo.

Logo após ele entrar no posto senti algo se encostar em minhas costas.

- Mas que diabos… – meu sangue gelou quando notei um homem com um revolver apontado na minha direção. Ergui os braços para o alto. O ladrão olhou para o carro e viu minha cunhada com meu sobrinho. Seu revólver tinha um arranhão do lado esquerdo.

- Os dois para fora, agora. – ele disse apontando a arma para o meu peito. Amanda saiu assustada com Nicolas nos braços. – Passem o que tiverem de valor.

Quando o assaltante terminou de falar ouvi disparos dentro do posto. O assaltante ficou assustado e correu em direção a uma moto que estava estacionada próxima a entrada do posto. De dentro do posto saiu outro ladrão, só que esse parecia ainda mais assustado e tinha sangue nas mãos.

- Matt! – gritei correndo na esperança de que meu irmão estivesse bem. Quando entrei me deparei com a pior cena que já tinha visto. Meu irmão estava caído no chão ao lado de outras duas pessoas ensangüentadas. – Matt? – sussurrei – Me responda! Por favor!

Não agüentei e me desfiz em lágrimas. Consegui ouvir Matt dizer algo em seus últimos suspiros:

- Fuja!

Corri para fora do posto tirando o celular do bolso. Amanda estava vermelha de tanto chorar e apertava Nicolas contra seu corpo.

- Temos que…

Antes que pudesse terminar de falar senti minhas costas arderem. Todo o lugar ardia em chamas. Vi minha cunhada e meu sobrinho desaparecerem dentro do fogo. Tentei me levantar, mas também estava queimando. A última coisa que ouvi antes de morrer era a voz de meu irmão me mandando fugir. Acordei em um lugar escuro e apertado. O teto era feito de madeira e estava muito próximo de meu peito. Forcei o teto com minhas mãos. Abriu facilmente, mas havia terra do lado de fora. Isso significava uma coisa: aquilo era minha sepultura. Cavei para sair do túmulo.

Do lado de fora havia uma placa de pedra onde estava escrito: Eric Murddock. Amado filho, irmão e amigo. Olhei ao meu redor, havia mais três sepulturas. Uma de Matt, outra de Amanda e outra de Nicolas. Ajoelhei-me no chão e rezei para que tudo não passasse de um pesadelo. Minhas lágrimas machucavam meu rosto quando tocavam nele, levantei-me e tentei caminhar, cambaleava a cada passo. Cai próximo a um lago que havia no cemitério. Vi meu rosto refletido na água, estava assustadoramente deformado. Estava vermelho, sem cabelo e com o rosto completamente queimado.

- Impossível. – disse para mim mesmo. – Porque comigo? Por que com minha família? Com tudo o que me restava.

Um lapso de memória me veio à mente. O rosto do assaltante daquele dia surgiu em minha cabeça. Foi culpa dele e de seu companheiro. Um forte desejo de vingança atingiu meu coração. Mas onde encontraria dois bandidos em uma cidade grande como aquela?

- Já sei! – exclamei e levantei-me. Caminhei para fora do cemitério. Meu corpo doía muito, precisava me acostumar a tudo aquilo. Pode-se dizer que ganhei uma segunda chance, mas quem havia me dado? Isso era assunto para mais tarde. Caminhei pelas ruas da cidade que era assustadora durante a noite. Mas não tinha medo de nada, já que estava morto. Entrei em um beco e entrei em um prédio abandonado. Desmaiei no primeiro andar.

Acordei no dia seguinte com menos dor. Olhei meu reflexo em cacos de vidro. Meu corpo não estava mais deformado. Minha pele estava normal e meu cabelo havia crescido novamente.

Sai do prédio e caminhei pelos becos da cidade, havia um mendigo dormindo entre pedaços de papelão e outro estava sentado, fumando um cachimbo.

- Hei você!- eu disse para ele - Em que ano estamos?

-2013. – ele disse sem levantar a cabeça. Surpreendente, estava morto havia um ano.

-Você pode me fazer um favor?

-Diga!

- Preciso encontrar alguém.

Dei a descrição do assaltante que matara meu irmão e ele disse que eu encontraria em um galpão abandonado nas docas da cidade.

-Obrigado!

- Não há de que, Eric.

Virei-me surpreso para o mendigo, ele desapareceu em um passe de mágica. Continuei caminhando, antes de me vingar eu precisava me equipar. Parei em uma loja de armas em um bairro escuro do centro da cidade. Peguei um rifle e uma metralhadora e já ia saindo quando gritaram.

- Hei! – disse o dono da loja - Você não pode sair assim!

- Tem razão! – eu disse enfiando a mão em uma vitrine e tirando uma caixa com munição.- Obrigado por me lembrar!

- Você não entendeu! – ele disse – Você só pode levar essas armas e balas quando me pagar.

Notei que ele tinha um revólver na cintura. Um revólver que tinha um arranhão do lado esquerdo.

- Pagar? – eu perguntei ironicamente -  Ah, sim, pagar. Você vai ter seu pagamento. No inferno!- Atirei contra seu peito três vezes com o rifle.- E ainda me fez gastar munição.

Cheguei ao prédio que o mendigo me dissera. Pensei em entrar, mas achei melhor esperar. Subi em uma escada que dava para o topo do galpão. No telhado havia um buraco por onde eu podia ver tudo o que acontecia do lado de dentro. Havia três homens lá dentro. Eles conversavam entre si.

- Até hoje o chefe se gaba daquilo!-  disse um deles.

- Sim, ele age como se fosse grande coisa - disse outro deles.

- Silêncio!- disse outro – Ele está vindo!

Meu sangue ferveu ao ver o chefe deles. Era o ladrão que matou meu irmão e aquelas outras pessoas. Tive vontade de atirar em todos, mas aquele não era o momento certo.

