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103 Contos Minilua: Amor proibido #80

* Esta matéria faz parte de uma série com 213 matérias na mesma temática. Clique aqui para ver todas.

Romance, mistério, terror. Enfim, sinta-se a participar. Para tal, envie o seu texto para: Jeff.gothic@gmail.com! Lembrem-se: os temas são livres, e mais a sua participação também!  A todos, uma excelente leitura!

 

Amor Proibido

Por: Ariane Cristina

Eu quase não me lembro mais de como tudo começou, apesar de ainda me agarrar a esse amor com todas as forças que ainda me restam.

Minha memória se perdeu no tempo, depois de todos esses anos que eu vivi, de todas as pessoas que já se foram e me deixaram sozinho com todas essas lembranças que agora estão se perdendo conforme eu fico mais e mais velho.

Eu tinha 11 anos quando o vi pela primeira vez. Eu nunca tinha me apaixonado, era quase uma criança, por isso eu não sabia que tinha me apaixonado no momento em que o vi; Alto, com o cabelo de um loiro vermelho e olhos verdes, ele era tudo que as garotas do bairro sempre sonharam. Felizmente, como eu ele não gostava muito delas, o que permitiu que eu tivesse uma chance.

Ian. Ele tinha 13 anos e acabara de mudar para a casa ao lado da minha, e não demorou nem dois dias para nos tornarmos melhores amigos. Nossos pais aprovaram nossa amizade, achando natural dois meninos de idades próximas serem amigos enquanto cresciam juntos e se interessavam juntos pelas garotas bonitas. Eles estavam tão enganados…

Logo na primeira semana, descobrimos que os porões das nossas casas eram ligados por um velho túnel grande o suficiente para brincarmos e nos escondermos por horas sem que ninguém mais soubesse onde estávamos, e por onde podíamos nos encontrar durante a noite.

Ian era divertido e tinha um sorriso bondoso, daqueles que formam pequenas rugas nos cantos dos olhos, o que fez com que todas as meninas da escola se apaixonassem por ele quase instantaneamente. Eu odiava ver meu amigo rodeado de garotas, mas ainda não entendia por que me sentia assim.

Já fazia quase quatro anos que eu tinha conhecido Ian, quando em uma tarde nublada e fria eu o vi com Natasha. Ele era mais bem mais alto que ela. Natasha o abraçava forte enquanto descansava a cabeça em seu peito. Ian então puxou seu queixo e deu um beijo terno nos lábios dela, que ela imediatamente correspondeu e o abraçou ainda mais forte.

Foi nesse momento que eu descobri que amava Ian. Eu o amava e queria ele pra mim, e vê-lo daquele jeito com uma menina cortou meu peito como uma faca serrilhada. Eu não ia aguentar ver Ian crescer, se apaixonar por uma garota e se casar, ter filhos. Eu o amava e ver isso iria me matar.

Senti algo quente no meu rosto e percebi que eram lágrimas. Enxuguei meu rosto com força no moleton, e Ian olhou pra mim naquele momento. Senti que seus olhos me pediam desculpas, mas não fiquei pra ter certeza. Corri até minha casa, fui até o porão e me tranquei no corredor secreto, onde chorei pelo que pareceram horas.

Estava quase dormindo de exaustão quando ouvi passos chegando perto. Meu coração acelerou e quase saiu pela minha boca. Eu poderia reconhecer aquele andar até numa multidão. Ian estava se aproximando do nosso esconderijo.

- Jimmy, eu já levei a Natasha pra casa. Por favor, me deixe entrar.

Fiquei pensativo se o deixava entrar ou se o ignorava até ele ir embora. Se eu não me afastasse agora, sabia que no futuro ia sofrer ainda mais. Eu precisava ficar longe dele.

- Não posso… Sussurrei pra ele.

- Eu não vou desistir, Jimmy.

Ouvi seus passos se afastarem e recomecei a chorar. Por que não poderíamos ficar juntos? Por que tudo tinha que ser tão difícil? Se o mundo fosse diferente…

Ouvi os passos de Ian outra vez, mas agora vinham do meu porão. Droga, ele deu a volta pela minha casa e eu me esqueci de trancar a porta do outro lado. Ouvi quando ele empurrou a porta e deu um riso travesso.