- Então, rapazes!-  disse o chefe - O que têm para me contar?

- Mais cinco foram eliminados hoje! – disse o primeiro.

- Isso é bom!- disse o chefe – Mas pode melhorar.

- Chefe!- gritou outro homem que entrara correndo no galpão – Skinny! Ele está morto!

Um sorriso surgiu em meu rosto.

-O que? – disse o chefe – Isso é impossível!

- Ele foi encontrado morto há algumas horas. Tinha três balas alojadas no peito!

- Isso não está certo! Eu preciso resolver algumas coisas!

- NÃO! – eu gritei enquanto pulava dentro do galpão.

- Mas que merda é essa? – disse o chefe.

- Não se lembra de mim? Você me matou um ano atrás!

- Não! Isso não é possível!

- Acredite - eu disse com raiva – você não vai achar impossível quando eu te matar.

Os capangas começaram a me alvejar de balas. Elas atravessaram meu corpo e eu tombei para trás. Os cinco começaram a rir. Eu ri junto enquanto me levantava.

- Meu Deus! – disse o segundo.

Os buracos feitos pelas balas se fecharam e eu saquei minha metralhadora presa a uma alça em minhas costas. Matei três deles enquanto o chefe fugia. Tentei atirar, mas as balas haviam acabado. Corri atrás dele, mas ele já fugiaem uma BMW. Dentrodo galpão ainda estava um capanga baleado.

- Por favor! – ele suplicou - Eu não tenho nada a ver com isso.

- Você trabalha para o homem que matou minha família!- eu disse – Você irá pagar por isso de qualquer forma!

Peguei um galão de gasolina que estava em um canto do galpão e espalhei o liquido pelo corpo do rapaz baleado. Depois fiz uma trilha com a gasolina.

- Me desculpe garoto.-  eu disse - Mas acho que vamos nos encontrar no inferno.

Sai correndo do galpão e atirei com o rifle na trilha que se incendiou imediatamente. O incêndio logo atrairia a mídia e eu não queria isso, então sai correndo dali. Corri pelos becos seguindo as marcas dos pneus da BMW, acabei chegando a uma casa grande em um bairro rico da cidade. Adentrei a mansão. Tinha lustres grandes no teto, e móveis de madeira esculpidos a mão.

Subi pelas grandes escadas da mansão e me deparei com um grande corredor cheio de quartos com as postas fechadas. Por qual delas começar? Pensei enquanto andava pelo corredor. Chutei a primeira porta e não havia ninguém naquele quarto. Continuei andando. De repente o chefe saiu de um dos quarto com um cutelo nas mãos. Ele me golpeou no peito, enquanto estava caído ele cravou o cutelo em minha cabeça.

- Por que você não morre? – ele perguntou ofegante.

- Porque a dor que você me causou é tão grande que nada mais me atinge. – respondi levantando e tirando o cutelo de minha cabeça. Sorri para ele e persegui-o pela grande mansão. Ele entrou em outro quarto e eu o segui.

No canto do quarto estavam encondidos ele e uma mulher que segurava um bebê.

- Por favor! – disse a mulher chorando.

Olhei para o cutelo e depois pensei em minha cunhada. A expressão que ela tinha no rosto era mesma que aquela mulher tinha a me ver.

- Não faça isso Eric.- disse uma voz atrás de mim, era o mendigo que encontrara no beco.

- Quem é você? – eu perguntei.

- Não me reconhece mais? – disse o mendigo - Sua raiva ocultou sua visão? Não se lembra de seu próprio irmão?

- Matt? – disse largando o cutelo. – Mas eu pensei que…

- Pensou que eu estava morto, não é? E estou! Eu voltei apenas para lhe guiar. Quando notei a que ponto estava chegando tive de impedir você. Olhe para essa família. Matá-los não irá me trazer de volta a vida. Não irá trazer Amanda de volta. Não irá trazer Nicolas de volta. Aceite isso!

Olhei novamente para aquela família. O pânico que os fazia sentir era o mesmo que eu havia sentido naquele dia.

- Eu… Eu…

Sai correndo e me atirei pela janela. Cai de pé. Fugi para o cemitério de onde eu ressuscitara. Olhei para o túmulo de meus familiares.

- Me desculpem.

- Você está desculpado, Eric. – disse a voz de Amanda.

- Você está vivo para um propósito Eric.- disse a voz de Matt. – E não é se vingar. Agora, você pode tentar corrigir seus atos passados. Você pode formar uma nova família. Pode ter filhos e se apaixonar. Viva!

Olhei-me novamente na água do lago. Meu rosto não era mais o mesmo. Eu estava loiro, com os olhos verdes.

- Adeus. – eu disse saindo do cemitério.

Hoje, quando vejo meus filhos brincando no jardim, me lembro de minha antiga família. Matt me dissera a verdade. A raiva não me levaria a nada. Não teria a chance de conhecer minha esposa, Denise. Não teria meus filhos, Shelly e Alex. O que me incomoda é saber que ainda existem muitas pessoas que agem como eu agia antes.

Não aproveitam o que tem até perdê-las. Eu achei que aquilo aconteceria, até que aconteceu. Por isso peço a você, que ouviu minha história, que aproveite seus amigos e familiares. Nunca se sabe até quando vamos tê-los. Devemos amá-los até mesmo no fim.

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Publicado em 9 de setembro de 2012 (2 anos atrás)

Próxima matéria » + AssustadorNota: 10

 
Daria um bom jogo essa daí!!! : D
Savio Santos · Responder · Curtir · Curtir 2
Publicado em 9 de setembro de 2012 (2 anos atrás) por Jeff Dantas em "Assustador". Encontrou um erro? Clique aqui. Editar
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