- Jimmy, porque correu pra cá? Está bravo comigo?

- Não, eu nunca poderia. Estou bravo comigo mesmo. E com o mundo. – respondi

- Jimmy, pensa que eu não sei o que sente por mim? Eu sei, pois sinto o mesmo. Eu tenho tentado evitar esse sentimento, é estranho e me parece errado. Fiquei com Natasha porque queria provar pra mim mesmo que eu estava louco, que eu gostava de meninas, mas só me provou o contrário.

- Por favor não diga mais nada!

- Jimmy…Jimmy, eu estou apaixonado por você. Eu sempre soube que você era especial pra mim desde o dia em que nos conhecemos.

- Eu sei. Mas é errado. É tão errado!

- Quem disse que é errado? O que é errado? Amar?

Eu desviei os olhos para o chão e duas lágrimas escorreram e caíram no chão de madeira antigo. Ian me levantou e me abraçou, e não posso descrever o quanto aquilo me chocou, ao mesmo tempo em que me emocionou.  Ian levantou meu rosto e eu vi que suas bochechas estavam vermelhas e ele respirava bem rápido.

Então ele tocou seus lábios nos meus tão de leve que eu tive um calafrio, e então ele me puxou um pouco mais perto e enquanto me beijava eu descobri como era amar alguém. Naquele momento eu sabia que devia enfrentar o mundo pelo meu amor.

Ficamos abraçados por muito tempo, sem conseguir falar um com o outro. Ian era mais alto que eu, e eu estava com o rosto enterrado em seu peito, somente feliz por estar ali.

- Eu adoro seu cabelo, Jimmy. Está deixando crescer?

- Sim, – eu disse enquanto corava. – Não gosta?

- Gosto sim. Te dá um ar inocente – Disse ele rindo.

Realmente, se Ian era lindo, eu não ficava muito atrás. Meus olhos eram dourados e brilhantes, de um jeito que combinava com minha pele meio bronzeada e cabelos castanhos claros que formavam cachos que caíam pelo meu pescoço. 

Estava perto de completar 14 anos, e a puberdade estava sendo generosa comigo. Muitas garotas agora reparavam em mim, e eu não sabia se gostava ou não da atenção que elas me davam. Na verdade elas chegavam a me assustar algumas vezes, com convites tão explícitos.

Depois daquele dia, Ian e eu nos víamos todos os dias no espaço secreto entre nossos porões.  Estava cada vez mais difícil esconder esse amor proibido, e as pessoas estavam começando a desconfiar da nossa falta de interesse em mulheres.

No aniversário de 18 anos de Ian, fizemos amor pela primeira vez. Estávamos como sempre no nosso esconderijo secreto, e naquele dia levei um cobertor do meu quarto lá para baixo, uma garrafa de vinho Salton Chardonnay e algumas velas aromáticas de menta, que comprei no dia anterior pra deixar esse dia mais especial.  

Ian sorriu de um jeito malicioso quando viu minha arrumação e começou a me beijar, primeiro de uma maneira delicada e depois com cada vez mais vontade e desejo. Bebemos o vinho na própria garrafa, até começarmos a ficar alegres. Eu ri quando ele tirou minha camiseta e começou a morder meu corpo, então tirei o preservativo do bolso e lancei na direção dele.

Ele virou a cabeça para trás e deu uma gargalhada, e começou a tirar a própria roupa. Algumas horas depois estávamos deitados no cobertor, sorrindo e olhando os grãos de poeira dançando na luz das velas.

- Jimmy, eu te amo. – Ian sussurrou enquanto beijava meu rosto.

- Eu sei, Ian. E eu te amo desde que te conheci. – Respondi sorrindo.

 Desde aquele momento, eu me tornei apenas dele, e ele era apenas meu.

No dia em que nós dois entramos na mesma faculdade, contamos a verdade para nossas famílias. Já não importava mais se aceitariam a verdade, que nos amávamos e sempre ficaríamos juntos, pois fomos embora daquela cidade pequena e tradicional sem olhar para trás.

Mudamos para um pequeno apartamento perto da universidade e fomos felizes nos primeiros anos. Ninguém parecia se importar com nossas vidas, e enquanto Ian seguia seu curso de Matemática, eu fazia Medicina. Eu me sentia completamente feliz e não me importei das pessoas descobrirem que éramos um casal.

Infelizmente existem pessoas que insistem em cuidar da vida alheia. Logo se espalhou que éramos mais que amigos, e começaram a ser hostis conosco.  Até mesmo alguns de nossos amigos. Foram poucos os amigos que nos aceitaram e nos apoiaram. Ian não se importava com a raiva que as pessoas na universidade sentiam de nós, mas eu comecei a me sentir deslocado.

- Jimmy, nunca deixe que as outras pessoas te digam o que você deve ser ou fazer. Você é um ser humano como qualquer outro e tem o direito de viver sua vida sem sentir vergonha de si mesmo. Tenha orgulho de quem você é e de tudo que você conquistou com seu esforço.  – Ian sempre me dizia isso quando me via triste.

Finalmente nos formamos, e compramos uma casa. Eu comecei a trabalhar em um hospital como residente, e Ian dava aulas na universidade como professor substituto em Matemática aplicada a Astronomia.

Vivíamos felizes, quando numa noite calma alguma coisa voou pela janela. Uma bomba caseira incendiou nossa casa e quase tirou nossas vidas. Maldito preconceito. Apesar das várias ameaças de morte, nós não havíamos visto que existia esse perigo real, esse ódio tão forte das pessoas por nos acharem diferentes.

Eu fiquei semanas internado, mas Ian não sofrera nenhum arranhão, apesar de as sequelas emocionais do preconceito estarem estampadas nas rugas entre seus olhos. Ian tinha envelhecido 10 anos em apenas uma noite.

O medo nos levou a medidas extremas, e nos mudamos daquela cidade grande e “livre” para um lugar distante, onde ninguém nos conhecia. Eu havia emagrecido bastante no hospital, e meu cabelo já estava grande o suficiente para me confundirem com uma mulher. Eu não desfiz o mal entendido.

Vivemos bem naquele lugar onde ninguém nos conhecia, e nos passávamos facilmente como um casal de homem e mulher, por isso ficamos em paz por alguns anos. Conseguimos empregos bons, apesar de não tão bons quanto os anteriores. Ian dava aulas em um curso pré-vestibular, e eu tinha meu consultório particular.

Depois de alguns meses, nossos novos amigos insistiam para que nós dois tivéssemos um casamento de verdade, e por isso tivemos que contar a verdade mais uma vez. Surpreendentemente, em uma cidade pequena e distante, as pessoas nos aceitaram como nós éramos.

Sem julgamentos, sem questionamentos, apenas tristes por não dizermos a verdade antes. Nossos amigos insistiram que devíamos atravessar a fronteira e nos casar, e a não sentir vergonha de um sentimento tão bonito. Afinal, ninguém escolhe por quem vai se apaixonar.

Usamos nossa poupança e finalmente tivemos o casamento que a gente merecia, com nossos verdadeiros amigos ao nosso lado. Apesar de ainda sofrer com os olhares de reprovação das outras pessoas, tínhamos renome suficiente para sermos respeitados. Até mesmo nossos pais, depois de tanto evitarem contato conosco, se comunicavam e nos visitavam de vez em quando.

Muitos anos já foram embora, e eu posso dizer que, se nossa história não foi perfeita, chegou bem perto de ser. Todas as lutas valeram a pena para viver esse amor proibido. Meu querido Ian se foi há incontáveis anos, e tudo que eu tive na minha velhice foi a lembrança de nossos anos juntos. Sinto que meu corpo não vai me segurar aqui por muito mais tempo, e finalmente poderei ver o seu lindo sorriso outra vez, Ian.

Estou cansado agora, e vou dormir um pouco, mas já posso sentir seus braços outra vez, meu amado. Finalmente ficaremos juntos para sempre.

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Publicado em 10 de março de 2013 (1 ano atrás)

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Publicado em 10 de março de 2013 (1 ano atrás) por Jeff Dantas em "Curiosidades". Encontrou um erro? Clique aqui. Editar
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